Trágicos ou cômicos? – Vicente Serejo

Não sei, Senhor Redator, se somos tanto assim. Talvez trágicos e ao mesmo tempo cômicos. Tragicômicos, se a média cabe…

Não sei, Senhor Redator, se somos tanto assim. Talvez trágicos e ao mesmo tempo cômicos. Tragicômicos, se a média cabe melhor na alma nordestina, tão comedida na sua velha desesperança. Se nos falta a morte – mesmo diante da violência – para sermos trágicos, sobra o ridículo daquele riso grego que se abre para castigar os costumes. Se posso ousar, dos maus costumes, rapsodos que somos desse reinado que às vezes parece mais um terrível espetáculo de circo de tão verdadeiro em tudo.

Agora mesmo fomos protagonistas de um episódio que se ergueu acima de todas as previsões mediúnicas desse mistério cabalístico em que se transformou a política. Imagine se naquele turbilhão que foi a campanha de Rosalba Ciarlini ao governo, unindo a força de três senadores, de mãos dadas, quase todos os deputados federais e estaduais e todas as forças do mundo, algum maluco caísse na loucura de fazer previsões catastróficas em torno de uma estrela que vinha de longe, lá de Mossoró?

Claro, seria trucidado. Pior: seria decretado louco, com junta médica e laudo pericial, aquele que afirmasse quatro anos depois da glória da governadora que uniu os fortes e veio para ser símbolo da construção e do avanço, seria trocada por Wilma de Faria, a governadora a quem culparam tantas vezes por desmantelos que teriam destruído as finanças do Estado e acabaria deus dias de poder cassada pelo próprio partido, enfrentando o impeachment e abandonada num cenário constrangedor?

A diferença, Senhor Redator, é que a tragédia moderna dispensa a morte. Ou podem ser outras as mortes, afinal há muitas maneiras de matar. A imaginação, na política como na criação literária, é também um jogo na sua essência. Não é à toa que os teóricos falam no jogo da criação com sua força capaz de metaforizar a realidade. Não para inventá-la, mas certamente para treinar os muitos olhares no exercício da reinvenção. Às vezes, o apenas real é pouco para revelar o que há além da realidade.

Ou sendo mais claro: na verdade não é que a tragédia moderna dispense a morte. Tanto que o fato forte da reunião dos Democratas não foi o gesto manso de servir ao chefe ou ao líder, se assim atende mais aos reclamos da alma correligionária. Nem ao PMDB ou mesmo aos sortilégios de um filho. Foi a morte. A morte de uma candidatura que foi trucidada ali, com direito a lágrimas, ao luto e ao nojo, de tão trágico. Em toda tragédia há sempre uma morte, mesmo quando parece uma comédia.

E nada faltou dos requintes indispensáveis a uma cerimônia trágica, marcada pelo silêncio constrangedor. Do lado de dentro da alma de cada um, e ainda que embaladas pelo papel crepom da fidelidade, a consciência não enganará a si mesma. Mesmo que a roleta do poder tenha sua magia, daí serem inúteis as lágrimas que em vão tentaram amornar o frio terrível daquele infortúnio. Mas, os poderosos gostam do poder. E sabem vivê-lo e desvivê-lo sem fronteiras. Como um jogo. Nada mais.

PONTARIA – I

Experiente, a ex-governadora Wilma de Faria sabe que é o único símbolo da oposição e precisa não se contaminar pela chapa que ontem reunia os maiores correligionários do Governo Rosalba Ciarlini.

FOI… – II

Assim, quando manteve desde 2013 sua candidatura ao governo, levando o PMDB a temer ganhar as ruas para enfrentá-la, esse temor que foi assumido em declarações pelo ex-senador Fernando Bezerra.

DEPOIS – III

No início deste ano, quando das inserções da propaganda gratuita do TRE na tevê, a sua retórica de oposição foi objetiva e contundente, roubando do PSD a postura que deveria ter sido uma opção sua.

AGORA – IV

A governadora Rosalba Ciarlini, por sua vez, repetiu seu erro de atacar a ex-governadora esquecida de que nem seu próprio partido, o DEM, e seu maior aliado, PMDB, hoje apoiam Wilma ao Senado.

E… – V

Tudo acontece diante de uma decisão acachapante do DEM vetando a sua candidatura por 45 votos a 10, numa proclamação que não apenas negou a legenda a Rosalba como impôs uma cassação branca.

ALIÁS – VI

A governadora não deveria ficar surpresa. Foi esse núcleo, DEM-PMDB, há oito anos, que também tramou o veto ao ex-governador Geraldo Melo, fazendo de Rosalba Ciarlini uma senadora vitoriosa.

TOQUE – VII

Nada faltou na fala wilmista. Nem mesmo um instante de malícia ao lançar nos ombros de Rosalba a ironia de que ela incentivará o voto debaixo do pano para Fátima Bezerra. Será sua grande vingança?

VALOR

Impecável a escolha da presidente Dilma Rousseff ao nomear o desembargador Luiz Alberto Gurgel para ministro do Superior Tribunal de Justiça. Um nome que honra a tradição da magistratura do RN.

JURO!

Hoje, boca da noite, no clube de radioamadores, Leonardo Sodré, escritor e jornalista, autografa seu novo livro – ‘Eu Juro!’, ao som da banda dos anos sessenta. Com histórias sobre a boemia da cidade.

PSD

Na roleta das especulações do PSD a deputada Gesane Marinho seria a vice de Robinson Faria e seu irmão, hoje vereador em Natal pelo PMDB, assumiria a candidatura a uma vaga de deputado na AL.

GESTO

Hospital Infantil Varela Santiago homenageou o colégio Cei e a escola infantil Primeiros Passos pelo apoio e doação em favor do Centro de Onco-Hematologia Infantil, uma luta contra o câncer infantil.

LEILÃO

Uma das últimas peças arrematadas no leilão de ontem da livraria Babel Livros, do Rio, foi uma carta de Câmara Cascudo ao escritor Waldemar Cavalcanti. Com um lance final no valor de R$ 120 reais.

BEM

Abre dia 10, terça-feira próxima, na Casa de Câmara Cascudo, a exposição Bem do Brasil que reúne uma mostra sobre o Patrimônio Histórico e Artístico do Brasil. Visitação livre, de terça a sexta-feira.

PROSAICO

O Patrimônio Histórico Local proibiu a construção interna de um lavabo no Instituto Histórico como há nos palácios mais seculares do mundo. Terá, por isso, um só lavabo para aas damas e cavalheiros.

Compartilhar:
    Publicidade