Translado de torcedores mexicanos poderá ser por embarcações de menor porte

Capitania dos Portos do RN garante viabilidade e segurança para os tripulantes estrangeiros

7Pont

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Se havia obstáculo, agora não há mais. Os torcedores mexicanos que virão de navio assistir aos jogos da Copa do Mundo em Natal não terão que atracar no Porto de Recife e percorrer 280 km para ver a seleção do México no campo da Arena das Dunas. De acordo com o a Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte, o translado dos turistas até o terminal de passageiros do Porto de Natal pode ser feito com o navio atracado em águas potiguares, através do serviço de pequenas embarcações.

Essa solução para os torcedores não se desgastarem com a viagem até Natal foi apresentada pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). Em uma matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, no último dia 13 de abril, a Ponte Newton Navarro surgiu como um obstáculo para a passagem de navios de cruzeiro que deveriam atracar na capital potiguar durante a Copa do Mundo.

Segundo a reportagem, um navio que trará 3.500 torcedores do México para Natal, com 67 metros de altura, estaria impossibilitado de atracar no porto por ser maior que a “Ponte de Todos”. Por isso, a viagem dos mexicanos precisaria ser concluída com um percurso feito de estrada entre Recife e Natal.

“Fomos consultados pela Docas sobre a viabilidade de fazer esse translado com pequenas embarcações. Após análise, informamos que a Marinha não tem com o que se opor a proposta, desde que sejam atendidos alguns pré-requisitos para medidas de segurança”, afirmou o capitão dos portos, Alexander Neves Assumpção.

O capitão informou a O Jornal de Hoje que a Codern recebeu um comunicado oficial da Marinha, no última dia 10 de abril, informando sobre a aceitação da proposta. Conforme relatou à reportagem deste vespertino, Alexander disse que o translado de passageiros de navio à terra firme através de pequenas embarcações é um serviço já utilizado em grandes pontos turísticos do pais.

“Isso é muito comum de ser visto em Búzios (RJ), Cabo frio (RJ) e Ubatuba (SP), por exemplo, que são lugares onde não existem portos. Eles fazem embarque e desembarque de passageiros nos navios com o translado em embarcações de pequeno porte, alguns com capacidade de até 150 pessoas. Nunca foi visto nenhum problema com isso”, afirmou.

Entretanto, para que a medida seja efetivada em Natal, é necessário que o Porto adote algumas medidas de segurança apontadas no comunicado. Entre elas, a Marinha orienta que o embarque e desembarque dos torcedores mexicanos possam ser feitos no período diurno, preferencialmente pela manhã.

“No final da tarde os ventos são mais frequentes e a água do mar bate com mais intensidade na embarcação. Isso pode não ser um problema, mas poderia dificultar um pouco o trajeto até o terminal de passageiros”, conta o capitão dos portos.

Outra recomendação apresentada à Companhia Docas é que haja a instalação de um cais flutuante que possa acompanhar a altura da maré. No Porto de Natal, dependendo da maré, a altura do píer pode apresentar dificuldade para que a embarcação tenha acesso ao cais. A necessidade de uma lancha prática para abrir caminho para a embarcação seguir do navio ao Porto também foi apresentada.

“Se essa medida do translado for realmente adotada, a Marinha irá acompanhar em todo o processo, de modo a prestar mais segurança aos torcedores. A empresa de turismo que vendeu o pacote aos mexicanos ainda precisa aceitar essa medida, mas nós garantimos a viabilidade”, afirmou Alexander Neves Assumpção. “Não queremos que haja nenhum dessabor em meio a uma festividade tão importante para a cidade”.

Percurso será feito em 15 minutos

O presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte, Pedro Terceiro de Melo, disse que a Ponte Newton Navarro é de fato um obstáculo para certos navios, mais que isso não pode ser visto como um problema. Para ele, a adoção dessa medida irá quebrar esse paradigma.

“Temos um documento que destaca qual será a distância do navio até o terminal de passageiros. A embarcação que fará o translado dos torcedores seguirá um percurso de aproximadamente 15 minutos”, disse. “Imaginem as pessoas terem que atracar em Recife e percorrer quase 300 km, ida e volta, por um único jogo. É um risco muito grande. Muito maior do que esse percurso no mar de 15 minutos, totalmente aprovado pela Marinha”, disse.

“Se a empresa não aceitar que o navio siga essa nossa solução, esse obstáculo poderá se tornar ainda maior para nós. Se aceitar, quebraremos de vez esse paradigma. Estamos unindo esforços para que isso aconteça. Esperamos que nos próximos 15 dias tenhamos isso definido”, afirmou Pedro Terceiro.

Consultor da Agência Porto Consultoria, Fabrízio Pierdomenico esteve em Natal na manhã desta terça-feira (15) e também aprovou a solução encontrada pela Companhia Docas. Segundo ele, que exerceu os cargos de diretor do Porto de Santos e secretário de Planejamento da Secretaria de Portos, o obstáculo apresentado pela reportagem da Folha de S. Paulo é “absurdo”.

“Não faço a menor ideia do porquê fizeram esse alarde. Na verdade, acredito que alguém teve a intenção de queimar a imagem do Governo do Estado, pois, que eu saiba, a culpa dessa falha na Ponta Newton Navarro não é do Porto de Natal. Achei esse ‘obstáculo’ um verdadeiro absurdo”, disse.

Fabrízio Pierdomenico reforçou a tese de que o translado através de pequenas embarcações é algo praticado há muito tempo no Brasil. “Não estamos inventando a roda. Essa foi uma sugestão de algo que já é feito no Brasil. Esse translado pode e deve ser feito pelo bem e conforto dos torcedores”, disse.

“O Porto de Natal está com um dos terminais de passageiros mais modernos do país. Ter essa grande estrutura e não utilizar durante a Copa do Mundo chega a ser um desrespeito com o turista. Volto a dizer que alguém quer queimar a imagem do Governo e do país, utilizando-se da Copa do Mundo”, destacou o consultor.

Compartilhar: