Sob grito de racista, torcedora do Grêmio chora ao chegar para depor

Foi possível ouvir os soluços e o barulho do choro da menina durante a caminhada

Irmão abraça torcedora na chagada para depoimento. Foto: Divulgação
Irmão abraça torcedora na chagada para depoimento. Foto: Divulgação

No horário marcado e acompanhada do irmão e do seu advogado, a torcedora do Grêmio Patrícia Moreira chegou para prestar seu depoimento sobre o caso Aranha. Foi ela quem foi flagrada pelas imagens gritando a palavra “macaco”. A jovem desembarcou do carro chorando, abraçada no irmão, e ouviu o grito de “racista” de um carro que passava na frente da 4ª Delegacia de Polícia. O movimento Unegro, que prega igualdade, esteve com cinco representantes no local.

O grito aconteceu de um veículo que passava na avenida Benjamin Constant no exato momento que a torcedora deixava o carro. Tão logo a porta foi aberta, o irmão abraçou a cabeça de Patrícia em seu peito e abriu caminho na multidão. Foi possível ouvir os soluços e o barulho do choro da menina durante a caminhada.

Minutos depois de Patrícia chegar, os integrantes do movimento abriram uma faixa na calçada da delegacia: “rebele-se contra o racismo”. A jovem Flaviana Paiva, uma das ativistas, afirmou que os cânticos com a palavra “macaco” da torcida do Grêmio são considerados racistas. “É um racismo mascarado (os cantos). Precisamos combater isso”, disse.

O carro do advogado da menina estacionou sobre a calçada em frente a DP. Com cerca de 30 jornalistas presentes, a torcedora acabou escoltada pelos integrantes do Grupo de Operações Especiais que está presente no local para evitar qualquer tipo de problema.O esquema de segurança especial não se fez necessário. Alguns transeuntes estiveram parados do outro lado da rua da delegacia, mas ninguém tentou qualquer ato de hostilidade contra a jovem.

Patrícia é a sexta torcedora a prestar depoimento com relação às injúrias ao goleiro Aranha. Ela foi flagrada pelas imagens da ESPN Brasil gritando a palavra “macaco” nas arquibancadas da Arena, na última quinta-feira, na derrota para o Santos. Além dela, outros dois torcedores suspeitos foram ouvidos. E três foram chamados como testemunha.

Fonte: Terra

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