Suecos

Suecos são admiráveis.  Representam um padrão  de dignidade cívica e simpatia esportiva. No dia da  final da Copa do Mundo…

Suecos são admiráveis.  Representam um padrão  de dignidade cívica e simpatia esportiva. No dia da  final da Copa do Mundo de 1958, o Estádio Rasunda Solna( Estocolmo) estava debaixo de tempestade e o gramado havia se transformado numa piscina.

Cenário tenebroso para o toque de bola artístico do Brasil e favorável aos donos da casa. Os suecos  preferiram bancar os bons anfitriões, secaram o campo com toalhas colocando água em baldes por horas e assistiram ao passeio de Pelé, Garrincha, Didi e Vavá. Foi 5×2 e eles aplaudiram o olé que tomaram.

Na próxima reencarnação – embora duvide que exista -, gostaria de voltar sueco. Loiro e atraente, belo e sedutor. Primeira vantagem. Seria famoso entre as mulheres num lugar onde o sexo é tratado na maior naturalidade. Garrincha tomava banho nu com suas namoradas e familiares em pequenas saunas domésticas. Costume local.

Na Suécia  se faz um bom cinema também e poderia estar escalado para um filme de suspense eletrizante. Tomaria o lugar de Daniel Craig, o novo 007, em Millenium, os Homens que Não Amavam as Mulheres, fascinante história de prender a atenção do primeiro ao último dos 178 minutos.

Os suecos vivem bem, obrigado e são sensatos. Acabam de recusar os Jogos Olímpicos de Inverno  de 2022. Todos os partidos políticos, que lá existem para debater e não se devorar verbalmente para se reconciliar impunemente depois, deram apoio ao primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt e ao prefeito de Estocolmo, Sten Nordin.

Três argumentos foram usados pelas autoridades sucessoras do time vice-campeão de 1958: Estocolmo tem prioridades mais importantes, a conta dos gastos para o evento seria alta demais e um eventual prejuízo com a organização dos Jogos teria que ser coberta com o dinheiro dos contribuintes. É sonho né? Parece.

Ainda mais quando a gente vislumbra as figuras de quem trouxe a Copa do Mundo, as arenas e as Olimpíadas de 2016  para o Brasil.

A decisão recebeu apoio unânime da sociedade local. O prefeito Sten Nordin foi aplaudido ao declarar em entrevista coletiva: “Não posso recomendar à Assembleia Municipal que dê prioridade à  realização de um evento olímpico. Precisamos priorizar outras necessidades, como a construção de mais moradias.” O custo estimado pelo Comitê Olímpico era de 10 bilhões de coroas suecas ou R$ 3,6 bilhões.

Na Suécia, houve pacto verdadeiro e, na   opção pelo mais importante, descartaram o supérfluo. O Partido Democrata Cristão foi ainda mais duro: “Apresentar uma candidatura aos Jogos Olímpicos seria especular demais com o dinheiro dos contribuintes.

Os riscos financeiros seriam demais,” foi a declaração oficial reforçada pelo primeiro-ministro: “O prejuízo, realmente, acaba no colo dos contribuintes”.

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No jogo do desenvolvimento, a Suécia é o Brasil  da Copa do Mundo de 1958 e dá de goleada no país das megalomanias e tragédias banalizadas.  A Suécia lidera o Índice de Progresso Social no Mundo, divulgado no ano passado e feito pela instituição Progress Interative com base em métodos simples e sem as tradicionais equações e palavreados esquisitos do economês. Avaliados 50 países, o Brasil ficou em 18º lugar.

A Suécia é campeã mundial em necessidades humanas básicas atendidas: nutrição e cuidados médicos, moradia, água, ar e saneamento. Ganha também em educação básica e superior, acesso à  informação e à tecnologia da comunicação, saúde e bem estar, igualdade e inclusão, liberdades e direitos individuais e no confronto crucial. É na segurança, onde também lidera com folga, que a Suécia está mais longe do Brasil. Lá, presídios são fechados por falta de bandido.

É uma diferença que causa espanto na atitude. Com tais requisitos, lideranças e sucessos econômicos e sociais, a Suécia, a 8ª no Índice de Desenvolvimento Humano(IDH) – o Brasil ostenta a impávida 85ª colocação – chega ao paraíso que os estudiosos chamam de “Felicidade Interna Bruta”.

É um fenômeno. O nosso é Ronaldo, o ex-artilheiro metido com cartolas manjados. A Suécia rejeitou as Olimpíadas de 2022 exatamente pelos índices que alcançou e, na prática, foram os criadores da consciência racional e refratária ao desperdício e ao contraditório da ostentação diante das necessidades.

No Brasil, inauguram-se arenas luxuosas em cidades sem hospitais e com cadáveres empilhados, assassinatos por segundo quadrado. É imitação um pouco menos ofensiva da África do Sul e o Mundial de 2010 sem legado fora o maravilhoso futebol da Espanha.

Câmara Cascudo, orgulho universal potiguar, que viajou o mundo, puxaria o cachimbo, renascido, daria uma tragada, de sua janela contemplaria o Rio Potengi e , teria razão , se deixasse escapar um sussurro ao sol poente: “O melhor do  Brasil é o Brasileiro,  que poderia de vez em quando  ser um sueco.”

 

Arena
Inaugurada, a Arena das Dunas ontem foi dos convidados. Alguns incluem no currículo e chateiam colunistas sociais e blogueiros pelos próximos 10 anos para descolar foto provando  que estiveram na cerimônia VIP. Com direito a castigo para entrar e briga feia pelos convites.

Rodada garantida
A rodada de domingo foi garantida pela Semurb e terá para os pagadores de ingressos e sócios-torcedores América x Confiança pela Copa do Nordeste e ABC x Alecrim pela Copa RN.

Arenga
O  ABC contra o Globo foi o que tem sido. Não uma bela Arena, mas uma Arenga, em A  maiúsculo, briga contínua e alarmante com a bola. Incrível quando não se pode dizer que ninguém, absolutamente ninguém com a camisa alvinegra, chegou a ser nota 3,5.

Globo
O Globo não é nenhuma Brastemp, mas mereceu a vitória e até poderia ter goleado. Mérito para seu técnico, o batalhador Higor César, ex-jogador de futebol de salão que sofreu acidente e dedicou-se primeiro a treinar times nas quadras e agora recebeu a confiança do cartola Marcone Barreto.

Calafrios
O sorriso mefistofélico do presidente da CBF, José Maria Marin causou calafrios em sua visita a Natal. Foi ele quem declarou que o jornalista Wladimir Herzog, assassinado pela Ditadura em 1975 , era um suicída.

Gol de Dinamite
Dia  23 de janeiro de 1977, o Brasil venceu a Bulgária por 1×0, gol de Roberto Dinamite no Morumbi(SP) diante de 67.908 pagantes. No time titular, Marinho Chagas na lateral e Lula na ponta-esquerda, crias do Estádio Juvenal Lamartine.

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