Telefonar menos

Na segunda coluna do ano, faço uma revelação aos meus poucos e leais leitores. Sou um inventor. Acabo de criar…

Na segunda coluna do ano, faço uma revelação aos meus poucos e leais leitores. Sou um inventor. Acabo de criar o medidor de amizades. Sem precisar gastar um centavo, importar uma peça nem lançar ao mercado um equipamento novo.

Todo janeiro, muita gente passa a desejar e a planejar os onze meses seguintes sempre sonhando com o óbvio escondido: ganhar mais dinheiro. Que é bom, desde que para tanto, não seja preciso fazer nada que prejudique o outro.

Gostaria de ganhar dinheiro, mas será trabalho perdido pela própria incompetência e porque não caí nas graças do destino. Faz tanto tempo que não entro em casa lotérica que até acho que o Bonsucesso e o São Cristóvão faziam parte da primeira divisão carioca, cujos atuais integrantes jogam ao padrão dos simpáticos e  sofridos  times suburbanos.

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Nunca apostei na Mega Sena e é capaz de arriscar uma fezinha este ano, afinal é Copa do Mundo e a Copa do Mundo veio para nos salvar,  escondida numa cesta e protegida por três Reis Magos da construção civil disfarçados de Gaspar, Belchior e Baltazar.

Qualquer dia, põem uma cobertura bela e metálica na Fortaleza dos Reis Magos e reproduzem soldados holandeses, sem esquecer de ressuscitar Felipe Camarão, nosso bravo Índio Poti, enclausurado e levando chacoalhada das ondas sobre o corpo numa masmorra que nem tenho coragem de visitar por ter medo que caia de uma vez.

O meu invento é simples e autoaplicável. A primeira cobaia serei eu mesmo e já estou praticando. Vou economizar dinheiro com telefone. Me detive em raciocínios, consultei teses econômicas e de amor próprio e concluí que estava ligando demais para os outros e recebendo ligações de menos.

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Não contam os telefonemas de trabalho, que geralmente vêm com problemas insuportáveis e que interessam somente a quem se deu ao trabalho de discar. A cobrar, na maioria das vezes, pedindo o impossível e praguejando a minha existência ao desligar. Ninguém gosta de dizer não. Ninguém pode fazer o que é impossível e, definitivamente, não faço, nunca fiz. Minha história e a minha vida depõem a meu favor.

Ocorre que tenho uma especial mania de telefonar para aqueles que estimo e puxar conversa, perguntar pela família, discutir política, esculhambar a seleção brasileira de Felipão, elogiar Messi, saber quem ainda está casado com quem, afinal minha geração vai ultrapassando o quilômetro 40 da vida.

Vesti-me de Oswald de Souza, o matemático dos prognósticos da Loteria Esportiva nos tempos da zebrinha e concluí. A cada dez telefonemas saídos do meu telefone para bater papo ameno, recebia no máximo três. Então, está na hora de equilibrar esse jogo. O jogo da autoestima.
Sugiro a todo mundo fazer igual. Conte os telefonemas que recebe e compare com as vezes em que você  que resolve tilintar. O resultado mostra que estamos sempre mais disponíveis e a humanidade detesta os prestativos, os plantonistas existenciais.

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Daqui a três dias, no máximo, recomeça a vida corriqueira  sem as gentilezas presentes nas mensagens adocicadas de fim de ano. Começam os xingamentos, as guerras sujas para se atingir os fins sem se importar com os meios,  a competição desleal, a famosa trairagem do mundo simples e definitivo do futebol.

Decidi me valorizar um pouco mais. Vou telefonar menos. E nem vou esperar. Vou deixar o samba de Zeca Pagodinho me levar. Quem resolver lembrar de mim que lembre, estarei sempre pronto para os bons e parceiros de pensamento e de  amizade indestrutível. Qualquer que seja o resultado, sairei no lucro. Ficará comigo quem me quer bem.

Estou pensando até em outra incursão científica. Se me der na telha, lançarei meu terceiro livro. Sempre dou intervalos de cinco, seis anos entre um e outro, porque livro não é pão que sai todo dia.

O resultado do segundo geralmente não fica melhor no último, em 2009, autografei 406 exemplares e recebi efusivos cumprimentos. Era secretário de Estado e no próximo – se houver – uns 50 aparecerão para comprar. Serão cinquenta sinceros. Disciplinando o telefone,  começo a travar minha interminável, intransigente e desigual batalha contra a hipocrisia e os seus filhos que superlotam Natal. E viva a Copa.

 

Norberto
Norberto fica no América naquela condição. Se aparecer uma proposta boa, que compense o clube, ele vai embora. Sair sem grana é que não pode. Com ele, o América mantém quase o time inteiro que fez boa campanha na Série B.

Lúcio Flávio
A melhor passagem na carreira do novo meia-atacante do ABC, Lúcio Flávio, foi pelo Guaratinguetá, em 2010. Marcou 13 gols e atraiu a Ponte Preta, depois o futebol coreano. Em 2013, só fez um gol e volta para acabar sua passagem pela agonia, que tanto marcou o personagem da vida urbana brasileira dos anos 1970 e transposto ao cinema.

Paulão
Já o zagueiro Paulão é do tipo que não recebe atacante com flores na grande área. Desde os tempos do Duque de Caxias, é um cara que costuma abrir sua caixa de ferramentas ao simples ciscado do adversário. É xerife. A torcida alvinegra costuma apreciar.

Renatinho no Globo
O futebol do lateral-esquerdo Renatinho Potiguar é cada vez mais raro. É objetivo e hábil. Feito de dribles e cortes bruscos. Foi contratado pelo Globo de Ceará Mirim, sua terra, e pode ser a volta por cima de um jogador que, se quiser, não encontra competidor por essas bandas.

David no Barça
O Barcelona promete tirar do Chelsea o quarto-zagueiro David Luiz, o cabeludo titular da seleção brasileira. Na primeira vez, os ingleses recusaram solenemente a proposta depois da Copa das Confederações. Barça quer David Luiz para fechar sua defesa que às vezes parece à do antigo Força e Luz de Natal: peneira.

Arenas
Estudiosos insistem que as Arenas de Manaus, Cuiabá e Natal não servirão para nada depois dos jogos da Copa do Mundo. A Arena Amazônia pode até virar uma penitenciária. Em Natal, tenho certeza de que haverá lucro. É fazer show. Se faltar artista de fora, aproveita os daqui, mas não os  artistas que lutam, coitadinhos, na rabeira cultural que sobra. São outros. Invencíveis.

Banco de Sangue
Começa a Copa São Paulo de juniores, banco de sangue de “empresários”.

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