Terceirizados da Safe ameaçam entrar em greve na próxima segunda-feira
Com os salários do mês de junho em atraso, assim como férias, cerca de 800 profissionais terceirizados da empresa Safe ameaçam entrar em greve na próxima segunda-feira, caso os débitos não sejam pagos até este domingo. Os trabalhadores prestam serviço à Secretaria Estadual de Saúde Pública nas unidades hospitalares da rede estadual na capital. A mobilização de greve está marcada para o início da manhã do próximo dia 13, na frente do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.
De acordo com a presidente do Sindsaúde, Sônia Godeiro, o pagamento deve ser feito até o quinto dia útil do mês, no entanto, há muito tempo isso não acontece. “O pagamento de julho deveria ter sido feito até a última terça-feira. Hoje é sexta-feira e estes terceirizados ainda não receberam. Se o pagamento não sair até domingo, teremos greve na segunda-feira”, garante Sônia Godeiro.
Os trabalhadores também estão sem receber as férias desde o mês de maio. “Muitos deles têm férias vencidas e não tiram. Quando juntam duas férias, a empresa manda que eles tirem um mês. Eles gozam das férias, mas não recebem depois. Alguns estão desde maio sem receber e a maioria desde junho”, completa Sônia Godeiro, informando que muitos também estão sem receber o benefício do vale-alimentação e estão com fardamento rasgado.
Ela acrescenta que a empresa alega como motivo para os constantes atrasos a dívida existente com o Governo do Estado que já soma mais de R$ 7 milhões. “O Governo anterior ficou sem pagar os meses de outubro, novembro e dezembro. O atual também já acumula dívidas com a empresa. Então, fica um jogo de empurra. A empresa diz que não pode pagar porque não recebeu e a Sesap afirma que o pagamento dos profissionais não compete à Secretaria”, conclui a presidente do Sindsaúde.
Cozinheiro de uma unidade hospitalar, Vital Gomes diz que não recebe salário há 70 dias. “Tirei minhas férias em junho e não recebi. O mês de julho também não. Então, estou há 70 dias sem dinheiro e isso não pode continuar assim. Além disso, também estão descontando nosso FGTS, mas não fazem o repasse para o INSS”, denuncia o cozinheiro.
A auxiliar de serviços gerais do Walfredo Gurgel, Kátia Santiago, também passa por situação semelhante. “Não sei mais o que fazer com minhas contas. Todas já venceram e não tenho como pagar porque não recebo dinheiro há cerca de 70 dias também”, conta Kátia Santiago, que tirou férias no mês de junho.
A reportagem de O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com o secretário estadual de saúde, Isaú Gerino Vilela, mas não conseguiu, pois o titular da Sesap estava em reunião. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, a reunião do secretário era com a governadora Rosalba Ciarlini e com representantes do setor financeiro da Sesap, justamente para definir estas questões.
Servidores não podem tirar férias
Desde que o estado de calamidade pública na saúde do Estado foi decretado, em 4 de julho, os servidores da Sesap estão impossibilitados de ausentar-se do serviço público. A determinação foi dada por meio da portaria nº 217, de 12 de julho deste ano, que resolveu suspender, pelo período tratado no Decreto de Calamidade Pública, as concessões de licença prêmio, licença para tratar de interesse particular, férias remuneradas, como também, cessão de pessoal para os diversos órgãos públicos ou entidades filantrópicas ou beneficentes.
Além disso, considerando a necessidade de pessoal nas diversas categorias profissionais no quadro de pessoal da Saúde, em virtude do excessivo numero de aposentadorias, falecimentos, vacâncias e exonerações e ainda, o aumento na oferta de serviços do SUS no âmbito da Sesap, foi determinado também o retorno imediato de todos os profissionais cedidos a diversos órgãos à Secretaria. A contar da data de publicação do decreto, os referidos servidores tinham prazo máximo e improrrogável de 30 (trinta) dias para apresentar-se. O prazo, portanto, será encerrado neste domingo.
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