Torcedores encaram longas filas na busca por últimos ingressos da Copa

Vendas também foram retomadas pela Fifa na internet, desde a madrugada de hoje

fila

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Quem tirou a manhã para garantir ingressos para a Copa do Mundo no último lote oferecido pela FIFA teve que enfrentar uma fila extensa no shopping Cidade Jardim, ponto de vendas oficial dos ingressos do mundial, e ainda passar por situações de desorientação. Segundo as próprias pessoas que estavam na fila de compra, a equipe de suporte da Match Services, empresa escolhida para fornecer os ingressos do mundial, estava destratando aqueles que buscavam informações.

Cerca de 180 mil novos bilhetes foram postos à venda no site www.fifa.com/ingressos, na madrugada desta quarta-feira (4), com entradas para todos os 64 jogos. O objetivo foi de dar chances iguais a todos os torcedores interessados, independentemente do fato de viverem em uma das 12 sedes da Copa do Mundo da FIFA, em outras cidades brasileiras ou no exterior. Porém, as vendas também foram feitas em cada cidade-sede do mundial, presencialmente.

Na capital potiguar, quem chegou ao local por volta das 9h da manhã, horário de início das vendas, já encontrou a fila se formando nas dependências do shopping. A alta demanda fez com que as vendas fossem iniciadas meia hora antes. Muitos que chegaram depois do início e buscaram informações, foram destratados e saíram sem uma orientação clara.

“Cheguei por volta das 10h40, fui ao balcão perguntar sobre os jogos que estavam disponíveis, e a mulher disse que eu procurasse me informar na internet. Achei uma grosseria. Ainda fiquei alguns minutos pensando se valeria apena esperar mais um tempo, mas vou embora”, disse a estudante Camila Torres, 24.

Antônio Bessa, português que mora em Natal há dois anos e meio, foi com a esposa e o filho ao ponto de vendas para tentar garantir algum ingresso para o jogo de Natal. “Quando vi a notícia da liberação de mais ingressos, me programei para vir atrás de entradas para o jogo de Grécia e Japão. Perguntei se tinha disponível e me mandaram aguardar na fila. Isso sem nem olhar para mim”, disse. “Tenho intenção de comprar ainda, mas acho um desrespeito a falta de educação das pessoas da organização. Eles têm que ter bom senso e calma”, afirmou.

Este novo lote de ingressos vem da cota de contingência da FIFA em algumas arenas, possível após a entrega dos estádios. Além disso, após cerca de 10 meses de vendas, a FIFA observou que há uma demanda muito pequena por assentos dedicados a pessoas com mobilidade reduzida. Portanto, a FIFA tornou a maior parte deste inventário disponível para todos os torcedores, mantendo alguns destes assentos ainda reservados.

Pedro Augusto, 23, disse que estava disposto a comprar ingresso para qualquer jogo de Natal. “Já estava afim de comprar algum jogo, mas tinha perdido a oportunidade. Vou arriscar o que tiver para Natal. Acho que vale a pena participar desse mundial”, afirmou.

SEM CONTROLE

Alguns veículos de comunicação que foram registrar a ocasião de vendas dos ingressos, como a equipe de reportagem deste vespertino, saiu de lá sem uma única informação oficial das vendas de hoje em Natal, por falta de controle e educação dos funcionários da Match Services.

O despreparo e destrato com a imprensa chegou a causar tumulto no ambiente e indignação dos profissionais que estavam lá a trabalho. Ao chegarmos à área do shopping, por volta das 11h, uma funcionária que recepcionava o púbico na formação da fila se negou a orientar a reportagem. A forma que a funcionária encontrou para dizer que não tinha autorização de dar entrevista foi virando as costas a equipe do JH.

“Apenas os torcedores poderiam dar entrevista, desde que estivessem fora da área de acesso ao ponto de vendas”, foi o que um dos seguranças disse, já expulsando a equipe da área isolada aos torcedores. Do lado de fora, onde a imprensa era permitida abordar as pessoas, uma barra de ferro que estava sendo usada para suporte de uma tenda caiu e atingiu a cabeça desta repórter. Na hora, os funcionários da Match Services não prestaram assistência. A ‘solidariedade’ ficou por conta de funcionários terceirizados que fazem controle do estacionamento do Cidade Jardim.

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