Telexfree: ‘todos nós temos certeza de que se trata de um golpe’, diz policial de Jersey

Reunião para divulgar o negócio na ilha britânica foi cancelada após autoridades buscarem informações

Representantes do Botafogo e da Telexfree apresentam camisa do clube com anúncio da empresa, suspeita de ser pirâmide financeira. Foto:Divulgação
Representantes do Botafogo e da Telexfree apresentam camisa do clube com anúncio da empresa, suspeita de ser pirâmide financeira. Foto:Divulgação

Representantes e investidores da Telexfree, acusada de ser uma pirâmide financeira e patrocinadora do Botafogo, sempre negaram qualquer irregularidade. Um evento de divulgação na ilha de Jersey, entretanto, foi cancelado tão logo a polícia local começou a indagar sobre as atividades da empresa.

Nesta semana, a polícia da ilha britânica emitiu um alerta em que descreve a Telexfree como “potencial fraude” e pede a quem investiu no negócio para procurar a divisão de crimes financeiros da corporação.

“Quando ficaram sabendo que nós sabíamos, eles cancelaram a reunião”, diz Andrew Smith, sargento-detetive da Polícia de Jersey. “Nós sabemos que se trata de uma fraude, de um golpe.”

De acordo com Smith, representantes da Telexfree do exterior eram esperados para o evento. O policial se recusou a informar os nomes, e negou que se tratassem de Carlos Costa, Carlos Wanzeler, James Merrill ou Steve Labriola, líderes do negócio que participaram de um cruzeiro da empresa no Brasil em dezembro de 2013.

“Repassamos a informação para a autoridade relevante de onde eles estão baseados”, disse Smith.

As reuniões públicas são umas das principais ferramentas de divulgação da Telexfree. Em geral, elas são organizadas pelos próprios investidores, como forma de convencer mais gente a entrar no negócio. Segundo Smith, os organizadores do evento em Jersey receberiam dinheiro pelo trabalho.

O policial ressalta não ter havido proibição ao evento – apenas orientações sobre os riscos do negócio, reproduzidas pela imprensa local.

“Espero que, alertando, ninguém vá perder seu dinheiro. As pessoas aqui estão totalmente conscientes sobre a Telexfree agora, de que isso é uma fraude”, diz.

Dois advogados que atuam em favor da Telexfree no Brasil foram procurados por email mas não quiseram comentar as informações. Em outras ocasiões, os representantes da empresa sempre negaram irregularidades.

A Telexfree informa comercializar pacotes de telefonia VoIP por meio de marketing multinível  – modelo legal de varejo em que representantes autônomos são remunerados por outros representantes que atraem para rede. A empresa também alega atuar no mercado de anúncios na internet.

Alvo é comunidade portuguesa na ilha

A Telexfree chegou a Jersey por meio de imigrantes oriundos da Ilha da Madeira, território português onde o negócio conquistou cerca de 16% da população, segundo a TV oficial do país. Os madeirenses são a maior colônica estrangeira na ilha britânica.

No Brasil, a Telexfree desembarcou oficialmente em 2010, por meio da Ympactus Comercial – da qual os brasileiros Carlos Costa e Carlos Wanzeler, além do americano James Merrill, eram sócios pelo menos até meados de 2013.

Em junho, a 2ª Vara Cível de Rio Branco bloqueou as contas da Ympactus e de seus sócios, e impediu o negócio de continuar a captar investidores no Brasil, por meio de uma decisão liminar (provisória). Como mostrado, entretanto, esses cadastros ainda são possíveis.

O Ministério Público do Acre (MP-AC) pediu que a Ympactus seja encerrada e que seus sócios sejam impedidos de continuar a praticar o que classifica como pirâmide financeira. O processo, em tramitação desde julho de 2013, ainda não foi julgado.

Além do Brasil, a empresa chamou a atenção das autoridades no Peru e na República Dominicana – onde informa não ser alvo de nenhuma investigação por parte do Ministério Público local – e da associação de defesa do consumidor de Portugal.

Fonte:IG

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