Terceirizados de hospitais do RN paralisam atividades
Já virou rotina e todo início de mês é a mesma coisa. Os trabalhadores terceirizados da empresa SAFE que prestam serviço nos hospitais públicos estaduais de Natal, estão suspendendo as atividades a partir do quinto dia útil de cada mês. Em março não está sendo diferente, isto porque, segundo os trabalhadores, a empresa não fez o repasse dos salários aos trabalhadores. Na manhã desta sexta-feira (8), sexto dia útil do mês, os trabalhadores realizaram um ato de protesto em frente ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel contra o atraso do salário e pretender manter a greve até que o salário seja regularizado. Amanhã, quem pode aderir à paralisação, pelo mesmo motivo, falta de pagamento, são os terceirizados da empresa JMT, que prestam serviço nos hospitais regionais do Estado.
Com a greve, cerca de 850 profissionais que trabalham nos setores de higienização, nutrição, maqueiros, manutenção e lavanderia dos hospitais João Machado, Monsenhor Walfredo Gurgel, Santa Catarina, Giselda Trigueiro, Ruy Pereira, Maria Alice Fernandes, além do Centro de Saúde Reprodutiva Professor Leide Morais e Centro de Reabilitação Infantil (CRI) paralisaram as atividades.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Sipern), Domingos Ferreira, infelizmente, já está se tornando corriqueiro o atraso de salário dos trabalhadores que já não agüentam mais essa situação. Domingos conta que na última segunda-feira (4) foi realizado uma assembleia, em que foi aprovado um indicativo de greve para esta sexta-feira, caso o pagamento não tivesse sido repassado aos servidores.
“Isso é uma vergonha e mostra o descaso do governo com a saúde pública. Porque se o Governo tivesse feito o repasse a empresa teria pago os funcionários. Isso é um grande absurdo para quem presta um serviço tão importante para a população. Eles não estão nem ai para os trabalhadores que são importantes para o funcionamento e manutenção dos hospitais. Infelizmente já virou rotina essas paralisações, e vai continuar sendo até que tomem vergonha na cara e resolvam esse problema definitivamente”, lamentou o presidente do Sindicato. “É uma vergonha, a governadora deixar centenas de mulheres sem salários, justamente no dia internacional da mulher”.
O funcionário da SAFE que trabalha na higienização do Hospital Walfredo Gurgel há dois anos e cinco meses, Ronaldo Alves da Silva conta que nos últimos dez meses o salário só tem saído atrasado, sempre após o quinto dia útil. Ele revela o constrangimento que é obrigado a passar por conta desses constantes atrasos. “As pessoas a quem devemos acredita uma vez que o nosso salário atrasou, mas não acredita que isso aconteça todos os meses e termina que passamos por mentirosos e que queremos enrolar. É uma situação muito ruim, sair de casa sem dinheiro e sem perspectiva de receber os nossos salários. Já chegamos aqui desmotivados. Ela quer que a gente tenha compromisso, mas não tem compromisso conosco”, desabafou o funcionário.
Josenildo Teixeira trabalha no setor de higienização do Hospital João Machado e considera os constantes atrasos no salário dos terceirizados como uma falta de respeito e compromisso aos trabalhadores. “Um mês é até aceitável, mas todos os meses já é falta de responsabilidade e de compromisso e eles só pagam quando paralisamos as atividades. Reivindicamos porque é um direito nosso e não apenas um favor. Além do atraso, as condições de trabalho estão longe de serem as ideais”, afirmou.
Fátima Leide também trabalha na higienização do Hospital João Machado e se sente desvalorizada com a situação. “Todo mês temos que inventar uma nova desculpa. Às pessoas conseguimos pagar depois, mas as faturas de cartão e demais contas não aceitam desculpas e somos obrigados com juros. Todo começo de mês, ao invés de nos planejarmos para pagar nossas contas, estamos sendo obrigado a planejar para protestarmos, pois o atraso já é comum. Todos os dias nós cumprimos com o nosso dever, trabalhamos direitinho, e o mínimo seria receber o pagamento em dia, mas nem isso está acontecendo”, destacou a funcionária.
A reportagem tentou entrar em contato com os representantes da SAFE, mas não obteve sucesso. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) informou que o pagamento às empresas prestadoras de serviços está regularizado e que o repasse aos trabalhadores é de responsabilidade da empresa.
Notícias Relacionadas

