Sinte e Educação divergem sobre dados da greve dos professores no RN

Governo diz que 10% das escolas estão paralisadas. Para Sinte, são 85%

Para Fátima, Governo está “construindo processo de mentira” ao ‘mascarar’ dados. Foto: Divulgação
Para Fátima, Governo está “construindo processo de mentira” ao ‘mascarar’ dados. Foto: Divulgação

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

 

Um levantamento da Secretaria de Estado da Educação (Seec) demonstra que, até o momento, apenas 10% das escolas da rede pública de ensino estão totalmente sem funcionar em função da greve dos professores – paralisação deflagrada na última terça-feira (28), data marcada para o início das aulas. O dado apresentado pelo Governo do Estado confronta com o quantitativo do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN), que apontou uma média de 85% das escolas sem aulas.

Ainda segundo levantamento da Seec em Natal, onde se concentra a maioria das escolas estaduais, mais de 65% das escolas estão funcionando normalmente, com adesão zero dos professores à greve. Já em 25% das escolas na capital potiguar a adesão foi parcial, com paralisação das aulas em determinados turnos.

“Fizemos esse monitoramento in loco, através do trabalho da 1ª Dired (Diretoria Regional). Ainda não tivemos como fazer um balanço através do SIGEduc, uma vez que o cadastro dos professores ainda está sendo lançado pelas escolas”, informou o coordenador das Diretorias Regionais de Educação, Eduardo Collin.

Questionada sobre a discrepância dos dados apresentados pelo Governo em relação ao levantamento do sindicato, Fátima Cardoso, coordenadora-geral do Sinte, alega que o Governo está “construindo um processo de mentira”. “O desespero do Governo do Estado é tão grande que eles chegam a construir um processo de mentira para tentar enfraquecer a nossa greve”, disse.

Ironicamente, a sindicalista ri da situação e se mostra perplexa com os dados divulgados pela Secretaria de Educação. “O nosso levantamento chega a 85% das escolas fechadas, incluindo as escolas de Natal, Grande Natal e interior do Estado. Temos registros oficiais que as unidades do interior também estão aderindo em massa a essa paralisação. A mentira do Governo é tão grande que dá vontade de rir. Eles não têm respeito por ninguém”, afirmou.

A greve dos professores do Estado será por tempo indeterminado, até que o Governo resolva cumprir com acordos negociados ainda no ano passado. Porém, segundo informou a Seec, todas as pautas foram cumpridas e esse cenário de greve imposto aos professores pelo Sinte/RN é sem propósito.

Conforme dito e repetido pela Secretaria de Educação, a deflagração da greve se deu menos de uma semana depois que a governadora Rosalba Ciarlini anunciou o reajuste de 8,32% para ativos e inativos; a concessão de uma letra a todos os professores e especialistas da rede estadual (promoção horizontal); a alteração do porte das escolas; gratificação dos diretores e vice-diretores; e formalizou a Comissão de Revisão do Plano de Cargos e Carreiras do Magistério.

De acordo com o a Secretaria, a falta de justificativas concretas para a greve levanta sérios questionamentos sobre a atuação política do Sindicato. “Fizemos uma reunião com o Sinte um dia antes da greve. Porém, eles já chegaram à reunião informando que, independente do que fosse conversado, a greve já estava deflagrada. Como iremos negociar assim? Essa é uma greve política. O sindicato vive de greve, vive de caos”, destacou Eduardo Collin.

Por telefone, a reportagem deste vespertino procurou ouvir a secretária Betânia Ramalho para saber se o Estado entrará com o pedido de ilegalidade da greve, mas não conseguiu realizar o contato. De antemão, a secretária já havia antecipado que uma das ferramentas a ser utilizadas pela Seec contra a greve será o corte do ponto dos professores. O desconto dos salários deve ser feito na folha de fevereiro, uma vez que a folha de janeiro já está fechada.

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