Treinador vê resultado ‘injusto’ no Clássico-Rei
A estreia não poderia ser pior para o técnico Paulo Porto no ABC. Mal chegou e enfrentou “greve de concentração” entre os jogadores e saiu derrotado no clássico diante do América por 1 a 0. Apesar de ter encarado com naturalidade a recusa dos atletas, com mais de quatro meses de atraso nos salários, o treinador não aceitou bem o resultado diante do rival e acredita que faltou “justiça” no placar para retratar com exatidão o que teria, segundo ele, sido o jogo de fato.
Porto afirmou ter visto um primeiro tempo de jogo equilibrado, mas que durante a segunda etapa, o domínio abecedista deveria ter sido traduzido em gols. “Sem dúvida o resultado foi injusto. O América colocou um bom ritmo no começo de partida, mas equilibramos o jogo e posso dizer que o primeiro tempo terminou com equilíbrio. Na volta para o segundo tempo, o ABC dominou o jogo e deveria ter saído daqui com um resultado melhor, tivemos bola trave e pressionamos bastante até o final. Mas futebol é isso e agora é buscar a recuperação”, afirmou o treinador Alvinegro.
Em situação difícil na tabela, já que com duas rodadas para o final, está na quarta colocação com sete pontos, seis a menos que os líderes e a três do terceiro colocado, o Alvinegro enfrenta uma missão quase impossível para conquistar uma das duas vagas para a final do Primeiro Turno do Campeonato Potiguar. Ainda assim, o treinador aprovou o rendimento da equipe e acredita que o time da capital têm chances de evoluir e chegar à disputa do título estadual.
“Sem dúvida, não gostamos do resultado, perdemos um clássico. Mas eu preciso destacar o que vimos no segundo tempo. Eu gostei do que vi, porque acho que podemos evoluir bastante. Quando você chega a uma equipe, tem que achar a formação ideal e ainda estamos nesse processo. Temos um problema na lateral direita, com o Thiaguinho jogando no sacrifício e o Renato e o Raulen entregues ao departamento médico. Vamos nos adequando a realidade para encontrar o melhor futebol”, analisou Paulo Porto.
Mesmo diante da dificuldade, o treinador já sinaliza a necessidade de contratação, ao menos para o setor, mas promete esperar pela resolução dos problemas com salários para poder discutir sobre eventuais reforços com o presidente abecedista, Rubens Guilherme. “Estamos sem lateral-direito, mas antes de falar sobre qualquer reforço, precisamos resolver essa situação [dos salários atrasados]. Fecho com o presidente essa ideia, o momento é de transição e preciso ser parceiro dele. Estou no dia a dia e sei que a situação mais incômoda é do presidente que tem essa responsabilidade de resolver a situação dos jogadores o mais rápido possível”, concluiu ele que comandará a equipe em um novo desafio, na quarta-feira, diante do Alecrim, no Ninho do Periquito.
Volante na bronca
Apesar do atraso de quatro meses nos salários, o time do ABC correu bastante e disputou até o último lance o clássico diante do América. Segundo o volante Hamilton, um dos destaques da partida pelo lado do Alvinegro, o desempenho abecedista teria sido uma mostra do caráter dos jogadores à diretoria que, segundo ele, até o final da partida contra os rubros, ainda não havia sinalizado uma data para resolver definitivamente o problema com o atraso da folha que se encaminha, no caso de alguns jogadores, para o quinto mês.
“O momento é decisivo, mas temos um grupo de homens, e tivemos atitude honrada. Cabe agora a diretoria os compromissos que têm conosco, porque isso está nos atrapalhando dentro de campo, sem dúvida. Ninguém quer trabalhar sem receber, mas estamos fazendo nosso melhor, independente disso. A diretoria precisa se pronunciar, porque até agora, nada foi resolvido”, afirmou o jogador, visivelmente chateado com a situação na saída de campo, após a partida contra o América.
Segundo apurou a reportagem do JORNAL DE HOJE, antes da saída do ônibus Alvinegro do Centro de Treinamentos para o Estádio Nazarenão, a diretoria teria ido ao encontro dos jogadores para discutir a questão dos salários, contudo, sem sinalizar o acerto com os atletas. Apesar da situação, Hamilton garantiu que a equipe vai continuar com a mesma dedicação em campo para melhorar a classificação. “Tivemos esse resultado no clássico, que não foi bom, mas agora é pensar nesse próximo jogo, que será em casa”, concluiu.
O presidente abecedista, Rubens Guilherme, falou rapidamente com a reportagem na manhã de hoje e garantiu que até sexta-feira a situação será resolvida com os jogadores. “Vamos resolver até o final desta semana, estamos correndo com isso, pois sabemos o quanto é importante para os jogadores e, claro, para o clube”, afirmou o dirigente que preferiu não precisar se o débito seria pago integralmente ou se apenas parte dos valores seriam quitados com os atletas. “Vamos resolver, mas essa é uma coisa muito interna e não posso falar sobre isso”, justificou-se.
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