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Terceirizados da Safe decidem paralisar novamente atividades em hospitais

Data: 10 janeiro 2013 - Hora: 18:08 - Por: Gessica Ribeiro

Em protesto esta manhã, funcionários da empresa Safe paralisaram atividades na entrada do HWG, por duas horas. Foto: Wellington Rocha

Com os salários atrasados mais uma vez, os funcionários da empresa Safe Locação de Mão de Obra, que prestam serviços terceirizados aos hospitais estaduais em Natal e Parnamirim, realizaram na manhã de hoje uma assembléia geral para votar a deflagração da greve.
Os funcionários paralisaram as atividades por duas horas em protesto pela dívida pendente do Governo do Estado, e em frente entrada principal do Hospital Walfredo Gurgel gritavam as palavra de ordem “Dinheiro tem! Queremos já! Mas falta vergonha para nos pagar!”.
Sem receber os salários referentes ao mês dezembro, que deveriam ter sido pagos até esta terça (8), a categoria decidiu dar um prazo de 72 horas para que o Governo regularize a dívida com a empresa Safe e esta repasse o dinheiro aos funcionários. Caso a reivindicação não seja atendida, a categoria irá paralisar as atividades definitivamente até que o pagamento seja efetuado.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Rio Grande do Norte (Sipern), Domingos Ferreira, os funcionários estão saturados com o descaso por parte do Governo.

“Todo mês temos que fazer uma paralisação. Fizemos em novembro, dezembro, e agora em janeiro teremos que fazer novamente, isso é um absurdo e nós vamos lutar em defesa desses trabalhadores. A empresa diz que não tem como pagar e o governo diz que só vai ter dinheiro quando abrir o novo orçamento. Mas o trabalhador não pode esperar. Eles têm seus compromissos financeiros para honrar e nós não vamos deixá-los trabalhar sem receber o que é de direito”, disse Domingos.

Com a paralisação dos funcionários terceirizados, todos os serviços dos hospitais que são atendidos por eles serão prejudicados, pois os setores de copa e cozinha não funcionarão. Com isso, a alimentação dos plantonistas será reduzida, que manterão apenas 30% dos serviços funcionando.

O funcionário Sulênio Soares relata a situação pela qual a categoria está passando. “Nossa situação está crítica, pois isso é uma falta de respeito com os funcionários e com a sociedade, que precisa dos nossos serviços nos hospitais. É humilhante, todos os meses nós temos que ameaçar uma greve, para lembrar o governo de que somos trabalhadores e precisamos ser pagos. Todos nós temos nossas contas pra pagar. É humilhante, mas vamos fazer isso quantas vezes for preciso”, afirmou o funcionário, Sulênio Soares.

A empresa Safe alega não ter como pagar os funcionários, pois o dinheiro que tinha em caixa foi utilizado para quitar a dívida do 13º salários da classe, que não é repassado pelo Governo, como é previsto em contrato. A empresa ainda não recebeu os valores referentes ao mês de novembro, e o mês de dezembro tem até o dia 30 de janeiro para ser pago. De acordo com a direção da Safe, o Governo informou  que o pagamento está previsto para quando for aberto o orçamento  do Estado, que geralmente ocorre em março. Até lá, os trabalhadores sofrerão as conseqüências provocadas pelas dívidas, estando em greve ou não.

De acordo com o diretor de organizações sindicais do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde), Wilson Farias, as constantes paralisações em diversos setores públicos são um reflexo da má administração atual. “Essa situação se repete por irresponsabilidade por parte do Governo, mas este não tem sensibilidade nenhuma para com as causas dos trabalhadores. Mas o pior é que não há nenhuma perspectiva de orçamento para dar esperança aos funcionários. Então, por uma questão de justiça e dignidade, a categoria vai paralisar as atividades a partir deste domingo, por tempo indeterminado e só retornará ao trabalho quando o dinheiro estiver em conta”, afirmou Wilson Farias.

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