Do tombadilho

Fazia um tempo, Senhor Redator, que não abandonava os olhos nesse pedaço de mar que se recorta daqui deste alpendre.…

Fazia um tempo, Senhor Redator, que não abandonava os olhos nesse pedaço de mar que se recorta daqui deste alpendre. Pequeno tombadilho, se fosse um barco. Ou, um guarda-corpo, de onde derramo a tristeza dos dias medonhos perdidos no trânsito dessa vida dita moderna. Por mim, e sei da pobreza de não poder sequer sonhar, não deixaria por nada nesse mundo as sombras das minhas telhas e a companhia mansa desses livros velhos que aguardam minha chegada logo cedo, todas as manhãs.

Ora, pra que sair se lá fora todas as novidades são antigas e aqui, pelo menos, tenho as velhas notícias de outros anos? Se os amigos silenciosos moram ao lado, esperam e não reclamam a ausência? Basta um toque do olhar seguindo o caminho ondulado dos seus dorsos; o corte às vezes sujo de suas páginas por entre as fímbrias, se um mundo inteiro se abre? Cada um guardando entre as suas páginas a sua própria história, carregado da presença de outras mãos diluídas na alegria de cada descoberta?

Nunca esqueci. Descíamos enlouquecidos de alegria as ladeiras rasgando o silêncio dos becos das Rocas a caminho da praia. À frente da Bandagália, um litro de uísque na mão, a figura de Firmino Moura. Não resistiu e saiu seguindo a banda. Braços para o alto, cabelos desgrenhados, lá ia ele, como Mário Melo, cantando, cantando. Hoje, desfeito das alegrias que deixei naquele último carnaval de rua, ainda ouço Firmino Moura avisando, na chegada: ‘É o mar. É o mar!’. E a banda tocando saudades.

Cadê Firmino? Partiu para a eternidade. E as nossas alegrias que pareciam eternas, onde estão? Talvez nas águas desse mar que nos viu cheios de vida. Naqueles anos os relógios marcavam cada minuto a mais nas nossas vidas. Mesmo assim, de repente, uns resolveram partir mais cedo deixando como herança esse mundo de saudade sem igual. Aquele mesmo mundo na evocação saudosa dos carnavais do Recife, Mário Melo brincando ao lado de Felinto, Pedro Salgado, Guilherme e Fenelon…

Nem sei, Senhor Redator, se foi esse mar tão ausente nesses dias de abril, como no soneto triste de Lêdo Ivo. Longe e, no entanto, essas saudades tão perto do alpendre, ancoradas como as mágoas de amor. A quem perguntar por um mundo morto, nas horas aflitas dessa saudade que teima em arder na brasa desse charuto com sua fumaça que se esvai em volutas azuis? Quem me levará pela mão se as canções também morreram de tristeza nas águas desse mar antigo viajando sozinhas com as nuvens?

É o tempo, Senhor Redator. Velho enigma com sua sombra a caminhar nas tardes de saudade. Sempre acreditei que a vida não mora nos relógios, nos movimentos maquinais, minuto a minuto, urdindo o tempo. Foi culpa daquela juventude que não terminava nunca. Não vi que os relógios não controlam o tempo, mas sabem diminuir a vida, segundo a segundo. Como naquele cilindro na sala sombria do velho laboratório de Bonn que nunca tive coragem de conhecer. Com medo de ter medo…

 

RISCO – I

É real o risco da governadora Rosalba Ciarlini ficar inelegível na medida em que perdura a decisão judicial de que houve o abuso de poder político e econômico na eleição da prefeita Cláudia Regina.

EFEITO – II

A governadora não seria cassada, adiantam as fontes jurídicas, pois o abuso não ocorreu em favor da conquista do seu mandato, mas ficaria inelegível como a prefeita de Mossoró, afastada do mandato.

FEIO – I

É incrível que políticos experientes como o prefeito Carlos Eduardo e ex-governadora Wilma de Faria tenham engendrado tão amadoristicamente esse vazio injustificável e desrespeitoso aos natalenses.

DE …- II

Um lado o prefeito cumpre a viagem de dez dias ao exterior como se fosse inadiável e sem apresentar uma justificativa consistente, a não ser o seu poder de fazer sem precisar justificar nada a ninguém.

DO… – III

Outro, seu maior engano e seu erro mais elementar: imaginar que a opinião pública, por ser invisível a quem deseja vê-la, não existe pelo fato de não poder ser fotografada em sua imaterialidade palpável.

NÃO – IV

Importa que o prefeito constitucional, goste ou não, confie ou não confie no presidente da Câmara de vereadores. Ele não podia, só por preferência, era deixar a cidade abandonada e sem um responsável.

ALIÁS – V

Que não venham os juristas oficiais, com jurisprudência de cama e mesa, substituírem o bom senso por artigo desta ou daquela lei. A verdade é aquela deste JH: a cidade está abandonada. Ficou muito feio.

ELEIÇÃO – I

Eleitos os membros do Conselho Regional de Medicina Veterinária aqui no RN: os médicos Francisco Ferreira Lima (presidente) e Arnaldo de Andrade Júnior (vice) com mandato para o triênio 2014-2017.

PRESENÇA – II

A eleição contou com a presença em Natal do presidente do Conselho Federal, médico Benedito Fortes de Arruda. A reeleição do conselho regional teve a maioria consagradora de 75% dos votos no Estado.

EXEMPLAR – I

Tiro de elite a carta aberta de Eliane Cantanhede ao ministro Joaquim Barbosa. Estranha que após mais de quatro meses a prisão domiciliar de José Dirceu não tenha sido cumprida como manda sua sentença.

E – II

Ainda põe o dedo na grande contradição lembrando que o STF reconheceu não ter havido organização de quadrilha, portanto, Dirceu não pode ser acusado de chefiá-la. E assinou a carta com ‘uma cidadã’.

COPA

Por falar em dureza, tem a matéria de seis laudas da revista francesa ‘France Footeball’ da sua ‘edição de luto’, baixando o cacete na Copa que o Brasil organiza, com a sua mistura de ‘medo e corrupção’.

SOS

O Palácio do Planalto tanto teme que a copa se transforme numa referência de lutas sociais que vai iniciar uma ofensiva publicitária. Teme que saia pelo ralo petista algo que já custou R$ 25 bilhões.

TOLA GREVE

A declaração do governador da Bahia, Jaques Wagner, um militante de esquerda acusando a greve da PM de ser política. Toda greve é política. Por resultados ou por confronto ideológico. Inclusive as que ele fez na juventude.

Compartilhar:
    Publicidade