Solteiros fazem simpatias para não passar Dia dos Namorados sozinhos

Especialistas em esoterismo e tarô garantem que basta ter fé para que Santo Antônio encontre sua cara-metade

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Você já tentou de tudo: perfume com feromônio para atrair o sexo oposto, site de relacionamentos, amigo dos amigos, mestrado em engenharia da computação, aulas de dança, baladas diurnas e noturnas, a mesma tinta de cabelo de Luana Piovani, cuidar mais do jardim, e as borboletas não vieram, contrariando a teoria do poeta Mário Quintana. E, mais uma vez, o castigado Dia dos Namorados bate à porta, e já que sempre tem como piorar, logo em seguida será sexta-feira 13. É neste momento que os conselhos daquela tia do interior, casada e com uma penca de filhos, começam a se tornar tentadores: por que não fazer uma simpatia para arranjar um namorado ou marido? “Até a Judith conseguiu”, provocará a tia. É aí que bate a dúvida: será que dá certo?

Histórias não faltam sobre aquelas que, com poderes inexplicáveis, conseguiram parceiros para uma vida inteira. Fácil encontrar mulheres que têm casos divertidos sobre o que já fizeram para encontrar o tal “certo alguém”, incluindo aí séries de torturas com Santo Antônio, o santo casamenteiro mais querido do Brasil. Mas, para outras, tudo isso não passou de mais um caso para contar e morrer de rir. Enfim, como dizem que no amor vale tudo, o Bem Viver traz nesta reportagem os relatos de quem conseguiu, de quem está tentando e de quem desistiu de namorar ou casar com a ajuda dos céus. Para todos os casos, especialistas, céticos ou não, aconselham que, para se entregar de peito aberto a uma relação duradoura, a pessoa tem que fazer sua parte, caso contrário não há santo nem vela que trabalhe sozinho.

“Que dá certo, dá”, avisa o esotérico, tarólogo e fundador da Escola Esotérica, em São Paulo, Daniel Atalla. Ele explica que simpatia é tudo aquilo que as pessoas fazem de maneira ritualística, com uma crença popular envolvida. “A pessoa acredita naquilo e, por meio do ritual, gera um processo mental que favorece o desejo”, explica.

Para ele, há o processo de magia, “que é um estudo das formações dos elementos baseado na natureza. A formação cria um portal de energia, que abre uma força universal, auxiliando na proteção do desejo”. A simpatia, ainda segundo Daniel, é usada para motivar a pessoa a determinado fim. “Ela toma um banho de petálas acreditando que vai ajudá-la em alguma coisa. Como ela acredita, isso a ajuda mesmo.”

CHAVE 

Segundo o professor de sociologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Juracy Costa Amaral, as simpatias são baseadas em crenças e fazem parte da cultura brasileira como resultado da miscigenação. “Essa somatória de crenças africanas, indígenas e do catolicismo português fez a difusão das várias crenças. Há o encantamento, o desejo de realizar algo que não é mensurável. Abre-se uma esperança, que é da condição humana. Assim, a crença vai se fortalecendo”, comenta, dizendo que, como, de uma certa forma, essa postura pode apaziguar e trazer novas esperanças, há algo de positivo nela. Para Daniel Atalla, as simpatias mexem com um conjunto de energias. “Ao fazer simpatias, é como se usássemos uma chave”, diz. Mas será que as portas realmente se abrem?

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De tão íntimo, há quem já o chame de Antônio, dispensando assim seu título de santo. Pelo interior de Minas, durante ladainhas, novenas e trezenas dedicadas a ele, muitas vezes ouvem-se expressões espontâneas, como “Antônio, me atende!” ou “Antônio, não vou lhe devolver o menino”. Conhecido como casamenteiro no Brasil, muitas lendas dão conta de que ele “desencalhou” mulheres que já tinham perdido a esperança de arranjar um casamento. Seu dia é 13 de junho, logo após o Dia dos Namorados. Porém, este ano a data caiu em uma sexta-feira, o que para os brasileiros significa um dia de má sorte no qual nem é bom sair de casa. Mas, para o esotérico Daniel Atalla, o dia é promissor, já que a sexta é dia de Vênus, planeta do amor. “Este ano, as graças vão vir com força total”, avisa Daniel. No entanto, ele faz uma ressalva: “Não é maltratando o santo que o desejo é alcançado”.

Há três anos, a publicitária Dênia Mota, de 31 anos, está tentando convencer Santo Antônio a lhe trazer um bom parceiro. Porém, muitas atrapalhadas ocorreram nesse tempo. “Você não pode comprar a imagem do santo, tem que ganhá-la. Então, há três anos minha mãe me deu uma. Retirei o menino Jesus da mão do santo. Escondi. Mas, como minha casa estava em reforma, o menino Jesus sumiu e nunca mais achei”, conta Dênia, lembrando que, no segundo ano, como tinha ganhado outra imagem, e com o trauma do ano anterior, resolveu colocar o santo de cabeça para baixo dentro de um copo d’água, mas a imagem derreteu. “Aí, no ano passado, ganhei outro, mas ele caiu das minhas mãos e se espatifou todo”, recorda. Em 2013, Dênia chegou a ficar noiva, mas terminou o noivado. “Este ano, vou fazer de novo, mas não quero errar.”

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Tarólogo, parapsicólogo, projeciologista, terapeuta holístico e sacerdote em magia natural, Daniel Atalla é fundador da Escola Esotérica, que se tornou uma das maiores escolas de esoterismo das Américas, e conta que, em se tratando da crença em Santo Antônio, apesar de ser algo tão enraizado na cultura brasileira, muitas coisas estão equivocadas. O santo, segundo ele, não é visto mundialmente como casamenteiro, sendo que na Europa é considerado o santo das causas impossíveis. “Só ganhou fama para casamentos no Brasil depois de uma devota no Nordeste, que pedia sempre um casamento para ele e nunca conseguia, ter perdido a paciência e tacado a imagem pela janela. E, bem na hora de sua fúria, a imagem atingiu a cabeça de um homem com quem a mulher se casou. Por isso, criou-se a fama de que maltratar o santo é a única forma de se conseguir a graça”, conta , acrescentando que ele vai agradar muito mais se a pessoa lhe der flores ao invés das tradicionais torturas.

Outra dica é entender os sinais. “Devemos aceitar o caminho que está sendo proposto pela energia. Então, se a pessoa faz uma simpatia para o santo e as amigas chamam-na para sair, mas ela só quer ficar em casa, não dá certo. O santo precisa criar uma formar de ocasionar o encontro amoroso”, exemplifica. Outro alerta, segundo ele, é que toda vez que fazemos uma simpatia com fé e tomamos atitudes, nem sempre o primeiro passo desse caminho é a forma como acreditamos que vai ser. “Por isso, não devemos pedir o casamento com o João, mas sim um casamento feliz. Às vezes, não é João, mas, sim, Pedro.”

PEDIDO 

Saber pedir, para o esotérico, é fundamental. “Tem que ter objetivo na busca da felicidade, pode até estipular um prazo para o santo.” Foi o que fez Patrícia Souto. Sonhando com um relacionamento, ela recorreu a ele. “No dia 13 de junho do ano passado, preparei um pequeno altar para ele em minha casa. Acendi uma vela cor-de-rosa e um incenso, junto a um copo com água, e coloquei em frente à imagem, pedindo com muita fé para que ele atraísse um amor para a minha vida, que pudesse me fazer bem e feliz. Quando a vela e o incenso terminaram, despejei a água do copo num vaso com 13 rosas vermelhas. Então, pinguei uma gota de mel em cada rosa e pedi que me trouxesse esse amor verdadeiro no período de um ano. Neste ano, agora que encontrei meu amor, irei acender 13 velas brancas no Dia de Santo Antônio, em agradecimento”, conta, feliz com o resultado.

Costurar a boca do sapo, enterrar maçãs com mel, acender vela, escrever sobre fitas de cetim ou até mesmo colocar o nome do pretendente no congelador. Não é só de Santo Antônio que vivem as simpatias de amor, feitas, principalmente, neste mês de junho. Apesar de ele ser o mais solicitado quando a coisa aperta, há muitas outras simpatias que prometem melhorar um relacionamento, trazer um grande amor e preservar aquele que já tenha. Para especialistas, mal não faz e quem se aventura a fazer um ritual pode ter como benefício a baixa na ansiedade, sensação de segurança e até melhora na autoestima. Porém, se apegar a isso como o único jeito de encontrar o certo alguém pode trazer problemas psicológicos e uma vida frustrante.

Por via das dúvidas, a universitária Ana Priscila Modesto Monteiro, de 26 anos, afirma que o melhor é tentar. Quando mais jovem, já amarrou Santo Antônio de cabeça para baixo, escondeu no guarda-roupa, além de outras torturas. Mas, misteriosamente, algo ocorria. “Lembro que deixei o santo dentro de um copo d’água por 12 dias e, quando fui tirar, ele tinha desaparecido”, conta. Além do santo, ela já tentou também colocar o nome dos pretendentes em um papel e passou mel. “Nunca consegui o que queria”, revela, dizendo que há um ano está namorando sério e conseguiu encontrar esse amor sem recorrer às simpatias. “Foi o destino que nos juntou. Mas acredito que as pessoas devam tentar as simpatias e não desistir”, aconselha.

Já Jéssica Rodrigues, de 24, aposta no poder do sobrenatural. Desde muito nova, aprendeu com sua família que rituais podiam mesmo mudar destinos. Tanto é que, quando conheceu seu namorado, Diego, de 30, logo na paquera recorreu às simpatias: escreveu o nome dele em um papel cartolina rosa e acendeu uma vela. “Quando escrevia, mentalizava boas energias. Coloquei o papel embaixo de uma vela acesa, até ela acabar. Abri uma maçã e coloquei o papel dentro. Pus a fruta em uma vasilha e joguei mel, pensando em um amor doce. Deixei sete dias e depois joguei fora”, conta, dizendo que essa simpatia ajuda o outro a pensar em você durante todo o dia. “Deu certo, tanto que estamos juntos há três anos”, afirma, contando que, quando a relação está tensa, geralmente escreve o nome de Diego em um papel e coloca no congelador. “No outro dia, não há mais briga entre nós”, diz, apostando que tudo aquilo que é feito para o amor e para o bem é válido. 

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Para a professora de psicologia do Centro Universitário UNA Simone Francisca de Oliveira, todo ser humano tem a necessidade de um pensamento mágico. “Seja por meio de uma oração ou de uma simpatia, ele acredita que pode resolver as coisas do dia a dia com essa força extra”, explica. Para ela, o importante é as pessoas não ficarem pensando que só isso vá resolver seus problemas. “Tem que ter atitude. Por um lado, o sobrenatural pode melhorar a autoestima, dar mais segurança e conectar a pessoa com sentimentos bons, mas a pessoa tem que fazer por onde. O grande problema dessas simpatias é que, caso elas não funcionem no tempo que se planejou, podem gerar frustrações e uma disputa da pessoa com o poder invisível”, alerta.

O sociólogo Juracy Costa Amaral diz que em muitos casos pode haver uma possibilidade doentia. “Quando a pessoa que tem isso como obsessão tira de si a condição crítica. Quando algo coincide com aquilo que ela pediu na simpatia, fortalece a crença e passa isso para outra pessoa.”

PARA SE LIVRAR 

Segundo o esotérico Daniel Atalla, 50% dependem da fé e outros 50% da pessoa que a pratica. Ele ensina àqueles que, por ventura, foram alvo de simpatias negativas a dispensá-las. “Para retirar qualquer tipo de energia de você é muito simples e fácil. Escolha a primeira ou a última sexta-feira do mês e acenda uma vela branca sobre um espelho circular. Peça, com fé, que qualquer energia negativa não te atinja. Espere a vela queimar”, ensina.

SIMPATIAS

A quem busca um amor
Na manhã do dia 13, acenda uma vela cor de rosa e um incenso de verbena, junto a um copo com água, coloque em frente à imagem de Santo Antônio e determine que ele atraia um amor para sua vida. Ao terminar a vela e o incenso, despeje a água do copo num vaso com 13 rosas vermelhas. Se necessário, você pode colocar mais água no vaso para o bem das flores. Depois, em cada rosa pingue uma gota de mel. Peça ao Santo para lhe trazer o amor até o período de um ano. Ao encontrar a “alma gêmea”, acenda 13 velas na mesma cor indicada ou brancas, no Dia do Santo, em uma igreja de sua preferência. Isso ainda irá
aumentar as chances de se casar o mais breve possível.

Para harmonia entre casais
Uma maneira de ter uma força de Santo Antônio para a harmonia entre o casal é ter um relicário do santo em sua casa. Ele sempre estará intercedendo junto ao seu amor. Agora, se você quer fortificar a harmonia e ter a ajuda imediata do santo, faça este ritual dentro do mês de junho. Pegue três velas, uma da cor vermelha e as outras das cores azul e rosa. Unte-as com essência de verbena, enquanto ora pelos anjos da guarda. Fixe-as em um prato branco, formando um triângulo. Coloque uma taça com água e dois quartzos rosas no centro do triângulo. Acende as três velas, mentalizando a harmonia entre o casal. Tome cuidado com a proximidade das velas junto à taça, para que as chamas não causem um acidente. Quando as velas terminarem, despeje a água em uma planta da casa, pedindo a evolução do amor e guarde os cristais em sua gaveta de roupas íntimas. Sempre que quiser ativar a harmonia entre vocês, repita o ritual. Algo importante dentro de um ritual de harmonia é explicar que ele sempre agirá para o bem de todos e, se um dia a relação de vocês tiver que terminar, isso ocorrerá e você estará em direção à um caminho melhor. Nesta hora, é necessário deixar as pedras no pé de uma árvore e agradecer a mãe natureza por aquele estágio de sua vida.

 

Fonte: O Estado de Minas

 

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