“Poder financeiro do Seturn impede funcionamento da bilhetagem unificada”

Em depoimento na CEI da Bilhetagem Única, Presidente do Sindicato dos Alternativos critica postura do Seturn

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Natal que investiga a não implantação da bilhetagem única para o transporte público ouviu na manhã desta sexta-feira (09) o presidente do Sindicato dos Transportes Alternativos do RN (Sitoparn), José Pedro dos Santos. Esse é o terceiro depoimento colhido pelos membros da comissão, que já ouviram no começo desta semana as versões apresentadas pela secretária de Mobilidade Urbana, Elequicina Santos, e o Procurador Geral do Município, Carlos Castim.

Um dos pontos tocados no depoimento de José Pedro é de que a regulamentação definitiva necessária para funcionamento do sistema de bilhetagem unificada entre os ônibus e alternativos não saiu pelo poder financeiro do Seturn, Sindicato das Empresas de Transporte.

“Há uma fúria financeira do Seturn que vai rompendo e criando todos os artifícios possíveis para manter seu lucro, com a omissão e conivência do poder público. Isso, aliado à burocracia criada propositalmente pela Prefeitura de Natal, vem impedindo a implementação da bilhetagem unificada”, declarou o presidente do Sitoparn a´O Jornal de Hoje, ouvido pela reportagem antes de começar a sessão da CEI.

“O Prefeito Carlos Eduardo é responsável direto por essa situação que estamos passando hoje. Ele sabe de todos os problemas existentes”, disse José Pedro dos Santos. No entendimento do Sindicato dos Alternativos, a secretária Elequicina Santos desviou o foco do problema em seu depoimento, realizado na última segunda-feira, e isentou o poder público da responsabilidade de implantar, como órgão gestor, a unificação da bilhetagem.

“A Lei aprovada diz que a unificação poderia ocorrer com um único sistema entre ambos os sindicatos que o poder público viesse a implantar. Nesse caso, tanto o Sitoparn quanto o Seturn teriam que se adaptar. Outra opção diz respeito a interoperabilidade, ou seja, dois sistemas distintos e integrados. Porém, no decorrer das discussões, surgiu uma terceira opção de funcionamento e que ficou valendo: utilizar o sistema vigente, que pertence ao Seturn. A partir daí, o poder público ficou isento. Já era lógico que o Seturn não ia abrir ou fornecer sua tecnologia”, argumentou.

Outra dificuldade para a devida implantação do sistema é a ausência de controle da Secretaria de Mobilidade urbana no sistema público de transporte. Durante depoimento na CEI, Elequicina tratou da ausência de técnicos em Tecnologia da Informação (TI) na Semob.

“A secretária confirmou em seu depoimento que não tem controle algum sobre o sistema de transporte de Natal. Se ela não tem um técnico em TI para acompanhar as informações que o Seturn encaminha, não existe controle. O que é estranho para nós é o porquê dela admitir isso seis meses após a publicação da lei”, questionou Pedro dos Santos.

O relator da Comissão de Inquérito, vereador George Câmara, disse que as investigações deverão apresentar resultados à população em um curto período de tempo. “Essa lei que instaura a Bilhetagem Eletrônica Unificada já tem quase sete meses de aprovada e precisamos chegar a uma conclusão do problema que está acontecendo, apontando os responsáveis. Queremos também saber se essa demora na implantação gerou prejuízo ao erário público”, destacou.

A legislação da Câmara estabelece que os trabalhos de uma CEI devem levar no máximo 120 dias. “Porém, estamos trabalhando com a maior agilidade possível para dar respostas à população, que é a principal prejudicada com isso. Em breve, queremos estar relatando as primeiras impressões e resultados coletados pelos depoimentos. Mas ainda é cedo para dizer alguma coisa mais concreta”, destacou o vereador George Câmara.

O Sindicato das Empresas dos Transportes Urbanos será o próximo a ser ouvido pela Comissão. O depoimento do Seturn está marcado para acontecer na próxima segunda-feira (12). Até sexta-feira, dia 16 de maio, também deverá ser colhido o depoimento da empresa responsável pela tecnologia da informação utilizada pelo Seturn, Fujitec, que segundo o Sitoparn se negou a compartilhar a tecnologia com os alternativos do sistema.

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