“Tomei remédio para não enlouquecer”, diz porteiro confundido com estuprador

Paulo Silva passou quase seis anos preso e pode receber indenização de R$ 2 milhões do Estado

Porteiro preso por engano. Foto: Divulgação
Porteiro preso por engano. Foto: Divulgação

O porteiro Paulo Antônio Silva, condenado por engano pelo estupro de duas crianças, disse que está satisfeito com a indenização de R$ 2 milhões que pode receber do Estado de Minas Gerais. O idoso, de 68 anos, passou quase seis deles encarcerado.

“Vai ser muito bom. Mas pelo sofrimento que eu passei, ficar no meio de preso na cadeia, dentro de um muro de oito metros de altura, ainda numa acusação de estupro. Não fiquei doido porque fui atendido com remédio para não enlouquecer”.

O aposentado vive hoje em uma casa simples, de três cômodos. Os cinco anos e sete meses de prisão deixaram marcas. Além dos problemas psicológicos, ele está perdendo a visão.

“Da liberdade que eu perdi e de saúde também, tem gente que fala comigo ‘o dinheiro do mundo todo era pouco'”.

As duas filhas do aposentado sofreram junto com ele e tiveram que aguentar a ausência do pai durante parte da infância e da adolescência, além de humilhações para visitá-lo na cadeia. Trauma que, segundo Natália Peixoto Silva, dinheiro nenhum vai pagar.

“A gente perdeu a infância. Ter que ir visitar ele todo domingo. Na escola era muito difícil, eu não tinha coragem de contar para as pessoas o que aconteceu”.

O governo de Minas já afirmou que vai recorrer da decisão. O juiz responsável se baseou em casos semelhantes para chegar ao valor da indenização. O magistrado também determinou que Silva receba os salários que perdeu enquanto estava preso. Ele trabalhava como porteiro em um bairro da região nordeste da capital.

Semelhança

Em 1997, por causa da semelhança física com Pedro Meyer, o verdadeiro autor dos crimes, Paulo Antônio foi confundido com o estuprador em série. Ele só foi considerado inocente quando o criminoso foi preso, em 2012. Meyer,que ficou conhecido como “Maníaco do Anchieta”, foi reconhecido 15 anos depois por uma vítima que o viu na rua.

Exames de DNA comprovaram o engano. Depois de solto, muita coisa mudou na vida do aposentado. Ele fez tratamentos psicológicos e se separou da mulher. Após tanto tempo, Paulo Antônio não perdoa quem o condenou injustamente.

“Eu tenho muita revolta com isso”.

Fonte: R7

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