Torcida organizada do Grêmio já teve que expulsar neonazistas infiltrados

No jogo de domingo, entre Grêmio e Bahia, torcedores gremistas levaram faixas e cartazes contra o racismo

Polícia Civil já apreendeu armamentos com torcedores nazistas de organizada do Grêmio. Foto: Divulgação
Polícia Civil já apreendeu armamentos com torcedores nazistas de organizada do Grêmio. Foto: Divulgação

O recente episódio de racismo protagonizado por torcedores do Grêmio contra o goleiro Aranha no jogo contra o Santos, na quinta-feira passada em Porto Alegre, tem sido veementemente repudiado pela direção e pela maioria da torcida. Mas há alguns anos a situação já foi muito pior, quando a organizada Geral do Grêmio teve que expulsar neonazistas infiltrados entre os torcedores.

“No trabalho que nós fizemos, há dois anos, foram identificados nazistas infiltrados na Geral do Grêmio… atualmente não tenho identificado. Eu diria que a própria torcida Geral na época tomou ação mais forte contra o nazismo”, disse o delegado Paulo César Jardim, conhecido combatente contra crimes de ódio cometidos no Rio Grande do Sul.

A infiltração nazista dentro da torcida gremista ganhou notoriedade em 2007, quando três torcedores esfaquearam com 11 estocadas um jovem após um Gre-Nal válido pelo campeonato Brasil. Mas o problema não se resumia aos torcedores.

Durante os mais de 10 anos em que atua nessa frente, o delegado já indiciou 35 nazistas no Estado, sendo que muitos deles estão respondendo nos tribunais pelos crimes de tentativa de homicídio, formação de quadrilha e corrupção de menores.

As investigações realizadas por Jardim em colaboração com a Polícia Civil de São Paulo possibilitaram o desmonte de células neonazistas que pretendiam colocar explosivos em uma sinagoga e na Parada Livre de Porto Alegre, em 2010.

Em entrevista, um dos frequentadores da Geral do Grêmio, desde 2002, André Guterres disse que não pode responder pelo grupo torcida. Afirmou, no entanto, que “me atreveria a dizer, sempre foi coibido qualquer ato racista dentro da Geral. É o setor mais popular, onde mais tem negros e pobres. Onde se misturam pessoas da classe média e baixa. Seria meio contraditório as pessoas que frequentam a Geral fazer apologias ao racismo. As pessoas que frequentam a Geral coíbem o racismo. Nós, conselheiros do Grêmio, temos uma tarefa até dobrada. Repudiamos qualquer ato de racista. Sempre foi coibido e repudiado”.

No jogo de domingo, entre Grêmio e Bahia, torcedores gremistas levaram faixas e cartazes contra o racismo após a repercussão que o caso teve no final da semana passada. Entretanto, torcedores voltaram a entoar cânticos que se refere à torcida adversária do Internacional como “macaco imundo”.

Fonte: Terra

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