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Três bingos fechados na Cidade da Esperança

Data: 21 junho 2012 - Hora: 19:58 - Por: Alessandra Bernardo

Delegado Silvio Fernando comanda as ações de combate aos jogos de azar e lamenta desrespeito com as leis - Foto: José Aldenir

Três casas de jogos de azar foram fechadas na Cidade da Esperança, zona Oeste de Natal, na manhã de hoje. Cinco pessoas, entre funcionários e jogadores, foram autuados em flagrante por policiais da Delegacia Especializada de Costumes. Nos locais, foram encontradas 14 máquinas caça-níqueis em pleno funcionamento e uma desativada, que foram destruídas após a vistoria pelos peritos do Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep).

Segundo o delegado Sílvio Fernando, as casas eram monitoradas pela polícia há algum tempo e uma delas, na avenida Capitão-mor Gouveia, havia sido fechada há menos de dois meses. No local, foram encontradas duas máquinas ligadas e uma destivada. Uma mulher tomava conta do espaço e, quando os policiais chegaram, um motorista de transporte alternativo de Mossoró estava jogando. Eles não quiseram falar sobre o fato.

“Há cerca de dois meses, apreendi quatro máquinas neste mesmo local. Mal fechamos o ponto e eles retornaram com os equipamentos e a prática da contravenção. Isso mostra o desrespeito às leis e o deboche dessas pessoas com a polícia. Há alguns dias, recebemos uma nova denúncia, de que o local havia retomado as atividades, e após o monitoramento, confirmamos o fato”, explicou o delegado.

O segundo ponto descoberto na Capitão-mor Gouveia, em frente ao Terminal Rodoviário de Natal, funcionava ao lado de uma casa de jogos de azar fechada no mês passado. Na casa de jogos, localizada na parte de trás de um estabelecimento comercial, haviam quatro máquinas caça-níqueis em atividade e um vendedor ambulante foi flagrado enquanto jogava.

O dono do bar, o comerciante Antônio de Brito, confirmou que o local funcionava há muito tempo e que ficava com 30% de todo o apurado pelos equipamentos. “Sei que é contravenção, mas todo mundo ganha seu dinheirinho, eu também queria o meu, que dava em torno de dois salários mínimos por mês. Esse dinheiro era usado para pagar as contas de água e luz e também o salário dos meus funcionários”, afirmou.

O ambulante flagrado em uma das máquinas negou que estivesse no local para jogar e não quis se identificar. Ele disse que não sabia que ali funcionava uma casa de jogos e que, apesar do estabelecimento estar em reforma, tinha ido para beber. “Só vim aqui tomar uma cerveja, para voltar para o trabalho. Não quero que exponham o meu nome”, disse.

A terceira casa de jogos fechada funcionava na rua Areias, ao lado de uma oficina mecânica. Lá, os policiais civis encontraram 14 máquinas caça-níqueis e R$ 186 em notas de baixo valor. Uma mulher que tomava conta do local foi autuada. Os policiais esperaram ela chegar e abrir o local para fazer a abordagem. O ponto era o que apresentava infraestrutura melhor, com cadeiras e aparelho de ar-condicionado.

Equipamentos viciados para enganar clientes
Peritos do Itep acompanharam os policiais da Delegacia de Costumes durante o fechamento dos pontos e constataram que as máquinas funcionavam normalmente, algumas com indicação de prêmios no valor de mais de R$ 2 mil. Segundo o delegado Silvio Fernando, o alto valor dos prêmios era uma forma de enganar os jogadores, para atrai-los a apostar cada vez mais dinheiro.

Ele disse que as pessoas encontradas nos locais foram encaminhadas para a Delegacia de Costumes, assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e responderão em liberdade. No entanto, o delegado lamentou a falta de consciência das pessoas que, acreditando que irão ganhar muito dinheiro, acabam gastando o salário e até a aposentadoria no caça-níquel.

O delegado afirmou ainda que há denúncias de outras casas de jogos no mesmo bairro e que, aos poucos, todos serão fechados pela Polícia Civil. “Nosso trabalho é baseado em denúncias feitas pela própria população e também pelo monitoramento dos pontos já fechados, pois muitos deles abrem as portas novamente pouco tempo depois de batermos no local, o que mostra o deboche dos contraventores com a ação da polícia”, explicou  o delegado.

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