Torcedores mostram muita criatividade na hora de conseguir ingressos

Mineiro passou madrugadas em frente ao computador à espera de milagre no site da Fifa

Pelo Mundial. Leda Prado deixou o filho emprestar seu imóvel no Recreio.Foto: Divulgação
Pelo Mundial. Leda Prado deixou o filho emprestar seu imóvel no Recreio.Foto: Divulgação

Em todos os sorteios de ingresso da Copa do Mundo, lá estava o mineiro Caio Prado Paranhos, de 27 anos, olhos vidrados no site da Fifa. Apesar das diversas tentativas desde o primeiro lote colocado à venda, o administrador de empresas não conseguiu nenhuma entrada. Logo ele, que viu todos os jogos da seleção brasileira na Copa das Confederações. Mas uma partida Caio não suportaria deixar de assistir in loco, haja o que houver: a final, dia 13 de julho, no Maracanã. Diante dos ingressos já esgotados, e se recusando a recorrer ao mercado ilegal de cambistas, ele foi criativo e lançou uma curiosa oferta nas redes sociais: uma temporada no apartamento de sua família no Recreio — um dois quartos de 86 metros quadrados, de frente para o mar — em troca de quatro ingressos na finalíssima.

“Quero muito ir com meu pai e irmãos, mas não aceito pagar o que estão cobrando. Então lembrei do apartamento. Costumo vir ao Rio para surfar duas vezes ao mês, mas no Ano Novo vamos para Porto de Galinhas. E, no carnaval, não fazemos questão de vir”, diz.

O maior empecilho para o escambo era mãe. Mas o pai de Caio entrou em campo para tentar convencer Leda Prado, que acabou se conformando.

“Quando o Caio bota uma coisa na cabeça, não tira até conseguir o quer. É muito determinado desde criança”, disse.

Faltou sorte

As negociações foram abertas anteontem. O belo-horizontino recorreu às comunidades do Facebook criadas por pessoas à procura de bilhetes. De cara, recebeu a proposta indecente de um cambista, prontamente recusada: o apartamento durante vinte dias e mais R$ 13 mil. Em mensagem privada, chegou uma mais consistente: 10 dias no réveillon e mais 10 dias no carnaval por quatro bilhetes. Enquanto isso, abaixo de seu post, choviam comentários duvidando da veracidade do apartamento — possivelmente pela peculiaridade da oferta, incomum neste universo nem sempre muito confiável, onde é possível encontrar todo tipo de pessoa.

O administrador diz que, há três semanas, numa tática radical para conseguir um bilhete de última hora, se pôs em frente ao computador pontualmente às 4h45m, todos os dias. Ficou lá, monitorando as atualizações do site da entidade, à espera de um ingresso — ou de um milagre. Não conseguiu nada, além da exaustão. Mas agora, com a entrada do apartamento no jogo, Caio está confiante que conseguirá ir à final.

“Não posso perder esse jogo, uma final no Maracanã, no quintal da nossa casa. É histórico”, justifica-se.

Nas redes sociais, enquanto negociava o empréstimo do apartamento da família, o mineiro ficou tentado com uma outra oferta, feita por um morador de São Paulo: “Troco meu ingresso na final por um Playstation 4”, dizia o pedido. Caio, que comprara há pouco o novo console do videogame, apresentou-se. Mas, ao que parece, o vendedor mudou de ideia e desapareceu.

‘Estou nessa saga desde o ano passado. Comecei no primeiro sorteio, fiz tudo direitinho, como havia feito na Copa das Confederações. Faltou sorte mesmo. Mas alguém deve estar se beneficiando da desordem na venda de ingressos, aleatória demais para mim”.

Fonte: O Globo

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