Sucateamento: Falta até colher para as refeições na Maternidade das Quintas

Infiltrações na estrutura e falta de medicamentos também é rotina

Maternidade-das-Quintas--HD

A falta de uma estrutura adequada na Maternidade das Quintas tem piorado cada vez mais o atendimento na unidade. Na manhã desta última terça-feira (6), os servidores que chegaram para o plantão se depararam novamente com um problema já recorrente: a falta de água.

A situação foi normalizada pelo remanejamento de um equipamento da Maternidade do bairro de Felipe Camarão, zona Oeste de Natal. O técnico em enfermagem, Eugênio Paecelli, afirma que a situação da falta de água não é o único problema da maternidade. “Falta material de limpeza, equipamentos, manutenção e até papel higiênico. Tentamos fazer um atendimento digno a população, mas ainda fica a desejar pela estrutura precária. Os vasos sanitários não têm tampa, o que pode causar infecções. A bomba que abastece a maternidade das Quintas é a mesma utilizada na unidade de Felipe Camarão. O equipamento passa o dia no bairro de Felipe Camarão e a noite aqui para poder da conta” denunciou.

Na manhã desta quarta-feira, 7, a Central de Materiais da Maternidade foi encontrada cheia de água, decorrentes de infiltrações no prédio. O berçário da unidade está sem máquina para fototerapia, pois o equipamento encontrasse quebrado. “Faltam também muitos medicamentos no local e a carência de material para trabalho é constante” afirmou Célia Dantas, diretora do Sindicato dos Servidores da Saúde do RN (Sindsaúde-RN).

“Aqui está havendo uma superlotação. Não temos condições de atender a população como merece. Estamos em greve, mas mesmo assim servidores ainda permanecem trabalhando no local, para não agravar ainda mais o atendimento na maternidade” disse Célia Dantas.

O centro cirúrgico da maternidade, diariamente realiza de oito a 10 partos por dia, com dois técnicos em enfermagem fazendo revezamento entre cada procedimento. “Ficamos preocupados também com a forma de como se está fazendo a desinfecção da sala. Isso que dizer que a limpeza necessária está sendo feita mais rápida, o que prejudica as mulheres que utilizam as estruturas, que podem ser acometidas por infecções” afirmou a diretora do Sindsaúde.

Célia Dantas alerta que o poder público municipal e o Ministério Público do Estado já têm consciência do que vem ocorrendo na maternidade. “Entregamos fotos em agosto de 2013 mostrando a precariedade da estrutura da maternidade e seus inúmeros problemas. Esse mesmo relatório também foi entregue ao MP e 8 meses depois nada foi resolvido. A situação fica cada vez mais precária, quem sofre são os servidores e a população que tem que lidar com essa estrutura” afirmou.

O técnico de enfermagem Eugênio Paecelli afirma que para suprir a necessidade da unidade tem apenas quatro rolos de papel para cinco banheiros, sendo que cada banheiro atende 16 pessoas, em média. Já a empregada doméstica Márcia Miranda denuncia que na Maternidade os pacientes têm que comer sopa com garfos. “Aqui não tem colher para comer, eu tomo sopa com garfo e quando vamos pro banheiro para fazer a limpeza não tem como, por falta de papel. O atendimento é ótimo por parte dos funcionários, mas a estrutura não dá o mínimo de condições. A situação está difícil, o governo tem que dá apoio a população” disse.

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