Sobre o agora e o depois – Walter Gomes

Lula da Silva, sensível aos fatos de hoje e atento aos efeitos no amanhã, confessa sua perplexidade a respeito do…

Lula da Silva, sensível aos fatos de hoje e atento aos efeitos no amanhã, confessa sua perplexidade a respeito do quadro político-popular a menos de quatro meses do pleito para o Palácio do Planalto.

Conforme interlocutores dele no feriado de Corpus Christi, o ex-presidente da República identifica clima desfavorável ao PT em centros eleitorais estratégicos. Foram citados São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Os cinco estados representam a metade dos quase 142 milhões de cidadãos aptos ao voto.

O birô da coluna ouviu curiosa inconfidência de um dos que estiveram, ontem, no apartamento de Lula em São Bernardo do Campo, cidade próxima da capital paulista.

Do que entendeu da “conversa enviesada” o senhor Silva descrê do sucesso do projeto de reeleição da afilhada que elegeu em 2010. Se confirmado “o infortúnio”, planeja assumir a liderança da oposição no próximo ano e preparar o Partido dos Trabalhadores para reconquistar o governo em 2018.

Aí, sim, ele poderá ser candidato. Neste 2014, não.

Pós-escrito: Segundo especialista em análise de pesquisa, rejeição de 40% complica uma candidatura. Acima desse índice, estágio da senhora Rousseff com 43%, acende-se o sinal vermelho.

Caso em questão

“Quem está preso tem pressa”.

Autor da frase: Luís Roberto Barroso (foto).

Disse-a quando prometeu colaborar para que se realize, o mais cedo possível, o julgamento dos recursos de réus condenados na Ação Penal 470.

Barroso é ministro-relator do processo apelidado Mensalão do PT e que levou ao cárcere antigas estrelas petistas e de siglas coligadas.

O pleno do Supremo Tribunal Federal deve apreciar próxima semana, talvez na quarta-feira, os pedidos para prisão domiciliar – caso de José Genoíno – e de liberação para trabalho externo de prisioneiros como José Dirceu.

Falta de prática

É ampla a lista de fatos jocosos protagonizados por gente do poder.

Desde a época de ministra – Minas e Energia e, depois, Casa Civil -, Dilma Rousseff tem sido pródiga na colaboração com o folclore político.

Há dois dias, a presidente da República visitou áreas inundadas no interior do Paraná.

No discurso de solidariedade à população, prometeu um barco de “fibra ótica” (*) para ajudar “o povo na enchente”.

(*) Meio de transmissão que permite o tráfego de dados com rapidez próxima à velocidade da luz, ensinam os dicionários.

– Vai além do retorno ao diálogo a relação do Planalto com o líder do PMDB na Câmara. Dilma Rousseff designou Roberto Derziê, indicado por Eduardo Cunha (RJ), para dirigir a área de operações corporativas da Caixa Econômica Federal.

– Desinteresse da juventude pelo voto, neste ano. Só 25% dos brasileiros entre 16 e 17 anos se habilitaram ao título de eleitor.

– Três grupos do PR se confrontam, amanhã, na convenção nacional do PR: dilmistas, aecistas e defensores de candidatura própria – a do senador capixaba Magno Malta.

– Eduardo Campos avisa que “está tudo muito bem” entre ele e Marina Silva, provável vice do presidenciável socialista.

– Mudança em Goiás: com 34,5% das intenções de voto, o ex-governador Íris Rezende (PMDB) assume a liderança da corrida ao Palácio das Esmeraldas. O tucano Marcone Perillo, recandidato, está na cola: 33,9%. Na sequência, Vanderlan Cardoso (PSB), 11%; Antonio Gomide (PT), 7,2%; Maria Jane (PCdoB), 1,9%; e Professor Pantaleão (PSOL), 1,8%.

– Para refletir: “O ciúme é um latido que atrai cães” (Karl Kraus, dramaturgo e poeta austríaco).

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