SMS lança campanha, mas mantém ambiente favorável ao mosquito

Equipamentos e móveis sem uso foram despejados em terreno à céu aberto causando revolta de moradores

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

“Você sabe o que fazer, mas precisa ser agora”. Esse é o slogan da mais recente campanha de prevenção da dengue lançada pela Prefeitura de Natal. Através de folhetos e propagandas educativas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) tenta conscientizar a população para a necessidade de ações preventivas em todas unidades habitacionais, bem como no cuidado com o despejo de lixo nas ruas.

Apesar da campanha ter um foco educacional, a própria Secretaria vem adotando uma postura contrária à própria iniciativa. Em um terreno ao lado dos seus almoxarifados, localizados no bairro Dix-sept Rosado, é possível observar um ambiente repleto de objetos despejados, sem manutenção ou uso pela própria unidade, condicionando ambiente favorável à proliferação da dengue.

Entre os objetos estão incluídos materiais de gabinetes odontológicos, cadeiras quebradas, estofados e armários inutilizáveis. Pessoas que moram nas proximidades do terreno questionam o descuido por parte da Prefeitura e a contradição com a devida postura diante de uma campanha de conscientização.

“Como a Secretaria realiza uma campanha de prevenção e faz justamente o contrário?”, questionou João Pedro da Silva Neto, profissional de educação em saúde e morador da comunidade. João explicou à reportagem d’O Jornal de Hoje que o problema compartilhado entre os morados foi denunciado à SMS através do telefone do Disque Dengue (0800 281 4031), no dia 10 de abril. Entretanto, até agora não houve solução.

João Pedro ainda apresentou um pequeno recipiente de vidro com alguns mosquitos Aedes aegypti colhidos na sua própria residência. “Matei na minha casa e os coloquei no vidro para verificar junto aos órgãos competentes se eles são os mosquitos da dengue, uma vez que apresentam as características comuns que conhecemos. De fato, são”, destacou. “Estou apelando à imprensa porque fui procurado pela comunidade. As pessoas estão com medo de adoecer”.

A partir do despejo de objetos que possam acumular água, há o aumento da quantidade de mosquito transmissor da dengue – os quais se reproduzem em água parada. Esse aumento de mosquitos também foi observado por Arlinda Bento de Souza, 70, que mora há 25 anos em uma casa em frente ao terreno.

“Nunca vi tantos mosquitos na minha casa. Já tive dengue há muito tempo, mas sei que existem quatro tipos da doença e posso estar sujeita a contrair os outros”, disse. De acordo com os moradores, não houve registro recente da doença nos últimos dias, mas a falta de manutenção e de limpeza no terreno coloca em risco a saúde das pessoas, principalmente o atual período chuvoso.

Em contato com O Jornal de Hoje, o secretário da Secretaria Municipal de Saúde, Cipriano Maia, declarou que teve conhecimento da situação do terreno nesta semana. “Esse é um imóvel alugado que utilizamos para descartar os equipamentos que serão encaminhados para leilão. Soube que o leilão está atrasado e por isso determinei a remoção dos equipamentos justamente para acabar com esse risco”, afirmou. “Acredito que no começo da próxima semana esse problema já terá sido resolvido”, garantiu.

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