Sitoparn não acredita mais na implantação da bilhetagem única em Natal

"Os prazos dele [Carlos Eduardo Alves] não tem mais valor nenhum", acentuou o sindicalista.

 

8JAAlt-JAO presidente do Sindicato dos Transportes Alternativos de Natal (Sitoparn), Pedro dos Santos, não acredita mais nos prazos para a instalação da bilhetagem eletrônica unificada com as empresas de ônibus. Esse novo sistema permitirá que os usuários de transporte público usem um mesmo cartão de passagem para operar tanto nos ônibus quanto nos opcionais.

O último prazo dado pelo Prefeito de Natal para que a implantação desse sistema se efetive é julho deste ano. “Os prazos dele [Carlos Eduardo Alves] não tem mais valor nenhum”, acentuou o sindicalista.

A descrença veio depois do não cumprimento, por parte das empresas de transporte público, da unificação completa da bilhetagem e a falta de resposta efetiva do município diante do fato.

O decreto publicado em 10 de fevereiro deste ano previa que o processo de unificação iniciaria em dez dias e teria conclusão em maio deste ano, mas parece estar longe de ser resolvido. Porém, conforme o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Passageiros do Município de Natal (Seturn), o processo de bilhetagem unificada existe antes mesmo do decreto do prefeito Carlos Eduardo entrar em vigor. “Alguns permissionários nos procuraram para, junto ao Seturn, encontrar uma solução de trabalharmos no mesmo sistema”, explicou Nilson Queiroga, consultor técnico do Seturn em entrevista concedida a O Jornal de Hoje.

Conforme o Sindicato das empresas, o processo teria começado ainda em 2012 quando alguns alternativos passaram a operar nas linhas de ônibus em acordo com as empresas. Atualmente, ainda segundo o sindicato das empresas, há 41 alternativos operando dentro das linhas regulares.

Mas na interpretação do presidente do sindicato dos alternativos, isso se caracteriza como “terceirização” ou “arrendamento” dos alternativos. Segundo ele, a crise no faturamento dos alternativos tem sido o principal motivo para que os permissionários entrem em parceria com o Seturn. “Os que estão indo, apostam que lá vai dar certo”, avaliou.

Entretanto, na visão do sindicalista, a terceirização não é vantajosa. “Tem carro que roda o dia todo, com o dono dirigindo e sem cobrador, para ver se ele sobrevive. Alguns quebram e não tem como voltar”, criticou.

Na avaliação de Santos, essa sistemática adotada com os cerca de 40 alternativos também mostra que unificação da bilhetagem é tecnicamente simples. “Isso prova que a bilhetagem não precisa mais de estudos técnicos, só é preciso uma senha para acessar o outro sistema”, disse. O presidente do Sitoparn ressalta também que não quer utilizar a estrutura do Seturn. “Queremos um sistema que se comunique com o outro, é a interoperabilidade”, acrescentou.

Atualmente, dos 45 alternativos que ainda atuam como linhas realmente alternativas (não estão operando nas linhas dos ônibus), 38 fazem o transporte com destino à zona Norte da cidade, a mais populosa. No entanto, o total de alternativos representa apenas 8% do transporte público da capital. “Mas pela lei era para ser de 30% do sistema, mas nunca foi implementado o que está lá”, comentou o presidente do Sitoparn.

CIRCULARES

Pedro Santos também não recebeu bem a sugestão do Seturn para que os alternativos assumissem as linhas circulares Norte-Bairros, zona Norte, e Campus Central da UFRN. “Ora, se não está sendo rentável para eles, vão passar pra gente?”, questionou ironicamente. Hoje a diretoria do sindicato irá participar de uma reunião no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRN para articular com outros grupos sociais questões de interesse no transporte público.

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