Terremoto em João Câmara

Os abalos que colocaram a cidade de João Câmara no mapa sismológico nacional, principalmente o maior de todos eles, em…

Os abalos que colocaram a cidade de João Câmara no mapa sismológico nacional, principalmente o maior de todos eles, em 30 de novembro de 1986, é o destaque central de um livro recém-lançado narrando o histórico dos terremotos em solo do Brasil.
De autoria de José Alberto Vivas Veloso, um pesquisador aposentado pela Universidade de Brasília, o livro “O Terremoto Que Mexeu com o Brasil” é um mapeamento em forma de prosa dos principais abalos que sacudiram o país, desde o tempo do Império.
A Folha de S. Paulo dessa sexta-feira traz uma boa matéria sobre a obra de Veloso, que há 28 anos foi um dos profissionais a ser enviado ao RN, especificamente para João Câmara, para acompanhar o caso e avaliar o estrago dos 5,1 graus de magnitude.
Desde aqueles anos, não é raro ouvir pessoas relembrando do ocorrido e contando com detalhes o momento do tremor, sem esquecer onde estava e na companhia de quem. Pouca gente em Natal esqueceu aquela noite de novembro, 15 dias após as eleições.
A Justiça Eleitoral ainda contabilizava votos nos grotões (vivíamos a tecnologia do voto em cédula de papel) depois da enxurrada de votos do PMDB em todo o território nacional, elegendo 22 governadores de 26 possíveis e a maioria absoluta do Congresso.
Os candidatos a deputado federal disputavam também o direito a participar da Assembléia Constituinte que promulgaria a Constituição de 1988, que Ulysses Guimarães chamaria de “cidadã”. Geraldo Melo foi eleito governador dos potiguares.
Em abril, sete meses antes da eleição, eu havia deixado São Paulo com a missão de arrumar emprego, montar uma casa e trazer para Natal a mulher com a primeira filha, nascida em novembro de 1985. No terremoto, ela acabara de fazer um aninho.
Meu primeiro trabalho ao chegar foi na campanha eleitoral, criando textos para o deputado Rui Barbosa, que acabou sendo o mais votado do PMDB, superando em apenas algumas centenas de votos o sobrinho de Aluizio Alves, Carlos Eduardo.
Meu contato com Rui tinha acontecido antes de partir para Sampa, fora apresentado a ele por Tarcísio Gurgel, num encontro casual no Centro de Convivências, da UFRN. Como redator do “Camisa 10 da Assembléia”, vi de perto a vitória de Geraldo Melo.
O compromisso profissional com a candidatura de Rui a deputado estadual não era um conflito para que nas horas vagas eu perambulasse na companhia do sociólogo Lincoln Morais, meu dileto amigo, apoiando sua luta por uma cadeira na Câmara Federal.
Visitava escolas, fábricas e centros comunitários com ele, explicando didaticamente o que significava a Constituinte e o porquê de elegê-lo para representar o RN. Entre uma palestra e outra, eu e Lincoln sorvíamos litros e litros de cerveja, por toda Natal.
O apartamento dele era no quinto andar do Edifício Wimbledon, onde eu me instalara até conseguir alugar uma casa. Só passava na casa dos meus pais para trocar as roupas. Durante as eleições, o prédio foi considerado em risco por problema nos alicerces.
Na noite de 30 de novembro de 1986, tomamos um monte de cervejas com algumas amigas na Confeitaria Atheneu, ali na esquina do edifício. Meu amigo foi dormir na casa da namorada e eu me recolhi numa rede, armada na sala do apartamento.
Acordei com as paredes balançando, o concreto rangendo e o barulho de um violão despencando da estante. Instintivamente, corri à varanda, por onde entravam os gritos da vizinhança, mulheres de camisolas e calcinhas, homens de pijama, todos na rua.
Já sentado no parapeito, calculando o impacto de um salto na grama e o estrago físico que poderia ocorrer, fui respirando devagar e percebendo que o prédio não iria desabar. Depois desci tranquilamente pelo elevador e fui de táxi concluir o sono noutro lugar.
O terremoto de 5,1 graus daquela noite gerou filhotes e por várias vezes ao dia era possível sentir os pequenos tremores, principalmente no então condenado Edifício Wimbledon, com suas paredes gemendo num barulho que metia medo e até pavor.
Outros abalos em João Câmara reverberaram em Natal anos depois, mas sem jamais provocar o quase pânico daquele de 1986. Dificilmente quem o sentiu esquece o momento exato. Imagine quem encheu a cara pelo primeiro aniversário de um filho. (AM)

 

Automóveis
Alguns leitores denunciam que diversas lojas de carros zero km retiraram vários modelos de exposição nos últimos dias de 2013 para vender somente a partir de hoje, já com o aumento do IPI determinado pelo governo Dilma Rousseff.

Réveillon
Muita reclamação pelas redes sociais, principalmente no WhatsApp e Instagram, contra a festa de réveillon realizada no Centro de Convenções. Queixas pela falta de estrutura e organização e até pela ausência de um cantor de pagode que não compareceu.

É guerra
Surda, por enquanto, a batalha entre PMDB e PT por causa da composição do Senado em 2014. Os petistas querem de todo jeito a maioria da bancada, pois só assim farão mudanças constitucionais de interesse ideológico. O PMDB não quer permitir.

No RN
A deputada federal Fátima Bezerra (PT) já sabe que o presidente nacional do partido, Ruy Falcão, não tem ingerência sobre o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), que já praticamente fechou aliança com Wilma de Faria, do PSB.

No Ceará
A gana do PT em ocupar o Senado gerou imbróglio com os aliados também do estado vizinho. Após o deputado José Guimarães (irmão de Genoíno) lançar pedras contra Eunício de Oliveira (PMDB) e Inácio Arruda (PCdoB), o troco veio com força.

No Ceará II
O deputado estadual do PCdoB, Lula Morais, saiu em defesa das duas lideranças e bateu em Guimarães e no PT: “Na política, ninguém pode ser guloso, o PT quer todos os senadores do Estado, quer tudo no Brasil? Tem que reduzir a gula”, disparou.

Só dinheiro público
“O ano começa com o STF prestes a jogar o sistema político na clandestinidade. Quatro ministros já acolheram a Ação Direta de Inconstitucionalidade que quer proibir a doação de empresas a campanhas eleitorais”. Reinaldo Azevedo, na Folha.

Há 60 anos
Em 3/1/1954 Einstein escreveu a Eric Gutkind, filósofo alemão: “A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis”.

Previsões
Dezenas de leitores atenderam o pedido no final do artigo de ontem, “Esotéricos e a Copa”, e arriscaram previsões e prognósticos. Para João Carlos Paiva o Brasil vence numa final contra a Alemanha; já Daniel Galvão diz que a Espanha será bicampeã.

Previsões II
Diego Julio Correia Dantas aposta numa final Argentina x Alemanha, com vitória dos hermanos; Anna Beatriz Morais afirma “campeã é a Inglaterra, Brasil vice”; e Matheus Luiz Filho garante “Argentina vence a Alemanha na final”. Amanhã tem mais.

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