Tamanho de elefante

Faltam exatos 50 dias para o início da Série B do Campeonato Brasileiro, o ABC vive uma crise cuja solução…

Faltam exatos 50 dias para o início da Série B do Campeonato Brasileiro, o ABC vive uma crise cuja solução para obra de folclore. Todo mundo conta, mas ninguém consegue ver, de fato, ela por perto. A cada novo incidente, o clube mostra a imperícia na gestão e o quanto a falta de planejamento pautado na realidade do clube, não aquela que passa na cabeça dos dirigentes, pode devastar uma agremiação que iniciou a década com cara de profissionalização.

No Alvinegro, a falta de organização no clube elevou a dívida a mais de R$ 2 milhões, entre salários atrasados, fornecedores, passivos trabalhistas e outras questões. Não apenas isso, acabou por derrubar metade do elenco, o ex-técnico Givanildo Oliveira e, agora, o superintendente de futebol Gustavo Mendes que teria pedido para sair devido a “mudança de rumo” sofrida pelo clube nesses primeiros meses na temporada de 2013.

Ao que pode ser visto do lado de fora dos bastidores, não parece apenas uma mudança de trajeto no planejamento, mas um verdadeiro descarrilamento do trem abecedista que não consegue seguir sua jornada no ano sem repetidos e longos solavancos. O pior para o torcedor Alvinegro, é que, com a proximidade da Segunda Divisão, a esperança de uma boa campanha se torna uma obra de ficção que sequer terá espaço para ser apresentada, tamanha a irregularidade no rendimento da equipe dentro de campo, e do clube, fora dele.

Mas os efeitos da crise podem, desde já, alcançar a próxima temporada sem dó o qualquer piedade. Enquanto para 2013, o Alvinegro garantiu um calendário cheio, com várias competições, um atrativo sem tamanho no momento de formar elenco e atrair patrocínios, para o próximo ano, o ABC está ameaçado de disputar apenas o Campeonato Estadual e o Brasileiro, ou seja, a participação em competições rentáveis como a Copa do Brasil e a Copa do Nordeste.

Ao contrário de outros clubes, o tempo para o Mais Querido não passa, voa. Trafega a uma velocidade absurdamente incompreensível, tanto quanto a postura de passividade dos dirigentes que têm se preocupado, aparentemente, em tentar varrer a crise para debaixo do tapete. Sem os resultados dentro de campo para minimizar a situação, o carpete se mostra cada vez mais curto para a dimensão do problema e a poeira já começa a escapar de seu esconderijo e revelar uma crise do tamanho de um elefante. E o pior, cada vez mais, longe de estar ameaçado de extinção.

Caixa preta

A coisa tá preta para o ABC. O patrocínio da Caixa Econômica, cuja assinatura está prevista para o início do mês, segue sem data para ser concretizado segundo informações do próprio Alvinegro. No clube, uma das justificativas para a crise na qual se meteu é justamente a ausência do apoio financeiro do banco federal que era dado como certo no início da temporada, mas que ainda não aportou nos cofres potiguares. O valor do patrocínio ultrapassar os R$ 2,2 milhões. O próprio América também passou pelo problema, mas a venda do jogador Isac acabou concretizada e amenizou a situação rubra.

Isac de Ouro

E o centroavante Isac, segundo informações do presidente Alex Padang, valeu uma nota preta ao América. O jogador, vendido há mais de dois meses para o futebol asiático, rendeu ao cofre americano o valor de R$ 780 mil, números equivalentes a pouco mais de três folhas salariais do elenco rubro. Bom para o América que deu um ponta pé na crise que ameaçava fazer do clube sua morada no início do ano

Forrozeiro

Ainda sobre o América, o atacante Gláucio, de 19 anos, foi o autor do gol da vitória sobre o Corintians de Caicó, na partida da última quarta-feira, na estreia do clube da Copa Cidade do Natal. Mais do que valer os três pontos, o gol foi o primeiro dele como atleta profissional. O jovem atacante foi artilheiro do Campeonato Potiguar sub-18 do ano passado e campeão da categoria sub 20 com o Alvirrubro. Para comemorar, depois de uma prece a Deus, mandou um forrozinho.

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