Tradição e mudança – Vicente Serejo

Não deixou de ter o forte requinte da criatividade e ousadia a estratégia do PMDB ao antecipar, ainda na fase…

Não deixou de ter o forte requinte da criatividade e ousadia a estratégia do PMDB ao antecipar, ainda na fase da propaganda eleitoral gratuita, portanto, antes do período eleitoral, o novo tom de um partido hoje de um verde esmaecido de tantos governismos para assumir a idéia da mudança. Quando nada – e não será pouco, convenhamos – apropriou-se de um valor que vem para nutrir aquela que hoje é a maior carência do Rio Grande do Norte empobrecido na sua capacidade de ter esperança no futuro.

É como se fosse uma releitura sutil – como há de ser a boa comunicação – de um sentimento que é muito conhecido, e é, mas nunca desaparece da condição humana: a esperança feita da convicção de que é possível mudar e construir um futuro de dias melhores. Mais: uma mudança que antes de tudo precisa ser assumida como o valor da tradição com a chancela de garantia, para que mudar não venha de novo um jogo de proselitismo numa política feita hoje de lideranças conservadoras e improdutivas.

Não é, mesmo mantida a sua ação sobre um campo verde, a mesma força simbólica daquela esperança de 1960, há meio século, quando um jovem político rasgou a mesmice e incendiou aquelas almas adormecidas pelo desânimo. Mas, quem sabe, pode restaurar em cada eleitor – dos mais jovens aos mais adultos – o ânimo de um orgulho que não morreu de todo. Mesmo que cada um possa carregar na alma e na carne uma espessa camada de indiferença depois do tanto que feriram seu bom orgulho.

A estratégia de comunicação naquilo que o marketing pode revelar e ao mesmo tempo esconder no seu jogo frestas – afinal não é de sua natureza desnudar-se por inteiro, mas trabalhar sobre o tecido fino das sensações – quer associar mudança com tradição. Não é aquela mudança que muda de nome, e mantém o método, mas mudança que assume nomes muito conhecidos e, por isso mesmo, se credencia a lançá-los como tradição e segurança, dando um basta na aventura que é apostar no desconhecido.

O que se pode por em dúvida, a essa altura que os jogadores fizeram suas apostas, é se será um caminho fácil de ser aberto no sentimento coletivo. Como um bom plantio, exige destocar o terreno, queimar as ervas daninhas e fazer a semeadura. Não importa se a semente é a mesma – a esperança. É essencial que tenha a força de uma sinceridade que nos últimos anos foi massacrada pelo descaso e a indiferença na distância fria e prepotente que a ninguém estende a palavra e o gesto em nome do bem.

Ninguém garante o sucesso de uma estratégia. Nem os seus protagonistas. E a comunicação não pertence a quem emite, mas a quem recebe suas mensagens. Ou, se empanados na forma erudita da ciência, como querem alguns, os atos retórico precisam ser mais do que apenas entendidos. Precisam ser compreendidos. E só uma força simbólica vence a velha lição da sabença popular de que às vezes é melhor ser desconhecido do que ser conhecido demais: se for o símbolo de uma boa e segura tradição.

TAREFA

Para o candidato Henrique Alves, mais difícil do que conquistar o voto é acomodar as disputas internas dos partidos da aliança. Há guerras medonhas travadas na calada noite, das prendas aos biscoitos finos.

PETISMO

O vereador Hugo Manso pode ser candidato a deputado estadual. Alguns dos seus amigos alegam que sua luta é partidária. Convocado não se negará a somar votos para Fátima Bezerra e Fernando Mineiro.

OLHO – I

Dizia a fonte do MP na modorra do domingo: ‘Só teremos suspeitas sólidas se houver coincidência de razões sociais de prestadores de serviço à Prefeitura e o casamento da filha do prefeito de Parnamirim’.

MESMO… – II

Assim, adiantou entre um gole e outro de uma água bem gelada: ‘Pode ter sido uma precipitação. Se as notas fiscais forem legais e compatíveis com a lógica, não há como formular uma denúncia lastreada’.

DE… – III

Qualquer modo, acrescentou o promotor, fica o exemplo de que na vida pública, mesmo com recursos próprios, a ostentação não é bom caminho. As redes sociais são hoje os tribunais contra a ostentação’.

ATENÇÃO – I

O deputado Agnelo Alves é candidato a um novo mandato na Assembleia, mas não pensem que será o candidato à espera de milagres. Ele sabe o que tem e o que foi pactuado. E sabe defender seus roçados.

POR… – II

Falar em roçados, Agnelo vem trabalhando o apoio de lideranças da região historicamente próxima da tradição familiar, os roçados em torno do Cabugi. Além de sua votação expressiva lá em Parnamirim.

AVISO – I

Os agripinistas mais empertigados, o que quase sempre é típico, desdenharam da informação publicada aqui sobre o empenho do governo em aprovar o nome de Rosalba Ciarlini na sua convenção partidária.

QUE… – II

Duvidem, é legítimo. Só não durmam, candidamente, sobre os arminhos da glória. A política é como a noite: esconde no rosto do falso as frias réstias da traição. Dos falsos-heróis é que nascem os traidores.

ALIÁS – III

Não é no desgosto que viceja a traição. É no ressentimento. O ressentido, rezam os velhos lunários das perpétuas premonições, é como o falso humilde – nunca perdoa a quem nega a conspícua consideração.

PRENÚNCIO

De Jânio de Freitas, na Folha, sobre as amarguras de Joaquim Barbosa: ‘As cassações de direito ao trabalho externo, lançadas recentemente por Barbosa, já lhe prenunciavam uma sucessão de derrotas’.

REVANCHE

Pelé confessou na sua entrevista exclusiva à Folha de S. Paulo: gostaria que a final da Copa fosse entre Brasil e Uruguai. Como jogador e brasileiro, ele deseja a revanche. Com uma grande vitória do Brasil.

TOALHA

Carlos Heitor Cony sobre o fim do verão na Lagoa Rodrigo de Freitas: ‘Na lascívia infanto-juvenil que persegue os homens maduros nada é mais sensual do que um corpo de mulher enrolado numa toalha…’

NUDEZ

Depois, num instante tristemente belo, ele associa a visão da mulher enrolada numa toalha a Frineia, a antiga, aquela de Atenas que diante dos juízes arrancou a túnica e na beleza de sua nudez foi absolvida.

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