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Sociologia e o carnaval

Data: 09 fevereiro 2013 - Hora: 18:03 - Por: Vicente Serejo

Reencontro aqui, nos meus papéis velhos, uma Acta Diurna de Câmara Cascudo que também está no blog do
Instituto Ludovicus. E transcrevo só para mostrar os carnavais idos e vividos, agora que nas ruas ninguém
encontra mais o protesto debochado dos blocos e dos papangus zombando da vida e do mundo.
Foi publicada na edição de 22 de janeiro de 1948, no Diário de Natal.

O carnaval aproxima-se e com ele o estudo da psicologia popular aplicada. Não há época melhor para medirmos a resistência individual e coletiva em face de virtudes ou vícios. E, etnograficamente, compararmos o desaparecimento ou persistência de tradições carnavalescas, uso ou esquecimento de gestos, cantigas, pulhas e hábitos velhos. O carnaval é um documento irrespondível.
Para a burguesia capitalista o carnaval é uma escapação da sobrecarga. Uma evasão às preocupações trágicas do cotidiano. O valor da observação está em ver de como o homem se diverte ou julga divertir-se. O essencial, no domínio psicológico, é constatar como ele aplica o seu tempo e em que direção escolheu a técnica para esquecer-se do trabalho terrível dos outros dias.

Toda a gente sabe que o carnaval é uma festa popular que reúne muitas festas populares de séculos e séculos, vindas de Roma, da Grécia, dos cultos de orgia na Ásia Menor, no Oriente próximo. É uma espécie de festas-das-festas em que tudo se permite porque o homem está homenageando as forças livres da fecundação e da germinação, restos de cultos aos deuses rurais, propiciando as colheitas fecundas e abundantes. Também ocorrem festas de caráter social, como as Saturnais e Lupercais, em Grécia e Roma, que tinha, de modo geral, o mesmo espaço do carnaval, disfarces, gestos, movimentação, cantigas, liberdade, bebidas, alegria tumultuosa.
Basta um pormenor carnavalesco para mostrar sai antiguidade. Durante os três dias de carnaval há um irresistível desejo de pilheriar, dizer em voz alta brincadeiras mais inopinadas e possivelmente agressivas. Tem uma vaga idéia de tudo é permitido e legal, inclusive o desrespeito, a insolência, a deseducação. E quando alguém protesta, surpreende-se, reagindo a explicação é sumária: “Não se zangue, homem, é carnaval, carnaval é isso mesmo…”.

Carnaval como sinônimo de licenciosidade, irresponsabilidade, garantia tradicional às loucuras comprova sua duração no tempo e o espírito de sua função sacra e orgiástica. Reparem, nessas horas de liberdade, como falam, cantam e gritam homens que passam o ano cheios de gravidade, porejando circunspecção, irradiando protocolo. Estudem no delírio do ‘Passo’ a necessidade de movimento, de gesticulação, de trejeitos. Tudo aquilo estava comprimido, apertado, guardado nos refolhos da vontade, aguardando a oportunidade para manifestar-se. Vejam também pelas ‘fantasias’ dos ricos e pelos disfarces improvisados pelos pobre o senso da decoração, do colorido, da ornamentação, de cada um. Vejam a predominância das cores primitivas, vermelho especialmente, vermelho sangue de boi. Vejam as facilidades com que os grupos, cordões, blocos se organizam na rua e escolhem chefes no fenômeno natural da sociabilidade. E a parte de improvisação musical. De expressão mímica. As reações populares aos acontecimentos, cantigas, caricaturas, críticas. E os ditos, anedotas, reparos, respostas, perguntas ‘de achatar’. E anote-se a alimentação especial desses dias tanto nas residências como nas ruas. O que se come durante o carnaval seria objeto de uma pesquisa sugestiva. E os homens que se vestem de mulher, e as mulheres que se vestem de homem, abominação do que Jeová condenou no Deuteronômio? Há no carnaval todos os elementos para estudo, alegria, esquecimento e loucura. Dirá melhor Banville:

La carnaval s’amuse!
Viens le chanter, ma muse…

 

CHAPA – I
Cresce nas especulações políticas de todos esses alpendres de Norte a Sul a chapa Garibaldi Filho para o governo e Fátima Bezerra para Senado. Com Wilma de Faria disputando a vaga de deputada federal.

MAS – II
Para que isto aconteça é preciso que antes o PMDB declare seu rompimento com o DEM, aliados que são nas campanhas majoritárias de governador e senador. O que não aconteceria ao longo deste 2013.c

AINDA – III
Ao mesmo tempo em que cresce a chapa Garibaldi-Fátima, cresce também a notícia de que o governo Rosalba Ciarlini vai nomear Elias Fernandes Secretário de Recursos Hídricos. O que adia a separação.

TCE
No Tribunal de Contas do Estado não se especula mais em torno do sétimo conselheiro a ser nomeado pelo governo. Nem o desdém de não nomear fere os brios da Corte de Contas. A vaga espera calada.

PARA
Alguns, fica até melhor assim, com um auditor ocupando a cadeira, a sair a nomeação fora do padrão que o tribunal espera. O problema é que a nomeação para o TCE sempre foi por conveniência política.

ACERVO
Até agora o governo estadual não decidiu se expropria o acervo do Diário de Natal e fixa seu preço de indenização através de comissão de notório saber histórico ou se paga os R$ 3 milhões já anunciados.

SECA
A Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte promove dias 22, 23 e 24 próximos a Caravana Retratos da Seca, levando a todas as regiões a luta do homem do campo pela sobrevivência.

PLANOS – I
Advogados mais experientes consideram uma conquista jurídica irreversível todos os planos de cargos, carreiras e salários pagos às principais categorias pelo Governo do Estado. A contestação não prospera.

EFEITO – II
Criador por lei, negociados e pagos, com a legalidade de alguns deles apreciada pela própria Justiça, é improvável que o governo consiga torná-los sem efeito nos tribunais superiores. Só vai gerar desgaste.

PAISAGEM – I
Parece que o bom senso vai prevalecer e não será permitida edificação na área da Capitania das Artes que se abre para o Potengi. E a cidade tem outras áreas, mesmo que não sejam em Tirol e Petrópolis.

ALIÁS – II
Foi alegando norma e bom senso diante da paisagem de Ponta Negra que o prefeito Carlos Eduardo, no mandato anterior, manteve o embargo do hotel da Costeira. E seria uma contrição não preservar o rio.

POESIA
De Manuel Bandeira, no seu tempo de tristes e alegres libertinagens, enchendo de poesia a vida reclusa no Beco das Carmelitas: ‘Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria’.

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