Terreno de cemitério pode virar crematório no bairro do Planalto

Prefeitura promete ampliar vagas em Igapó como medida paliativa

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Há quase uma década, o projeto de construção do Cemitério Público do Planalto se arrasta como um morto-vivo – mais morto do que vivo obviamente. Agora a atual gestão municipal quer transformar o que seria o cemitério no primeiro crematório público do Nordeste. Mas o projeto ainda não está decidido.

De acordo com Kellington Gama, chefe do setor de cemitérios da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), o déficit de vagas em Natal é de 4 mil túmulos nas necrópoles públicas (Ponta Negra, Nova Descoberta, Igapó, Alecrim, Bom Pastor 1 e 2).

Na atual situação, quem morre só entra no cemitério se tiver um jazigo da família com vaga. Caso contrário, pode ser enterrado nos espaços entre um túmulo e outro como acontece no Bom Pastor 2. A última alternativa seria pagar por um túmulo em cemitério particular.

Nossa equipe de reportagem esteve no Cemitério do Planalto no sábado passado e constatou o abandono. O único prédio do lugar, que seria o centro velatório e a sede administrativa, está aos pedaços. Infiltrações, restos de comida, roupas, tênis, mau cheiro, fezes humanas e quase tudo que se pode imaginar de um lugar abandonado. Os muros que cercavam o terreno também foram derrubados. O mato que cresce virou alimento para burros. Além disso, moradores usam o cemitério como atalho.

As latinhas de refrigerante, possivelmente utilizadas como cachimbo, junto com as fogueiras sugerem que pessoas se abrigam no local para uso de drogas. Os indícios são confirmados pela comerciante Adriana Xavier, que mora há oito anos numa rua vizinha ao logradouro. “Usam pra fumar drogas, só pra fazer o que não presta. Já roubaram tudo, gastaram o dinheiro e não serviu para nada”, protesta.

E para a preocupação de Adriana e todos os natalenses não foi pouco dinheiro público investido: R$ 500 mil. Do centro de velório, levaram portas, janelas e estão começando a roubar até as pedras de paralelepípedo das ruas. “Há dois meses fomos lá e constatamos essa situação. Até colocamos um vigilante lá à noite”, informou Kellington.

CREMATÓRIO

O chefe do setor de cemitérios da Semsur também explica que a perspectiva agora é construir o primeiro crematório público do Nordeste no terreno do cemitério. Para ele, do jeito que está, só com um novo investimento na estrutura despedaçada da necrópole. Ainda de acordo com Kellington, o Banco Mundial teria oferecido um empréstimo no valor de R$ 7 milhões para ser pago em 70 anos para a construção do crematório.

No entanto, culturalmente a população não está habituada a esse tipo de destinação dos corpos dos seus entes queridos. Dessa forma, o déficit de 4 mil se manteria problemático. A Prefeitura não tem um projeto alternativo de Cemitério. O paliativo será a ampliação das vagas do cemitério do Igapó e de acordo com a Semsur haverá a abertura de 800 vagas.

Em 2009, a obra do cemitério foi embargada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e segundo Kellington Gama o entrave da licença ambiental poderia ser liberado nos dias de hoje. “A paralisação foi por questão política”, finalizou, pontuando que tudo começou na gestão de Carlos Eduardo e foi paralisada em gestão Micarla de Sousa.

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