Sinte/RN contesta reajuste salarial de professores apresentado pelo Estado

Segundo a secretária, o Sinte/RN está distorcendo os percentuais e o cálculo feito não é o correto

Vencimentos atuais, segundo a Seec, mostram  reajuste de 76% até agora. Para atingir os 91% divulgados, a AL ainda precisa aprovar os outros 8,32%. Foto: Cedida
Vencimentos atuais, segundo a Seec, mostram
reajuste de 76% até agora. Para atingir os 91% divulgados, a AL ainda precisa aprovar os outros 8,32%. Foto: Cedida

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Rio Grande do Norte (Sinte/RN) está desafiando a Secretaria Estadual de Educação (Seec) a apresentar através de contracheques o percentual de reajuste de 90% sobre os salários dos professores da rede estadual, desde o início da gestão, em 2011.

De acordo com a coordenadora geral do Sinte/RN, Fátima Cardoso, o acumulado ao longo dos anos não chega perto do índice confirmado pela Secretaria Estadual de Educação. “No ano de 2011 o reajuste dado foi de 34%, em 2012 foi de 22,22% e em 2013 foi de 7,97%. Em 2014 o anúncio é de 8,22%, mas que ainda não foi pago. Este acumulado nem de longe chega aos 90%. É só fazer a somatória. Vamos continuar a nossa luta, porque houve uma acordo e ainda não foi cumprido”, disse.

Ainda segundo Fátima, se o ano letivo na rede estadual tivesse sido iniciado (se referindo à greve deflagrada no último dia 28 de janeiro) não haveria professores suficientes para a demanda de alunos. “Estamos vendo in loco a situação das escolas em vários municípios do Estado e está faltando professores em 90% das escolas. Ontem, tivemos em Macaíba e vimos que faltam de quatro a cinco professores por turno. Hoje estamos indo a São José de Mipibú e Nísia Floresta, em busca de dados mais precisos. Se o ano tivesse começado seria de araque. O Governo tem que ter responsabilidade e convocar os últimos concursados. Esta convocação de temporários é para substituir professores que estão com licenças de saúde, prêmio e estão fazendo cursos, mas não resolve. A secretária disse que vai esperar os números finais de matrículas para saber se vai convocar ou não, mas isso é um absurdo porque mostra que ela não tem domínio da rede”, pontuou.

A titular da educação estadual, Betânia Ramalho, rebate as acusações da dirigente sindical. Segundo a secretária, o Sinte/RN está distorcendo os percentuais e o cálculo feito não é o correto. “Em 2011 um professor em início de carreira ganhava R$ 930 e hoje é quase o dobro do valor, R$ 1.780. Não tem o que discutir. É uma questão de matemática. Qualquer percentual em cima de um salário de quem inicia é menor, e quem está do meio para o fim de carreira é maior. O magistério tem muito tempo acumulado e o salário médio de um professor em meio de carreira, com 30 horas, é de R$ 3 mil”.

Betânia também enfatizou que o governo está recuperando direitos represados da categoria, que incidem nos salários e contam para a aposentadoria. “Recuperamos direitos como promoção vertical, quinquênios, o piso salarial pago incide no salário e não na remuneração, e só falta a promoção horizontal (letras). Neste caso, quando a gente estava se organizando para pagar veio a questão da hora/atividade e tivemos que reorganizar questões como cargas horárias, mas tudo está dentro do planejamento. É importante deixar claro que tudo que foi dado é salário e não é abono”, explicou.

A secretária ainda contou que está em processo o resumo da gratificação de diretores das 16 Dired’s (Diretorias Regionais de Educação), que será na mesma faixa salarial de um cargo de coordenador da Seec. Betânia também afirmou que vai ser realizada uma nova atualização do porte das escolas e os salários dos diretores e vices serão também reajustados. “Devemos mandar para a Assembleia [Legislativa] até o dia 15 ou 16 e até o meio do ano vamos resolver a questão dos direitos represados”.

Compartilhar:
    Publicidade