“Trapaça” e “12 Anos de Escravidão” são os ganhadores do Globo de Ouro 2014

Em meio a discursos pouco memoráveis, apresentadoras Tina Fey e Amy Poehler foram os grandes destaques

Equipe de '12 Anos de Escravidão', ganhador do prêmio de melhor filme de drama. Foto: Reuters
Equipe de ’12 Anos de Escravidão’, ganhador do prêmio de melhor filme de drama. Foto: Reuters

Os filmes “Trapaça” e “12 Anos de Escravidão” foram os grandes ganhadores do Globo de Ouro 2014, prêmio entregue pela Hollywood Foreign Press Association (HFPA) no domingo (12) em Los Angeles. No comando da cerimônia pelo segundo ano consecutivo – e já garantidas para 2015 -, as comediantes Tina Fey e Amy Poehler foram os grandes destaques de uma noite com poucos momentos memoráveis.

“Trapaça” foi a produção mais premiada, com os troféus de melhor filme de comédia, melhor atriz de comédia para Amy Adams e melhor atriz coadjuvante para Jennifer Lawrence. “Clube de Compras Dallas” levou dois Globos de Ouro: o de ator coadjuvante para Jared Leto e o de ator de drama para Matthew McConaughey, na maior surpresa da noite.

O favorito era Chiwetel Ejiofor, de “12 Anos de Escravidão”, filme que por pouco saiu do Globo de Ouro de mãos abanando. Após perder todos os troféus que disputava, o longa do diretor Steve McQueen acabou levando o mais importante, melhor drama, evitando o que seria um constrangimento para a HFPA: ignorar aquele que é considerado o mais forte candidato ao Oscar, que anuncia seus indicados na quinta-feira (16).

O Globo de Ouro altera pouco a corrida pela estatueta, tendo premiado os três principais concorrentes à estatueta da Academia – além de “Trapaça” e “12 Anos de Escravidão”, “Gravidade” faturou melhor diretor para Alfonso Cuarón.

 

Prêmios de atuação

Nas categorias de atuação, o Globo de Ouro honrou sua fama de privilegiar artistas famosos a desconhecidos. Além do prêmio para McConaughey, a HFPA preferiu Lawrence à Lupita Nyong’o (“12 Anos de Escravidão”) e Leonardo DiCaprio (“O Lobo de Wall Street”) ao veterano Bruce Dern, elogiadíssimo pelo trabalho em “Nebraska”.

A queridinha Sandra Bullock, porém, não conseguiu tirar o prêmio de melhor atriz de drama das mãos de Cate Blanchett (“Blue Jasmine”), grande barbada da temporada de prêmios.

Os discursos não foram especialmente marcantes. Adams agradeceu principalmente sua agente, enquanto Lawrence celebrou O. Russell, também diretor de “O Lado Bom da Vida”, que lhe deu o Oscar de melhor atriz em 2013. DiCaprio, por sua vez, rasgou elogios a Martin Scorsese, chamando o cineasta de “um dos grandes artistas do nosso tempo”. “Obrigado por ser meu mentor”, disse.

Leto fez uma longa e fraca piada sobre a “depilação brasileira” de seu personagem, mas seu discurso melhorou quando falou sobre sua volta aos cinemas após quase seis anos. “É mais do que uma honra encontrar este amor e apoio”, disse o vocalista da banda 30 Seconds to Mars, que foi uma das atrações do Rock in Rio 2013.

Empolgado, McConaughey falou com jeitão excessivamente informal e um tanto quanto incômodo. Sobre a mulher brasileira, Camila Alves, afirmou: “Obrigado não só por me aguentar, mas por me chutar para fora de casa e dizer: ‘Vai lá meu homem, vai lá meu rei.'”

 

Homenagem a Woody Allen

Blanchett, lindíssima em um vestido preto com decote profundo nas costas, chamou Woody Allen, diretor de “Blue Jasmine”, de uma das pessoas “mais talentosas e generosas” com quem já trabalhou. Ela ainda fez menção à mesa em que estava, cheia de musas do cineasta: Diane Keaton, Dianne Wiest e Mariel Hemingway (a jovem de “Manhattan”).

Keaton subiu ao palco para aceitar, em nome do diretor, o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da obra (avesso a premiações, o diretor não compareceu à festa). No melhor discurso da noite, a atriz chegou a cantar um trecho da música infantil “Make New Friends (But Keep the Old)” (“faça novos amigos, mas mantenha os velhos”) para resumir os 45 anos de amizade com o diretor.

A atriz celebrou Allen principalmente por ter escrito excelentes papéis femininos, em uma das várias menções da noite à situação das mulheres em Hollywood.

Já no monólogo de abertura, Fey e Poehler fizeram boas piadas sobre o tema. Primeiro, citaram a falta de papéis de qualidade para atrizes mais velhas: “Meryl Streep estava ótima em Álbum de Família, provando que há grandes papéis em Hollywood para as Meryl Streeps acima dos 60 anos”, ironizaram.

Tina Fey e Amy Poehler foram as apresentadoras do Globo de Ouro. Foto: AP
Tina Fey e Amy Poehler foram as apresentadoras do Globo de Ouro. Foto: AP

Depois, a dupla criticou a ditadura da magreza imposta às mulheres pela indústria: “Matthew McConaughey perdeu 20 kg para fazer esse papel. É o que as atrizes chamam de: estar em um filme.”

Televisão

Além de comandar a cerimônia, Poehler também ganhou seu primeiro Globo de Ouro neste domingo, tendo sido escolhida melhor atriz de série de comédia por “Parks and Recreation”. Melhor ator ficou para Andy Samberg, de “Brooklyn 9-9″, também eleito melhor seriado cômico.

Encerrada no ano passado, “Breaking Bad” dominou as categorias de drama, levando os prêmios de melhor seriado e melhor ator para Bryan Cranston. “House of Cards”, que buscava a vitória para consolidar o sucesso e o alcance do Netflix, teve de se contentar com o troféu de melhor atriz para Robin Wright.

“Behind the Candelabra” repetiu o sucesso do Emmy, sendo escolhida mehor minissérie ou filme para a TV. Michael Douglas ganhou como o melhor ator e Elisabeth Moss (“Top of the Lake”) como melhor atriz.

Dois veteranos faturaram os prêmos de coaduvante – Jon Voigth, por “Ray Donovan”, e Jaqueline Bisset, de “Dancing on the Edge”. Responsável pelo único discurso emocionante da noite, a atriz falou palavrão e enfrentou a temida entrada da orquestra, se recusando a deixar o palco até terminar de agradecer o primeiro Globo de Ouro em quase 50 anos de carreira.

No final da noite, Fey e Poehler foram parabenizadas via Twitter por Ellen DeGeneres, que vai ter a difícil missão de atingir o mesmo sucesso quando apresentar o Oscar, em março.

 

Veja a lista completa de ganhadores: 

CINEMA

Melhor filme – drama: “12 Anos de Escravidão”
Melhor atriz – drama: Cate Blanchett, “Blue Jasmine”
Melhor ator – drama: Matthew McConaughey, “Clube de Compras Dallas”
Melhor filme – comédia: “Trapaça”
Melhor atriz – comédia: Amy Adams, “Trapaça”
Melhor ator – comédia: Leonardo DiCaprio, “O Lobo de Wall Street”
Melhor animação: “Frozen – Uma Aventura Congelante”
Melhor filme estrangeiro: “A Grande Beleza” (Itália)
Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Lawrence, “Trapaça”
Melhor ator coadjuvante: Jared Leto, “Clube de Compras Dallas”
Melhor diretor: Alfonso Cuarón, “Gravidade”
Melhor roteiro: “Ela”
Melhor trilha sonora: “Até o Fim”
Melhor canção original: “Ordinary Love”, do U2, “Mandela”

TELEVISÃO

Melhor série – drama: “Breaking Bad”
Melhor atriz – drama: Robin Wright, “House of Cards”
Melhor ator – drama: Bryan Cranston, “Breaking Bad”
Melhor série – comédia: “Brooklyn 9-9″
Melhor atriz – comédia: Amy Poehler, “Parks and Recreation”
Melhor ator – comédia: Andy Samberg, “Brooklyn 9-9″
Melhor minissérie ou filme de TV: “Behind the Candelabra”
Melhor atriz de minissérie ou filme de TV: Elisabeth Moss, “Top of the Lake”
Melhor ator de minissérie ou filme de TV: Michael Douglas, “Behind the Candelabra”
Melhor atriz coadjuvante: Jacqueline Bisset, “Dancing on the Edge”
Melhor atriz coadjuvante: John Voight, “Ray Donovan”

 

 

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