Terceiro MPB Jazz traz a Natal nomes relevantes do jazz norte-americano

Intenção do evento é promover articulação com artistas locais

Germaine Bazzle é um dos grandes nomes do jazz de Nova Orleans; ela dará uma oficina na sexta-feira e encerra o MPB Jazz, no sábado. Foto: Divulgação
Germaine Bazzle é um dos grandes nomes do jazz de Nova Orleans; ela dará uma oficina na sexta-feira e encerra o MPB Jazz, no sábado. Foto: Divulgação

Conrado Carlos

Editor de Cultura

O amigo leitor tem um programão para a noite de amanhã (30) e sexta-feira (31). Esqueça a misantropia, o trânsito, a timidez, a preguiça e todas as demais desculpas que damos na hora de evitar eventos noturnos, pois o 3º MPB Jazz tem tudo para ser um dos principais acontecimentos culturais no Estado em 2014.

Com um line up composto por nomes locais e da capital da música norte-americana, a mítica Nova Orleans, o festival potiguar oferece atrativos para recluso algum botar defeito. Nos dois dias, a partir das 20 horas, no Teatro Riachuelo, o gênero que resistiu ao rock e ao pop desvela sua bandeira de virtuosismo e sofisticação sonora.

Serão seis atrações, de variadas vertentes jazzísticas. Os locais Simona Talma, após uma boa participação no programa The Voice da Rede Globo, e o Duo Tauffic, dos irmãos Roberto e Eduardo, mesclam blues e ritmos regionais com o som que surgiu da mistura de bandas marciais europeias, cânticos de escravos africanos e cultos religiosos.

Já os estrangeiros que representam a tradição de Nova Orleans, a multi-instrumentista Aurora Nealand, as cantoras Germaine Bazzle e Eilleina Dennis e o trompetista Leon “kid Chocolate” Brown (estes em um tributo à Ella Fitzgerald e Louis Armstrong) instigam o público por terem participações em festivais grandiosos e por receberem boas críticas da mídia especializada – para os curiosos, todos têm vasto material no Youtube.

A coordenadora do evento Mônica MacDowell destaca os critérios observados pela curadoria do MPB Jazz, feita pela cantora Valéria de Oliveira, uma veterana em Nova Orleans. “Não basta só ser bom músico. Tem que ter comprometimento com a expansão da carreira. Por queremos fazer essa articulação entre Natal e Nova Orleans, ele tem que estar produzindo, ter lançado CD recentemente ou em fase produção ou gravação.

Histórico de shows fora de Natal também foi observado. Além de um cuidado com a parte cênica e de iluminação, que é custeada pelo evento, mas que deve ser pensada pelo artista. Com isso, temos a certeza de que teremos shows de qualidade”. Em 2012, durante a participação em dos festivais da maior cidade da Louisiana, Valéria de Oliveira travou contato com músicos talentosos e fez o convite para iniciar uma parceria na esquina da América do Sul.

Uma das convidadas foi a cantora Germaine Bazzle, uma mulher de 82 anos que virou lenda em sua terra natal. Influenciada por Sarah Vaughan, e pela própria Ella, ela participou da edição passada do MPB Jazz e volta acompanhada pela banda 504 Experience, para encerrar a segunda noite. Germaine dará uma oficina musical na ONG Atitude e Cooperação (na avenida Capitão Mor-Gouveia, em frente à Guararapes), o que atesta o preocupação social da organização do evento. “Estamos sempre atentos à parte social. Sempre reservamos cotas de ingressos para pessoas que não podem ir ao teatro”, diz Mônica. Custeado através de patrocínio da Cosern e do Governo do Estado, por meio da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, a dupla jornada jazzística tem preços acessíveis e muitas horas de prazer estético garantido.

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