Três novos tremores são registrados e medo volta à cidade

Constantes abalos sísmicos atingiram a cidade, que chegou a sentir tremores de 3,7 graus

Casas de Pedra Preta apresentam rachaduras e estão ameaçadas de desabar. Foto: Divulgação
Casas de Pedra Preta apresentam rachaduras e estão ameaçadas de desabar. Foto: Divulgação

Uma nova sequência de tremores voltou a assustar os moradores de Pedra Preta nesta última quinta-feira (26). Após vinte dias sem registros oficiais, o pós-natal da população chegou carregando três abalos sísmicos conforme informações da estação de monitoramento do Laboratório Sismológico (LabSis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O último registro de tremor na cidade, distante 149 km de Natal, havia sido no dia 6 de dezembro, quando a estação verificou um tremor de 2.7 graus.

O abalo mais recente do dia ocorreu no início da tarde, às 13h25, e segundo o Labsis foi “acima do limiar de percepção” tendo atingido 2.3 graus de magnitude. Ainda de acordo com os especialistas, apenas os eventos a partir de 2.7 graus costumam ser percebidos pela população.
Mais cedo por vota das  2h40 da madrugada aconteceu o primeiro evento, de magnitude 2.0, sendo seguido por outro tremor de magnitude 1.7, aproximadamente 45 segundos após o abalo inicial. Até o final da manhã desta sexta-feira, nenhum outro abalo foi registrado.

“Devido aos recessos de fim de ano, estamos acompanhando as atividades sísmicas apenas pela internet, através dos dados lançados pela estação de Riachuelo. Não sabemos como está a situação da população in loco, mas, como sempre afirmamos, os tremores não podem ser ignorados pelos moradores e pelo poder público. Todo cuidado é importante”, afirmou Joaquim Ferreira, sismólogo e professor de geofísica da UFRN.

O coordenador da Defesa Civil no município de Pedra Preta, Guilherme Teixeira, falou à reportagem que a população está procurando se dispersar nas festas de fim de ano. “A preocupação existe, mas a população está encontrando nesse período festivo de fim de ano uma razão para se dispersar. Graças a Deus os abalos que foram registrados ontem não chegaram a causar nenhum dano”, afirmou. “O estado de emergência no município já foi decretado, no início deste mês. Estamos aguardando apenas alguns posicionamentos de Brasília”, disse Teixeira.

A atividade sísmica em Pedra Preta já dura mais de três anos. Durante esse tempo, vários tremores de magnitude acima de 3.0 causaram pequenos danos e assustaram a população.  “Infelizmente é impossível prever como essa atividade sísmica irá evoluir”, informa o LabSis.

O pesquisador Joaquim Ferreira, da UFRN, atribuiu os abalos à formação geológica de todo o estado do Rio Grande do Norte. “Todo o estado está na borda da bacia potiguar, região mais ativa do país. Por isso acontecem tantos tremores. A maioria deles é de uma magnitude muito baixa, os quais não geram consequencias nas áreas urbanas e não são sentidos pela população. Entretanto, tremores de maior magnitude em Pedra Preta podem ter ocasionado o aumento dessa falha”, disse.

O trecho de Cabeço Preto foi identificado através de estudos realizados entre os anos de 2010 e 2011, quando a extensão da falha era de aproximadamente 2,5 km, considerando o aglomerado principal de eventos. Porém, o LabSis identificou que houve o crescimento de 1,5km na falha, chegando atualmente a uma falha de 4 km de extensão.

Nos últimos meses, Pedra Preta não parou de balançar. Constantes abalos sísmicos atingiram a cidade, que chegou a sentir tremores de 3,7 graus na escala Richter. Mais de 600 abalos já foram registrados desde novembro deste ano.

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