SOBREVIDA – Túlio Lemos

Em política, nunca imagine que algo é definitivo enquanto seu adversário ainda pode expressar alguma reação. No caso de Rosalba,…

Em política, nunca imagine que algo é definitivo enquanto seu adversário ainda pode expressar alguma reação. No caso de Rosalba, ela só estará definitivamente fora do tabuleiro eleitoral de sua sucessão, quando sair de cena efetivamente. Ainda não é o caso.

RENÚNCIA

Circula entre aliados da governadora Rosalba Ciarlini, a informação de que o ‘governador de fato’ Carlos Augusto Rosado, teria um plano para se vingar da humilhante derrota sofrida na sede do DEM. O plano consiste em Rosalba renunciar ao mandato; dessa forma, Robinson Faria se fortaleceria para derrotar as candidaturas de Henrique e Wilma. O casal governador trataria de ‘deseleger’ a candidatura de Felipe Maia a deputado federal.

POSSIBILIDADE

A possibilidade de renúncia já havia sido abordada internamente há algum tempo. Porém, as circunstâncias não apontavam para execução, pois naquele momento, o gesto não teria nenhum efeito prático contra seus algozes. Agora é diferente. Rosalba foi massacrada dentro de sua própria casa, seu partido. Não dispõe de forças para reagir politicamente ou eleitoralmente contra seus adversários. A renúncia seria um gesto imprevisível, com força para mudar totalmente o quadro estabelecido.

MUDANÇA

Como a renúncia é um ato unilateral, o grupo do senador José Agripino não pode fazer absolutamente nada para evitar que Rosalba entregue o Governo ao seu maior adversário. Assim como Carlos Augusto nada pôde fazer para ser ouvido na reunião do DEM, Agripino nada poderá fazer para que a renúncia seja efetivada. A mudança é integral. A Rosa sai da condição de impotente, derrotada e enfraquecida, para a de poderosa, que pode mudar o quadro apenas com uma assinatura. É a vida; é a política e suas ações e reações inesperadas e imprevisíveis.

DIFICULDADE

Quem conhece o casal governador, especialmente Carlos Augusto Rosado, sabe que sua arrogância é muito grande, situação que poderia ser impeditiva para um gesto como esse. Porém, mais forte do que a arrogância pode ser o sentimento de vingança, que absorveu o marido de Rosalba. O que pesará mais, o tempo dirá.

ESCOLHA

O PC do B vai indicar o candidato a vice-governador na chapa de Robinson Faria; a escolha do partido está entre o vereador George Câmara e o deputado Fábio Dantas. Pelo perfil de articulador, o filho de Arlindo Dantas leva vantagem na preferência; ele somaria mais do que o vereador, que seria candidato a deputado estadual e poderia manter a cadeira do partido na Assembleia.

DÚVIDA

Caso o vice de Robinson seja realmente Fábio Dantas, como ficaria a situação do pai dele, Arlindo Dantas, prefeito de São José de Mipibu, filiado ao PMDB? Certamente que Arlindo votaria no filho. A questão é se ele subiria no palanque contra o candidato de seu próprio partido, o PMDB. O fato é que, de uma forma ou de outra, Robinson está meio sem escolha, pois não conta com um vice representativo e que some em matéria de votos.

LOBBY

O deputado Henrique Alves está se sentindo tão poderoso que tudo que acontece na República ele assume como sendo de sua autoria ou com sua participação. Em material enviado pela assessoria da presidência da Câmara, fica claro o papel que Henrique afirma ter desempenhado na escolha do potiguar Luiz Alberto Gurgel como ministro do STJ.

LOBBY II

A nota da assessoria de Henrique diz o seguinte: “Henrique Alves foi um dos articuladores da candidatura do juiz potiguar à vaga do STJ”. Ou seja: explícito o lobby feito por um político para que um jurista ocupe a vaga de ministro de uma corte superior. A cobrança de um favor feita de forma pública, sem qualquer pudor de que isso possa contaminar a independência do competente juiz.

PARENTESCO

O pior nessa situação de Henrique aparecer como articulador da nomeação do juiz Luiz Alberto Faria é que o indicado é primo da ex-governadora Wilma de Faria, candidata ao Senado na chapa de Henrique Alves. A ‘participação’ de Henrique no episódio e a publicidade que deu ao caso, soa como cumprimento de um compromisso com Wilma; um dos compromissos que teria assumido para que ela desistisse de ser candidata ao Governo. Será?

CONDENAÇÃO

Os principais partidos políticos do país não têm credibilidade pelo envolvimento de seus integrantes com casos de corrupção. As conseqüências locais são inevitáveis. O PMDB de Henrique é um dos partidos mais corruptos do Brasil; o PSB de Wilma também não fica muito atrás nesse quesito; o PT de Fátima, nem precisa falar que é campeão com o mensalão; agora, surge o PSD de Robinson Faria, cujo presidente nacional, Gilberto Kassab, foi condenado por improbidade administrativa. Vamos ver como ficam os partidos na representatividade local.

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