Solto antes da hora, tenente suspeito de matar lutador de MMA já é foragido da justiça

Vale salientar que o tenente Iranildo Felix não poderia ser solto no dia de hoje, pois sua prisão temporária só expiraria à meia noite dessa quinta

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Por um inacreditável erro de cálculo da Polícia Militar, o tenente Iranildo Fêlix, principal suspeito da morte do lutador de MMA Luiz de França, de 25 anos, ocorrida no dia 10 de fevereiro quando o mesmo estava saindo da academia onde era professor, foi solto na madrugada desta quinta-feira (22) do quartel do Comando Geral da PM. Mas, na verdade, o prazo da prisão temporária se expiraria apenas na madrugada desta sexta-feira (23).

“O que aconteceu foi uma interpretação errada do prazo da prisão temporária. Ele teve uma primeira prisão de 30 dias. Depois de mais 30. Fizemos o cálculo e acreditávamos que ele deveria ser solto nesta quinta. Porém, a Polícia Civil entrou em contato conosco e disse que esse prazo se encerraria apenas na sexta-feira”, afirmou o coronel Francisco Araújo, comandante geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte.

Ainda segundo Araújo, depois do contato da Polícia Civil, diligências do setor de inteligência da PM foram deslocadas para a casa do Iranildo, que fica no bairro de Candelária, Zona Sul de Natal. “Quando as viaturas chegaram na casa do Iranildo, ele estava saindo de casa. Os policiais informaram que ele deveria voltar para a prisão, pois o prazo só acabava na sexta-feira. Ele se negou, disse que só voltaria com um mandado de prisão e fugiu em um carro tipo Clio de cor prata. Os policiais ainda seguiram ele, mas até agora não conseguiram capturá-lo”, explicou.

Ao saber da liberação de Iranildo, a Polícia Civil divulgou uma nota na qual disse que o tenente agora é considerado foragido. “O tenente da Polícia Militar Iranildo Félix de Sousa, solto nesta quinta-feira (22), já está sendo procurado novamente pela Polícia Civil. Ele teve hoje a prisão temporária convertida para prisão preventiva. Neste momento, equipes da Divisão Especial de Investigação e de Combate ao Crime Organizado (Deicor) estão em diligências para prender o tenente, principal suspeito de matar o professor de musculação e lutador de MMA Luiz de França Trindade, de 25 anos, crime ocorrido no último mês de fevereiro. Vale salientar que o tenente Iranildo Felix não poderia ser solto no dia de hoje, pois sua prisão temporária só expiraria à meia noite desta quinta. Além disso, já havia sido decretada a sua prisão preventiva. Iranildo Félix foi visto em fuga num veículo Clio de cor prata. Quem tiver informações sobre o paradeiro do acusado ligar para o telefone (84) 3232-2810“.

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“Até agora esse mandado de prisão ainda não chegou na PM, mas a Polícia Civil disse que irá enviar até o início da tarde. Ainda assim, como a prisão preventiva dele ainda não acabou, ele é considerado foragido e estamos fazendo diligências para encontrá-lo”. Até o fechamento desta edição o tenente ainda não tinha sido capturado.

Além do mandado contra o tenente, a juíza Gabriella Edvanda Marques Félix de Oliveira, da 3ª Vara Criminal, também converteu a prisão temporária em preventiva contra o soldado da PM Moisés Gonçalo do Nascimento, de 41 anos, que é suspeito de ter ajudado Iranildo pilotando a motocicleta que foi usada na fuga após o assassinato de Luiz de França. O soldado é lotado na Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) e, assim como Iranildo, também nega envolvimento no crime.

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Suspeitos por crime tinham lista com nomes de dois delegados para matar

No último dia seis de maio, os delegados Danielle Filgueira e Silvio Fernando, que são os responsáveis pelas investigações do assassinato de Luiz de França, afirmaram ter sido ameaçados por Iranildo Fêlix e Moisés Gonçalo. “O Moisés tinha fotos minha na celular dele, que ficava passando para o Iranildo. Outros policiais vieram me avisar para tomar cuidado, falando que eu estava correndo perigo, que o Moisés não era profissional, que ele estava se sentindo perseguido por mim. O caso foi passado para o Ministério Público, que determinou que realmente estava acontecendo uma ameaça velada contra a minha pessoa. Outro policial também foi ameaçado por ele”, frisou Danielle, que é lotada na Divisão Especializada de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) “O meu nome estava em uma lista encontrada na casa do Iranildo quando ele foi preso no início de abril. O meu nome era o sexto da lista para ser assassinado”, contou o delegado Silvio Fernando, titular da 11ª DP.

Nesse mesmo dia Danielle afirmou que, apesar do inquérito não ter sido entregue, as investigações estavam finalizadas e os dois realmente foram os responsáveis pela morte de Luiz de França. “O Iranildo foi onde o Moisés trabalhava, na Rocam, e lá conversou com ele sobre a situação. Na segunda pela manhã, o Moisés foi pegar o Iranildo em casa e os dois passaram no 3º Batalhão da Polícia Militar, que fica cerca de uns 200 metros da academia onde a vítima trabalhava. De lá eles foram executar o Luiz de França. O Iranildo desceu da moto e começou a atirar contra a vítima, que morreu na hora”.

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