Tempo das quimeras – Vicente Serejo

Nesta alma parnasiana e caída de moda, Senhor Redator, ainda há – pra que negar? – lugar para guardar quimeras.…

Nesta alma parnasiana e caída de moda, Senhor Redator, ainda há – pra que negar? – lugar para guardar quimeras. Afinal de contas, convenhamos, só a realidade não basta para levar a vida como se fosse, e é, apenas um sopro. Como avisou Hélio Schwartsman, no belo artigo da Folha de S. Paulo, sexta-feira, sobre a morte de Eduardo Campos, ninguém nunca está livre da tirania do acaso. Ou, para citar sua frase: ‘De manhã você está cheio de energia e planos grandiosos e à tarde já não existe mais’.

A mais recente quimera da política foi Eduardo Campos que deixou a vida de forma trágica e com ele levou o sonho de mudar o Brasil. Ex-ministro de Lula, de quem ficou amigo a ponto de gerar ciúmes nos petistas-bundões, nos poucos meses de sua candidatura mostrou ter uma forte capacidade de formulação política, fundada em ideias modernas. Denunciou o presidencialismo imperialista que tem sido reforçado por tucanos e lulistas, com a coragem de conviver sem medo com a esfera privada.

Aliás, ninguém precisa mais ser comunista e ateu para manter aceso aquele charme de ousadia ou modernidade de noutros tempos. Basta manter boa distância do conservadorismo e ter sólidas ideias progressistas. Nada mais. De preferência, não deve ser tucano nem petista na farsa que começou com o Plano Real e continuou com o Bolsa-Família. O primeiro, a falsificar, ardilosamente, o verdadeiro pacto que os sociais-democratas não firmaram. O segundo, dando pão sem o fermento da consciência.

Lula sabe que Eduardo Campos assumiria com idéias novas. Um novo que não desmontaria de vez a postura do velho establishment, mas não transigiria com as piores forças conservadoras mandaria Sarney, Collor e Maluf para a oposição. Tinha um novo modelo de governança, ele que governou duas vezes seu estado e sabia que os governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma, reforçaram ainda mais a moldura de um presidencialismo imperialista dominando a pobreza de todos os governos estaduais.

Todas essas ideias seriam partes de mais uma quimera? Talvez. Como aquelas que ilustram os sonhos e devaneios da mitologia. Daquele dragão de duas cabeças nascido da imaginação humana e da criatividade sonhadora. A realidade não basta para acender na alma popular a chama da magia. É preciso libertar os sonhos e suas quimeras porque todos precisam construir seus castelos, daí a força de sua frase que ficou pregada para sempre na alma do brasileiro de que não devemos desistir do Brasil.

Quem sabe, talvez tenhamos sido até excessivamente reais. Tão reais que os sonhos acabaram fugindo pelos becos da alma. E, sobretudo, acredite Senhor Redator, a realidade é burra. Tão burra que certas horas nos rouba o que de melhor inventamos nesta saga que é enganar a morte todos os dias. É que a alegria também tem mil e uma utilidades. E lustra a alma quando a vida, cheia de tristeza, perde a ilusão das quimeras. Há em nós a doçura de uma velha indulgência que teima em esconder o medo.

 

ABUSO

Continua a farra dos royalties em Guamaré: agora a Câmara Municipal gastou dois milhões de reais na reforma física da sua sede – salas e gabinetes. Daria para equipar seu hospital e seus postos de saúde.

AVISO – I

Segundo um vereador com trânsito livre no assoalho do Palácio Felipe Camarão, o Barriga Vermelha é o secretário oportunista e puxa-saco que vota em Robinson, Fátima e Agnelo Alves, o pai do prefeito.

ESTILO – II

É que o PT é assim: mantém secretários na equipe de Carlos Eduardo que apoia Henrique e Wilma que são contra Fátima. Com a mesma ideologia marota que aceita os aliados como Collor, Sarney e Maluf.

ELITES – I

O mercado não teme Marina Silva, se vier a ser a candidata do PSB no lugar de Eduardo Campos. Mas a preferência do mundo dos negócios é por Aécio Neves. Um mineiro no poder é sempre mais seguro.

MODELO – II

A opinião é de Cláudia Safatle, principal analista do jornal econômico ‘Valor’ ao afirmar que Marina Silva ouviu os melhores nomes da área de economia. Tem um discurso pela estabilidade que é correto.

BALELA – I

Os magos do futebol calaram até hoje diante do efeito negativo da Copa do Mundo, anunciada como um bálsamo para nossas mazelas. Acabou sendo uma herança trágica que derrubou o PIB do trimestre.

ALÉM – II

De muitos feriados e da queda nas vendas do varejo por desinteresse do consumidor preocupado com os jogos, a Copa só serviu para vender cerveja e refrigerante. E isento de impostos para agradar a Fifa.

POPULISMO – I

O candidato a governador Roberto Paulino, do PSOL, declarou que, eleito, doaria seu salário ao povo. O que não passa de bem engendrada fórmula diluída no populismo financiado com dinheiro público.

ALIÁS – II

Se fosse para abrir mão do salário de forma correta bastaria simplesmente estornar aos cofres públicos sem transformar o dinheiro do erário em doações pessoais graciosas e divulgá-las como ação política.

VARGAS

Lira Neto fará aqui dois lançamentos do terceiro e último volume da biografia de Getúlio Vargas: dia 23 de setembro na Feira do Livro de Mossoró; e em outubro na Feira do Livro de Natal. Com debates.

NATAL

A carta destacada pela Veja desta semana é do leitor Alberto de Souza Bezerra, de Natal, condenando a renovação dos mandatos dos que mais chafurdam ‘no lamaçal exposto pela contadora Meire Poza’.

AINDA

Na mesma Veja uma pesquisa constata que no Nordeste é tão forte o efeito eleitoreiro do bolsa-família que em muitas cidades os eleitores nem mesmo se preocupam ‘em saber quem são’ os rivais de Dilma.

CAPITAL

A Carta Capital, coluna Rosa dos Ventos, revela que o candidato Henrique Alves recebeu a doação de R$ 2 milhões da empresa Telemont – Engenharia de Telecomunicações que sequer atua aqui no RN.

TIRO

De Marcos Coimbra na Carta Capital para quem ainda duvida do jogo dos institutos de pesquisa: ‘A influência dos meios de comunicação vai além da produção de noticiário. Eles contratam as pesquisas e organizam debates’.

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