Som de Monk

Que Thelonious Monk foi um pianista revolucionário e original, meio mundo do jazz já sabe. Natural da Carolina do Norte…

Que Thelonious Monk foi um pianista revolucionário e original, meio mundo do jazz já sabe. Natural da Carolina do Norte e radicado em Nova York, ele surgiu na época do bep bop, subgênero que acumulava o maior número de notas possíveis, como o maior amigo do silêncio e da economia nos acordes, jogando fora a técnica ‘oficial’. Depois de uma década anterior de experiências, ele finalmente estourou no final dos 50s, e teve a consagração ao ilustrar a capa da revista Time, a Veja americana, em 1964 (até então, só Duke Ellington e Dave Brubeck tiveram o mesmo destaque).

Agora o selo Blue Note joga no mercado uma apresentação histórica na televisão francesa, em 1969. Com CD e DVD, “Thelonious Monk, Paris 1969”, o pacote mostra um pianista com 52 anos e esgotado física e emocionalmente. Ele tinha fracassado no projeto da Columbia Records de transformá-lo em ícone jazzístico da Geração Paz e Amor e seus principais músicos tinham abandonado o barco, dias antes dessa turnê pela Europa. Assim, ele pegou dois jovens e arriscou tudo: o baterista Nate Hygelund e o baixista Paris Wright, de apenas 17 anos de idade – conseguiu manter seu antigo saxofonista Charlie Rouse.

Com esse quarteto Monk registrou um dos principais momentos de sua carreira, encerrada no final dos 70s – morreu em 1982 com uma doença mental cujo diagnóstico é desconhecido; a versão corrente fala que, pelo estilo hipster, ele abusou das drogas durante anos, o que teria destruído seu sistema neurológico. Ele passou os últimos seis anos de vida deprimido no apartamento de uma antiga patrocinadora. E aí parte da crítica que nunca o acolheu, mudou de opinião e se aprofundou em sua obra para descobrir um dos acervos mais interessantes do jazz – as sessões de LSD e peiote com Timothy Leary cobraram um alto preço.

Improviso e poucas notas eram os carros-chefes dessa turma. Alguns de seus standards, como “Ruby, My Dear” e “Epistrophy”, fazem parte deste “Paris 1969”. No DVD, tem uma entrevista com o crítico francês Jacques B. Hess, em que Monk o deixa meio chateado, sem querer comentar os cinquenta anos que Charlie Parker teria completado naquele ano, caso estivesse vivo. “Mostrei-lhe os acordes de um monte de minhas músicas”, foi a resposta seca. No Youtube você encontra fragmentos do show desse monstro de toque e fraseado inconfundíveis. Já o preço cobrado pelo Amazon é para estremecer a concorrência.

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