Suspeito de acender rojão tem 2 passagens por tráfico, diz polícia do Rio

Na tarde de segunda-feira, a família doou os órgãos, conforme pedido prévio do cinegrafista. Ainda não há informações sobre velório, e a família informou que Andrade será cremad

Caio Silva de Souza é morador da Baixada Fluminense, segundo a Polícia Civil. Ele não foi encontrado em seu endereço residencial até a tarde desta terça-feira. Agentes da 17ª DP (São Cristóvão) continuam realizando buscas para prender o jovem. Foto:Divulgação
Caio Silva de Souza é morador da Baixada Fluminense, segundo a Polícia Civil. Ele não foi encontrado em seu endereço residencial até a tarde desta terça-feira. Agentes da 17ª DP (São Cristóvão) continuam realizando buscas para prender o jovem. Foto:Divulgação

Caio Silva de Souza, identificado como o homem que acendeu o rojão que atingiu o cinegrafista da “Band” Santiago Ilídio Andrade, 49, na última quinta-feira (6), no Rio de Janeiro, tem duas passagens por tráfico de drogas nas delegacias de Mesquita (53ª DP) e de Comendador Soares (56ª DP), informou nesta terça-feira (11) a Polícia Civil.

Souza não foi indiciado porque os inquéritos abertos nos dois distritos não confirmaram as suspeitas envolvendo o jovem. Além das passagens por tráfico, o foragido da Justiça, há um mandado de prisão contra ele pela morte de Santiago, teve seu nome citado em outros dois boletins de ocorrência, ambos registrados após manifestações no Rio.

Em um deles, Souza é suspeito de ter cometido crime de menor potencial ofensivo, a Polícia Civil não deu detalhes sobre a ocorrência. Já no segundo boletim, o jovem é citado como vítima de agressão.

Após quatro dias internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), Santiago teve morte encefálica na manhã de segunda-feira (10), no Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.

Mesmo após a neurocirurgia para estancar o sangramento e estabilizar a pressão intracraniana, Andrade ficou com mais de 90% do cérebro sem irrigação sanguínea. A mulher dele, Arlita, esteve no hospital durante todo o dia, mas não falou com a imprensa.

Na tarde de segunda-feira, a família doou os órgãos, conforme pedido prévio do cinegrafista. Ainda não há informações sobre velório, e a família informou que Andrade será cremado.

Durante todo o dia, o clima na porta do hospital foi de comoção e tristeza. À noite, a emissora realizou uma missa na Igreja Santa Cecília, em Botafogo, em memória do cinegrafista.

Colegas da Band afirmaram que o clima na empresa era de tristeza e revolta. Amigo de Andrade desde que ele começou na emissora, em julho de 2004, um funcionário que preferiu não se identificar contou que o cinegrafista estava em outra cobertura e foi escalado para filmar a manifestação depois do seu horário.

Acompanhado por uma repórter que foi buscar o carro quando Andrade foi atingido, a equipe ficaria poucos minutos no local. “Eles foram gravar algumas imagens. Ele estava completamente sozinho e não tinha como se defender. Se estivesse com um auxiliar de câmera, talvez a tragédia não tivesse acontecido, porque daria tempo de avisado”, disse.

Emoção

No Facebook, a filha do cinegrafista, a jornalista Vanessa Andrade, 29, escreveu uma declaração emocionada pouco depois de saber sobre a morte do pai. Ela contou alguns momentos marcantes que viveu com Andrade, desde a infância até a despedida.

“Esta noite (ontem) eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e de meus avós”.

Em sua página pessoal, ela recebeu o apoio e o carinho de amigos, familiares e até desconhecidos. Nas redes sociais, o clima era de indignação e inconformismo pela morte do cinegrafista. Em entrevista à “TV Globo”, após deixar o hospital no domingo (9), Arlita afirmou que ao visitar o marido sentiu “que ele não estava nem mais lá”.

Ela contou que, na quinta-feira à noite, ligou para o marido e foi atendida por outro cinegrafista que relatou a tragédia. “Achei que não tinha entendido e falei: ele foi fazer alguma matéria sobre alguém que levou uma bomba? A pessoa falou: Não, foi ele mesmo”, lembrou.

Dilma

A presidente Dilma Rousseff determinou à Polícia Federal que apoie as investigações para que as “punições cabíveis” sejam aplicadas aos culpados pela morte do cinegrafista. Por meio de sua conta no Twitter, ela comentou o episódio em uma série de cinco posts. Em um deles, disse que o caso “revolta e entristece” o país.

À noite, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, também prestou “solidariedade à família desse nosso companheiro, que foi assassinado no Rio de Janeiro”. Ele acrescentou que o governo espera manifestações “maduras e pacíficas” durante a Copa do Mundo.

Fonte:UOL

Compartilhar:
    Publicidade