NO TREM DE SOUZA

É, minha gente hoje, na úrtima edição do Cantinho do Zé Povo do ano da graça de 2013; quero apruveitá…

É, minha gente hoje, na úrtima edição do Cantinho do Zé Povo do ano da graça de 2013; quero apruveitá mode desejá do fundo do meu coração véio, remendado e martratado; a Vossas Insolença, meus quiridos  leitô e leitora; um 2014 chêíin de felicidade, amô, prazê, cumpreensão, felicidade, haimunia e tudo de bom qui Papai do Céu reséiva prá nóis. E nêsse úrtimo causo do ano; quero homenagiá meu cunhado e padrinho, Luiz Rocha Sobrinho, sogro do Dr. Domício Arruda e pai de , Dra.Margarita; e que eu chamo carinhosamente de Padrinho Rocha. No sábo passado, êle e minha irmã Margarida, cumpretaro sessenta aanos de casado. Foi êle quem me contô há muntos janêro atráis, o causo que lhes repasso no dia ,de hoje. Hoje tá tudo mudado, in todos uis sintido possíve e imagináve da vida. Mais, já hôve tempo in qui o trem fazia peicusso tão grande, qui quage qui num acabava mais. Na Paraíba, purinzempro, incruzava o estado “de cabo a rabo”; ô seja; ia da capitá João Pessoa, inté Cajazêra, no arto sertão paraibano. Uis pobre duis passagêro, chegava tudo muído… Certo dia,uma jove pobre, mais muito bunita, portadora daquela beleza seivage, arisca; mais “fogosa” ao extremo; e que trabaiava in João Pessoa, teve uma nicissidade urgente de ir tê cum seus pai, na cidade de Souza, no arto sertão paraibano. Sem dinhêro, nem prá passagem nem para tumá puro menos “um cafézínn cum pão”, entrô crandestinamente no trem e “se amufumbô” incuída no úrtimo banco do úrtimo vagão de passagêro. E lá p’ráis tanta, aconteceu o inevitáve; foi discuberta puro fiscá, qui lhe cobrô:
- A passage!
A mocinha, trêmula de mêdo e de fome, arrespostô gaguejando de tanto neivosirmo:
- Eu num tenho não, môço; mais tenho qui fazê essa viagem, custe o qui custá; e de todo jeito; “p’ru riba de pau e peda”; é uma questão de vida ô de morte…
E o fiscal, irredutíve:
- Num pode; tem qui descê!
-Mais môço, num faça isso não; eu tenho qui chegá in Souza hoje; eu faço quaiqué coisa qui você quizé; seja o qui danado fô; pode me pidi prá eu fazê o qui você quisé, qui eu lhe juro cumo faço; e bem feito…
E o fiscá, tarado, doidíin mode “afogá o ganso”; levô a minina prá dento  do banhêro e deu-lhe “uma madêrada daquela de cego vê o mundo”; dêxando a pobre da passagêra crandestina, só o coió… E fazia isso in todas ais parada do camíin… Pidia a passage, a pobre da moça num tinha; e êle; lhe levando (lá ela…) p’rú banhêro, pegue “chibata”!… Quando o trem parô na estação de Campina Grande, entrô no trem uma cunhincida da mocinha, que ao vê-la, se adimirô do incronto e fêiz aquela festa c’á sua veia cunhincida:
- Ôxente, nêguinha; puraqui ? E prá onde danado é qui tu vai, muié ?
E a mocinha, entr a surpresa do incronto e a debilidade do istado qui se incontrava; disparô:
- Minha fía; a essas artura; num sei nem lhe dizê derêito;  mais acho qui se minha bunda agüentá, eu vô inté Souza!…
Faltavam aproximadamente 230Km e umas cinco paradas!…

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