“Sustentar candidatura de Rosalba Ciarlini é um desgaste politico para o DEM”, garante cientista

Para cientista político, divisão no Democratas é visível e Agripino busca é garantir reeleição dele em 2018

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Alex Viana

Repórter de Política

O cientista político Antonio Spinelli afirma que, para o DEM, sustentar a candidatura da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) à reeleição representaria um desgaste político a mais para o partido presidido nacionalmente pelo senador José Agripino Maia, que adotou, nacionalmente, para estas eleições de 2014, estratégia de priorizar as chapas proporcionais. Por outro lado, a disputa interna, como a prevista para esta segunda-feira, quando o partido irá decidir pela candidatura própria ou pela aliança proporcional, termina criando uma cisão interna na legenda, prejudicial ao DEM no Rio Grande do Norte.

“Para o DEM sustentar a candidatura de Rosalba representaria um desgaste político a mais. É claro que isso cria uma cisão interna no interior do partido. Tem aí claramente uma ala agripinista e outra rosalbista. Nesse processo, eu vejo que o projeto politico pessoal do senador tem peso importante. Acho que a prioridade é garantir, desde já, a reeleição dele em 2018. Acho que o projeto é sustentado por isso, a reeleição, o que lhe daria mais oito anos de mandato no Senado, e provavelmente seria o coroamento da trajetória política e garantiria reeleição do seu filho Felipe Maia Já na eleição de 2014″, analisa.

Segundo Spinelli, este projeto de Agripino coincidiria, por sua vez, de certa forma, com a proposta do PMDB, particularmente dos primos Henrique Eduardo Alves e Garibaldi Filho, de viabilizar a eleição de Henrique para o governo do Estado, e garantir, também, a reeleição de Garibaldi em 2018 ao Senado, além de alavancar candidaturas dos herdeiros agora já em 2014, dos deputados e vereadores do partido e da família em particular.

“É uma composição que vislumbra o seguinte: 2018, se Wilma for eleita, o que não é certo, porque ela vai enfrentar uma candidatura bastante competitiva, da deputada Fátima, uma candidata que vai disputar com ela voto a voto, mas Wilma, em sendo eleita, daria apenas continuidade ao mandato, não seria candidata em 2018. Com isso, o espaço estaria aberto para apresentar as candiaturas de Agripino e Garibaldi o Senado. Portanto, vejo aí a estratégia política de duas familias, tradicionais na história política do Estado, e com isso elabora um caminho para se preservar no poder, e garantir a sucessão hereditária, o lugar dos herdeiros”, analisou.

Na visão do cientista político, a essa altura, Agripino, Garibaldi e Henrique, até por uma questão de idade, estariam preocupados em preparar os herdeiros para assumirem os seus lugares. “Trata-se de uma estratégia que tem um componente pessoal e familiar muito forte. Falta, como diria Garrincha, acertar com os russos. Ou seja, com o eleitor. É preciso saber se o eleitor vai dar respaldo a essas pretensões. Afinal, em última análise ele define”.

FORÇA

Spinelli destaca, porém, a força da coligação que está sendo formada em torno do palanque de Henrique e Wilma com os apoios de Garibaldi e Agripino. “Certamente a coligação é forte, vai ter muito espaço, tempo de tv, grandes apoios financeiros, de grandes empresas que tradicionalmente financiam campanhas, grandes bancos. São candidaturas que vão receber apoio financeiro forte, e apoio midiático forte. Afinal, são também proprietários de grandes veículos de comunicação e contam mesmo com apoio da grande mídia nacional, sempre disposta a apoiar candidaturas que atendam aos interesses do grande empresariado e do capital”

Conforme Spinelli, há muito tempo que o DEM não apresenta candidaturas majoritárias, seja no plano nacional, onde sempre tem se associado a candidaturas do PSDB, apoiou sistematicamente candidatuaras do PSDB, e mesmo no plano estadual. “Em poucos estados o DEM tem demonstrado capital político para apresentar candidaturas governamentais ao governo do Estado. E vem numa trajetória declinante, a bancada na Câmara Federal e no Senado tem declinado a cada eleição. É uma tendência, não é algo que se diga perdeu numa eleição recuperou-se na outra. Constamente o DEM vem perdendo cadeiras na representação da Câmara e do Senado. E depois houve aquela sangria com dissidência do Kassab, que criou um novo partido, o PSD”, afirmou.

Por isso, a não candidatura de Rosalba à reeleição, e a consequente priorização à chapa proporcional, na sua avaliação, fariam parte de uma estratégia, uma vez que o partido, para ter tempo de tv e recursos do fundo partidário, depende de uma boa bancada de deputados federais. “Então o DEM resolve adotar, nessa eleição, a estratégia, a diretriz nacional, de privilegiar eleições proporcionais como forma de recuperar, em parte, o espaço perdido. Isso se reflete no plano estadual, essa prioridade a proporcional, e, ao mesmo tempo, se combina com o fato de a governadora está numa situação de desgaste político muito grande.

Talvez a governadora e o seu grupo político tenham apostado na possibilidade de recuperação do governo nesse último ano, mas, como está se vendo, isso é praticamente impossível. Afinal, trata-se de uma administração que ao longo de todos esses anos teve avaliação negativa, não conseguiu dar respostas ao eleitorado, que não conseguiu cumprir promessas, que, enfim, foi um verdadeiro caos administrativo e político, porque perdeu apoios políticos, e teve conflitos com outros os poderes que não foram bem encaminhados”, finalizou.

Vivaldo diz que presença de Rosalba na disputa muda quadro sucessório

O deputado Vivaldo Costa, do PROS, entende que a eleição deste ano para o Governo do Estado poderá ser decidida no 1º turno, caso a governadora Rosalba Ciarlini, do DEM, não participe do processo como candidata à reeleição. “Não se pode subestimar o potencial eleitoral da governadora”, disse Vivaldo Costa, acreditando que se Rosalba entrar na campanha “muda tudo”, mesmo assim, lembra que a candidatura do deputado Henrique Eduardo, do PMDB, é a que reúne o maior número de partidos, portanto, terá maior potencial eleitoral.

Vivaldo Costa, que já foi vice-governador, governador e prefeito de Caicó, ressalta a união das principais lideranças políticas do Estado, entre elas, Garibaldi Filho, Wilma de Faria e Henrique Eduardo, como fundamentais para conseguir o sucesso eleitoral nas urnas do próximo mês de outubro. Ele destaca também, a participação do deputado João Maia como fator agregador, já que o parlamentar é detentor de uma grande liderança no Estado, principalmente no Seridó, região que ele considera de um povo bairrista.

E exemplifica: “Em 1990, José Agripino elegeu-se governador com 47 mil votos de maioria, dos quais, 27 mil foram do Seridó porque tinha Vivaldo Costa, filho do Seridó, na condição de candidato a vice-governador”. Sobre o índice de rejeição do deputado Henrique Eduardo, Vivando Costa, minimiza: “Essa rejeição vai desaparecer com a conscientização do povo de que Henrique é importante para o Estado nesse momento, pelo seu prestígio e o que ele poderá fazer em benefício do Rio Grande do Norte”.

Pré-candidato à reeleição, o deputado Vivaldo Costa, não vê problemas em Caicó ter dois palanques apoiando Henrique Eduardo. O próprio presidente do PMDB local, vereador Raimundo Inácio, conhecido popularmente por Lobão, afirmou que Vivaldo Costa não subirá no palanque do seu partido. “Em Caicó, voltou a época das duas Arenas, verde e vermelha, com adversários locais votando nos mesmos candidato, Henrique Eduardo e Wilma de Faria”, observa, acrescentando que o candidato do PMDB reúne um grande número de prefeitos, que aliados ao sistema político liderado pela vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, potencializa o candidato peemedebista. “Carlos Lacerda chamava isso de Frente Ampla”, compara o deputado seridoense. (JP)

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