Tradutor facilita comunicação entre taxistas e turistas durante a Copa

Aplicativo de celular usado por um taxista de Natal é a solução encontrada para lidar com outros idiomas

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e idiomas estão começando a chegar a Natal para participar e torcer pela suas seleções que estarão disputando a Copa do Mundo. Para essas pessoas, a comunicação em um país desconhecido muitas vezes é dificultada pela falta de conhecimento da língua do país para o qual se destina. Em caso de grandes eventos mundiais, como a Copa, recomenda-se a comunicação na língua inglesa, por ser a mais falada no mundo.

Para facilitar a conversação com pessoas de diferentes nacionalidades, o taxista Alexandro Ferreira, que trabalha em um ponto de táxi em Ponta Negra, recorreu à tecnologia dos smartphones, aparelhos celulares que disponibilizam aplicativos através da internet. Com fluência apenas na língua portuguesa, Alexandro está se confiando em um tradutor inteligente, que faz a tradução simultânea da voz em diversos idiomas.

“Alguns colegas me falaram sobre esse aplicativo e eu verifiquei que ele realmente funciona. Para nós, que trabalharemos diretamente com os turistas durante a Copa, pode ser uma grande ajuda”, disse.

Alexandro Ferreira utiliza o aplicativo Google Tradutor, disponível para celulares que funcionam no sistema android. Outros aplicativos com a mesma funcionalidade do Google Tradutor também pode ser baixado gratuitamente em diversos celulares que tem acesso à internet.

Esses aplicativos que fazem a tradução simultânea da voz – de fácil instalação e sincronização – permitem que os usuários se comuniquem sem problemas com os passageiros de táxis, bem como nos hotéis, empresas, restaurantes, clubes ou onde quer que os turistas estejam, em qualquer lugar do mundo, mesmo sem saber falar a língua local.

Os aplicativos também garantem rapidez na tradução, pois as palavras e frases são pré-gravadas no software do aplicativo, permitindo o entendimento do aparelho e a tradução simultânea, tanto na forma escrita como na oral para a língua desejada. O interessante é que o processo de tradução não é feito palavra por palavra, ele traduz frases a partir do contexto geral, ajudando o usuário a entender o que está sendo dito.

“Cheguei a utilizá-lo recentemente e funcionou bem. Sem dúvida ele será muito útil para utilizar com os turistas de qualquer lugar do mundo que estiverem aqui”, afirmou Alexandro, que não tem nenhum curso de qualificação em idioma estrangeiro.

QUALIFICAÇÃO

As cidades-sede da Copa do Mundo no Brasil, que iniciará no próximo dia 12 de junho, ofereceram ao longo dos últimos meses alguns cursos gratuitos de idiomas para profissionais que trabalham em diversos setores de serviços, entre eles, os taxistas. A iniciativa do Governo Federal voltada para a qualificação desses profissionais, trabalhada através do Sistema S e institutos federais das cidades, não atraiu a categoria de taxistas, que alega não haver condições de aprendizado em tão pouco tempo.

“Para saber falar inglês ou outro idioma, é preciso pelo menos três anos de curso qualificado. O que foi oferecido é um curso com duração de três meses, por exemplo, que não adianta de nada”, afirmou Lenivaldo de Oliveira, taxista em Natal há 14 anos.

Seu irmão, Lucinaldo de Oliveira, que também é taxista, disse que chegou a fazer um curso básico de inglês com duração de nove meses, porém fora das oportunidades gratuitas. “Isso foi há dois anos. Procurei um curso de conhecimento básico, pagando do meu próprio bolso, porque foi uma vontade minha mesmo”, disse. “Qualquer oportunidade de aprendizado vale à pena, mas é necessário um tempo mais longo de qualificação. Três meses é muito pouco. Os nove meses que fiz deram para aproveitar apenas o básico mesmo, só para eu saber me virar sozinho”, destacou.

Fabiano Cassimiro também é taxista, mas tem um pensamento diferenciado em relação à ‘necessidade’ de falar outro idioma para recepcionar turistas. “Se eu for aos Estados Unidos terei que saber falar inglês, certo?! Se os turistas vêm ao nosso país, são eles que têm que falar o nosso idioma”, afirmou. Com 22 anos de profissão, Fabiano disse que até se interessou em fazer um dos cursos de idioma. “Procurei o curso de idioma oferecido pelo Sest/Senat e o que recebi foi um cd e uma apostila para eu estudar em casa e, depois, fazer uma prova lá para receber o diploma. Como se interessar por isso? Não adianta, até porque não podemos parar o serviço todos os dias”.

Atualmente, a frota de Natal possui 1.010 táxis, os quais circulam diariamente atendendo a demanda de passageiros da cidade. Desse número, segundo os próprios profissionais da área, uma minoria se destaca com saber outro idioma.

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