Tchau, 2013

Há tempos não acontecia tanta coisa em um ano só. Difícil relembrar uma temporada tão movimentada em todos os seus…

Há tempos não acontecia tanta coisa em um ano só. Difícil relembrar uma temporada tão movimentada em todos os seus setores quanto foi 2013, seja no noticiário internacional, brasileiro ou mesmo nas páginas da imprensa potiguar.

A renúncia do papa Bento XVI foi tão surpreendente quanto a escolha do seu sucessor. Agora, além do melhor jogador do mundo, a Argentina também tem o líder da igreja religiosa, o papa Francisco, retrato de humildade e de carisma, características tão escassas do catolicismo moderno.

Pela primeira vez na história, as espionagens do serviço secreto americano vieram à tona. E, pasmem, envolviam justamente o Brasil. No foco do binóculo de Barack Obama, os negócios da Petrobras. A presidente Dilma Rousseff cobrou respostas, mas parece ter se contentado com alguns sorrisos e apertos de mão.

O mundo perdeu Nelson Mandela. Líder até a sua morte, o ex-presidente da África do Sul deixou ensinamentos que, certamente, jamais se apagarão. Considerado, por muitos, como o principal nome do século 20, ainda não tem um sucessor em todo o planeta. Vai fazer falta.
No esporte, destaque para o ressurgimento da seleção brasileira, campeã de novo da Copa das Confederações. Mas, agora, jogando sob os olhos de sua torcida, naquele clima só sentido pelos apaixonados por futebol. Se com a amarelinha nosso esporte preferido foi motivo de orgulho, nos gramados dos nossos mais tradicionais clubes, jamais se brigou tanto entre as torcidas. Vergonha.

Porém, nada chamou mais a atenção do que os protestos de junho. Por todos os Estados, milhares de pessoas foram às ruas, cansados de tudo e de todos. Não havia liderança, mas apenas a vontade de mudar o país. Cada um levava seu cartaz, sua reivindicação e sua insatisfação com a dura realidade daquela que parece condenada a ser eternamente a nação do futuro.

Na economia, todos os holofotes se voltaram para o preço do tomate. A inflação voltou a assustar, embora o governo mantenha a postura inquietante de que nada mudou. Até o Eike Batista, o ex-bilionário, acreditem, quebrou.

Em Brasília, milhares de pessoas chegaram a invadir o Congresso Nacional. Em São Paulo, a badalada Avenida Paulista se transformou em um lamentável campo de batalha. No Rio de Janeiro, o próprio governador ficou sitiado em sua residência oficial. O povo havia cansado de ser sempre deixado para depois. No RN não foi diferente.

A resposta veio em todos os níveis. A presidente Dilma Rousseff, ainda sem saber o tamanho do movimento que atingia o país, trouxe médicos estrangeiros para todas as regiões do Brasil. Enquanto isso, Câmara e Senado aprovavam uma série de leis moralizadoras, que andavam esquecidas nas gavetas dos nossos parlamentares.

Já em Natal, os protestos que começaram contra apenas o aumento de 20 centavos na tarifa de transporte público, deram origem ao Passe Livre. Mas, após copiar o modelo paraibano, o prefeito Carlos Eduardo Alves encontrou uma forma de adiar a matéria para 2014, ano eleitoral. Porém, será difícil fugir desta novidade.

Nota negativa de tudo isso foram as centenas de cenas de destruição, agressões e depredação do patrimônio público e privado. Pela TV, a população assistiu ao vivo jovens marginalizados pela sociedade saqueando lojas e bancos e espancando um coronel da Polícia Militar. Lamentável.

Por aqui, o projeto de gratuidade nos ônibus ficou longe de ser o mais importante do ano. Em 2013, o norte-riograndense viu sua governadora quase ser cassada, testemunhou o filho da ex ser condenado a 16 anos de cadeia e a prefeita da segunda maior cidade do estado perder o mandato por 10 vezes, apenas na primeira instância, coisa para Highlander nenhum botar defeito.

A seca pelo interior se agravou. Em Pedra Preta, então, a situação está ainda mais complicada, porque, além do perigo de ficar sem água, a população ainda teme a onda de tremores de terra sem fim. Por sorte, por enquanto, as casas atingidas ainda conseguem resistir a pressão vinda da natureza.

O ano ainda teve atrasos de salários para os servidores estaduais; corte no orçamento e briga entre os poderes constituídos por mais recursos; e uma greve generalizada no RN, envolvendo trabalhadores da saúde, educação e da Polícia Civil. Paralisações que ameaçam voltar em 2014. Risco perigoso para o governo Rosalba Ciarlini quase no fim.

No município, o prefeito Carlos Eduardo parece ter encontrado uma situação bem pior do que imaginava. Mas, pelo menos, não ficou só olhando para trás. Demonstrando uma agilidade até então desconhecida, conseguiu salvar as obras de mobilidade para Natal, recuperou as ruas esburacadas da cidade e, aos poucos, está conseguindo deixar a cidade limpa e bonita novamente.

Aos dois gestores, fica para o próximo ano a expectativa de se fazer algo a mais em setores considerados fundamentais para a sociedade, como a saúde e a segurança. Delegacias e unidades de pronto atendimento não podem mais ficar fechadas ou terem seu trabalho prejudicado por falta de profissionais ou equipamentos.

Calma leitor, este colunista não esqueceu a prisão dos condenados pelo mensalão, mas é que a melhor parte tem sempre que ficar para o final. A ida de Zé Dirceu e companhia para o Presídio da Papuda não poderia ter ocorrido em dia melhor e mais simbólico.

Visivelmente cansado das artimanhas dos defensores do grupo considerado corrupto pela maioria do STF, o ministro Joaquim Barbosa escolheu o 15 de Novembro, Dia da Proclamação da República, para colocar na cadeia, pela primeira vez na história deste país, homens que já fizeram parte da mais alta cúpula do poder nacional.

Hoje, o Brasil pode se orgulhar em dizer que os poderosos também correm riscos de verem o sol nascer quadrado. É o começo do fim da velha máxima onde apenas os ladrões de galinha acabam indo parar atrás das grades.

No geral, não restam dúvidas que o ano de 2013 deu, sim, uma contribuição fundamental para a história. Não é o caso de dizer que deixará saudades. Ainda falta muito para o país conquistar, principalmente em termos de desenvolvimento econômico, mas, jamais é tempo de desistir. Afinal de contas, como diria o mestre Câmara Cascudo, “o melhor do Brasil, é o brasileiro”.

Feliz 2014!

 

 

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