Telexfree: polícia britânica emitem alerta contra fraude financeira

Autoridades de Jersey e Guernsey alertam população sobre negócio, suspeito de ser pirâmide financeira

Diretor da Telexfree, Carlos Costa; empresa é suspeita de ser pirâmide financeira. Foto:Divulgação
Diretor da Telexfree, Carlos Costa; empresa é suspeita de ser pirâmide financeira. Foto:Divulgação

As polícias de Jersey e Guernsey, ilhas pertencentes à Coroa Britânica, emitiram alerta de fraude contra a Telexfree, que teve as atividades bloqueadas no Brasil por suspeita de ser uma das maiores pirâmides financeiras da História do País. O negócio patrocina o clube Botafogo de Futebol e Regatas.

As ilhas constam de diversas listas de paraísos fiscais, segundo um relatório do Congresso Americano de janeiro de 2013.

A Telexfree também já despertou alertas de autoridades no Peru e na República Dominicana– onde a empresa divulga não ser alvo de nenhuma investigação – e da associação de defesa do consumidor de Portugal.

Segundo a polícia de Jersey, o alvo da Telexfree na ilha tem sido a comunidade de imigrantes oriundos da Ilha da Madeira, onde o negócio havia atraído, no início do ano, cerca de 16% da população, segundo a TV oficial de Portugal.

“A Polícia do Estado de Jersey foi alertada de uma potencial fraude que tem como alvo a comunidade madeirense de Jersey [que representa cerca de 11% a 15% da população da ilha]“, diz o comunicado disponível no site oficial da corporação. “O esquema está sob uma companhia chamada de Telexfree e requere investimentos iniciais com promessas de alto retorno.”

O texto afirma que ainda não tem notícias de vítimas, e orienta quem investiu no negócio a procurar a unidade de combate a crimes financeiros da ilha.

“O esquema começou no Brasil e está sendo investigado por autoridades brasileiras, pois acredita-se que seja fraudulento.”

Procurado, um dos advogados da Telexfree informou que não iria se pronunciar e ressaltou que essa não era uma posição oficial da empresa. Outro representante não respondeu imediatamente ao pedido de comentário feito por e-mail pela reportagem.

Em outras ocasiões, os representantes da Telexfree sempre negaram irregularidades. Eles afirmam praticar marketing multinível – um modelo de varejo legal em que representantes autônomos são remunerados pelas vendas de outros representantes que atraem para a rede.

Para o Ministério Público do Acre (MP-AC), a Telexfree paga as remunerações de quem entrou antes com as taxas de adesão de quem ingressou depois, num modelo típico de pirâmides financeiras. A ação contra o negócio que corre na Justiça acreana, entretanto, ainda nã foi julgada.

Um representante do Botafogo também preferiu não comentar as informações. Quando a parceria foi anunciada, o clube argumentou que havia firmado o contrato com a “Telexfree americana”, e não com a sucursal brasileira, que foil alvo do bloqueio judicial. Como o iG demonstrou em março de 2013, os donos de ambas empresas são os mesmos.

Cadastros no Brasil ainda são possíveis 

A Telexfree, INC. foi fundada em 2002 nos Estados Unidos pelo americano James Matthew Merrill e pelo brasileiro Carlos Wanzeler. Os dois trouxeram o negócio para o Brasil em 2010, por meio da Ympactus Comercial, da qual até 2013 eram sócios juntamente com o brasileiro Carlos Roberto Costa.

Em junho de 2013, as contas da Ympactus e dos sócios foram bloqueadas pela Justiça, que também proibiu o ingresso de residentes no Brasil na rede Telexfree, segundo nota oficial disponível no site do negócio em português.

Em dezembro, entretanto, a reportagem conseguiu fazer o cadastro e indicar o Brasil como local de recebimento do cartão de débito que a empresa usa para fazer os pagamentos a quem adere ao negócio.

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