Suspensão da queima de fogos em Ponta Negra desanima comerciantes

Hotéis, pousadas e comerciantes tentam se adequar para não perder hóspedes e clientes

Obras de urbanização e de enrocamento de Ponta Negra foram principais motivos para o cancelamento da queima de fogos no maior cartão postal do Estado. Foto: José Aldenir
Obras de urbanização e de enrocamento de Ponta Negra foram principais motivos para o cancelamento da queima de fogos no maior cartão postal do Estado. Foto: José Aldenir

Carolina Souza
acw.souza@gmail.com

Mais um ano que o maior cartão postal do Rio Grande do Norte, a praia de Ponta Negra, passará a virada do ano sem o brilho tradicional do réveillon. O show pirotécnico, confirmado pela Prefeitura de Natal, foi suspenso e milhares de turistas e moradores de Natal terão que se contentar apenas com a queima de fogos a ser realizada na Ponte Newton Navarro. Quem fez reservas em hotéis, pousadas ou restaurantes, e esperavam pela celebração pública em Ponta Negra, agora ficará sem o famoso som e imagens que remetem ao ‘Feliz Ano Novo’.

Se a suspensão da queima de fogos é uma notícia ruim para a população, pior ainda é para empresários e comerciantes que se programaram conforme programação anunciada pela Prefeitura de Natal. O jornalista Ailton Medeiros é um das pessoas que está sentindo o peso no bolso. Ele, que estava organizando uma festa de réveillon no Mercado de Ponta Negra, hoje se vê diante de reservas canceladas.

“Se eu fosse cancelar a festa por completa, o prejuízo seria maior. O jeito é lidar com as perdas provocadas. Apesar de nós termos adquirido nossos próprios fogos de artifício, não dá para se comparar à imensidão do evento que seria proporcionado pela Prefeitura”, disse. “Nós tínhamos 30 reservas fechadas, mas 22 delas foram canceladas em função da suspensão do show pirotécnico na praia”, afirmou Ailton Medeiros.

“O que eu não consigo entender é o motivo desse abandono de Carlos Eduardo por Ponta Negra, nosso principal cartão postal. Vivemos em uma cidade onde a principal atividade econômica é o turismo e Carlos Eduardo não se importa com isso”, criticou.

Jorge Luiz Bezerra, gerente de uma pousada em Ponta Negra, também não se mostrou satisfeito com o réveillon. Apesar de não ter sofrido nenhum cancelamento de reserva, ele alega que os hóspedes que já estão em Natal se mostram entristecidos. “O pior é que nós não podemos fazer nada. Além dos fogos de artifício ser um material de alto custo, é preciso planejamento para que haja com antecedência uma vistoria no estabelecimento e liberação pelo Corpo de Bombeiros, afinal estamos falando de explosivos”, destacou.

A gerente de vendas de um grande hotel em Natal, Aretuza Guerra, disse que para eles não haverá muito prejuízo. “Nós teremos a nossa festa privada, com direito a shows e buffet. Estávamos dependendo também dessa queima de fogos da Prefeitura, mas não foi algo que estava sendo anunciado por nós”, afirmou.

“É claro que as pessoas gostam de ver fogos, é tradição no réveillon. Inclusive alguns hóspedes nos perguntaram se haverá queima de fogos. Não recebemos nenhuma reclamação, mas ainda pretendemos fazer o nosso show à parte. Não sei se teremos tempo”, disse Aretuza Guerra.

Os comerciantes que costumam trabalhar à beira-mar de Ponta Negra analisam a situação como falta de vontade política. Sérgio Luiz Antônio, que trabalha há 14 anos na praia, disse que já não conta com o réveillon para aumentar o orçamento no final de ano.

“O ano passado foi a mesma conversa. Cancelaram a queima de fogos por questões de segurança e orçamento. Isso é vergonhoso. Será que uma cidade como Natal não tem dinheiro em caixa para fazer essa queima de fogos? Quanto aos acessos à praia, tudo pode ser feito.

Apesar das pedras que atrapalham a decida para a beira-mar, podia ser colocado rampas e escadas firmes por toda a orla”, desabafou o comerciante.

Com 36 anos de praia, João Maria, conhecido como Maradona, afirmou que tudo não passa de uma estratégia. “A Prefeitura faz toda a divulgação, faz com que as pessoas se programem e, nas vésperas, cancela tudo. Os turistas que estão na cidade certamente não conseguirão se organizar de última hora. Acabam ficando aqui de todo jeito”, afirmou.

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