Sinte/RN avança na negociação com o governo e greve poderá ser encerrada

Pesquisa feita pelo Sinte/RN aponta que além de deficiências na infraestrutura, algumas escolas do Interior funcionam superlotadas

 Grupo de professores da rede estadual promoveu, esta manhã, manifestação na praça Cívica. Depois, eles foram à Seec para ‘forçar’ audiência com a secretária da Seec. Foto: Wellington Rocha

Grupo de professores da rede estadual promoveu, esta manhã, manifestação na praça Cívica. Depois, eles foram à Seec para ‘forçar’ audiência com a secretária da Seec. Foto: Wellington Rocha

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN) promoveu na manhã desta quarta-feira (12), na Praça Cívica, no centro de Natal, uma mobilização de professores da rede estadual de ensino, em greve desde o dia 28 de janeiro. Em seguida, os participantes do ato foram à Secretaria de Estado da Educação (Seec) para tentar forçar uma audiência com a secretária Betania Ramalho. No final da manhã de hoje, o secretário adjunto Joaquim Oliveira e outros representantes da Seec receberam uma comissão do Sinte/RN e houve um consenso entre as partes, que, após ser analisado em assembleia, pode resultar no fim da greve.

A categoria reivindica o cumprimento da pauta negociada o ano passado junto ao Governo do Estado, em fevereiro de 2013, que encerrou o movimento paredista. Segundo o sindicato, os principais pontos do acordo não foram cumpridos, como a revisão do plano de carreira do magistério, redimensionamento do porte das escolas, gratificação dos diretores, promoção de Letra, complementação na base salarial dos funcionários da educação e convocação de concursados.

De acordo com José Teixeira, coordenador geral do Sinte/RN, até o momento não há nenhum diálogo entre a secretária estadual de Educação, Betânia Ramalho. “É a primeira vez na história da educação do RN que tem uma secretária que evita o diálogo, e nega a pauta do Sindicato. Estamos já com 15 dias de greve e dois dias antes do início do movimento não fomos recebidos pela secretária e até agora as tentativas são frustradas. Temos uma pauta concreta e recorrente, a mesma do ano passado e que não foi cumprida. Nossa proposta é que o Governo envie para a Assembleia Legislativa em caráter de urgência todos os pontos da pauta recorrente e que seja protocolada. O caos na educação é geral”, enfatizou.

O secretário adjunto da Seec ressalta que a reunião com a comissão do Sindicato na manhã de hoje foi satisfatória. “Nós mostramos que estamos cumprindo todos os pontos acordados. No próximo dia 17 começa o ano legislativo e mostramos que os processos com os pontos da pauta já estão no Gabinete Civil para serem assinados pela Governadora e enviados à Assembleia Legislativa. O Sinte realizará uma assembleia na próxima segunda-feira, quando serão apresentados os processos e acreditamos que o movimento será encerrado”.

De acordo com Sérgio Ricardo, dirigente do Sinte/RN, a reunião foi considerada positiva para a categoria e após a realização da assembleia do dia 17, a perspectiva é que o movimento termine na próxima quinta-feira (20).

Para João Cemário Praxedes, dirigente de organização da Regional de Santa Cruz, o Governo está desrespeitando a categoria. “Nós estamos revoltados. Tudo o que foi acordado não foi cumprido, principalmente a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, uma luta de anos e as promoções horizontais. Antigamente, o aposentado ia até a letra J e hoje, vai no máximo até a D e E. Infelizmente isso ocorre porque o Governo demora para fazer as promoções horizontais e verticais. Tem professores que concluíram o mestrado e o ganho real é de R$ 60, o que acaba criando um desinteresse generalizado na especialização”, disse.

Ainda de acordo com o dirigente, uma pesquisa feita pelo Sinte/RN em 2013 apontou que além de deficiências na infraestrutura de escolas do interior do Estado, algumas funcionam superlotadas. “Em Serra Caiada encontramos uma sala com até 67 alunos”, afirmou.

Um pequeno número de alunos e mãe de professores também se uniu ao grupo de professores grevistas. Jane Márcia, que tem um filho matriculado na Escola Estadual Imperial Marinheiro, no bairro Nordeste, zona Oeste de Natal, explicou que é preciso a mobilização de pais em busca de um ensino público de qualidade. “Estou aqui pelo direito dos nossos filhos terem educação. Todos os anos somos prejudicados com greve e quando nossos filhos retornam para sala de aula surge uma nova greve porque não se cumprem os direitos. O que acaba acontecendo é que as crianças voltam para as aulas sobrecarregadas e o rendimento escolar cai”.

Maria Raquel Medeiros, professora da Imperial Marinheiro, conta que a infraestrutura da escola está com diversos problemas e até agora não foi tomada nenhuma solução definitiva. “Temos duas salas com pisos afundados. A reforma começou em junho do ano passado e era para ser concluída em três meses, mas ao invés disso construíram uma fossa, que era preciso, e fizeram uma reforma nos banheiros, que não era tão urgente como o afundamento dos pisos das salas. Por falta de espaço, a biblioteca também está sendo ocupada como sala de aula. O ano passado algumas turmas não tiveram professor de Matemática e de Educação Física, mas o pior que isso acontece na maioria das escolas. Infelizmente os novos profissionais da área estão desistindo de trabalhar em escolas públicas e o desestímulo está ficando generalizado”, desabafou.

O estudante Igor Allison, da Escola Estadual Vivaldo Pereira, em Currais Novos, explicou que fez questão de se unir ao movimento da capital e reclamou da estrutura física da escola em que estuda. “A quadra não tem cobertura e temos que nos exercitar no sol, além das salas não serem climatizadas. No Ensino Médio da escola não vejo falta de professores, mas isso acontece no Ensino Fundamental. Vim protestar porque queremos uma educação padrão Fifa”.

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