Tributo a Senna na Sapucaí dá título à Unidos da Tijuca

Escola que homenageou os 20 anos da morte do piloto Ayrton Senna faturou seu quarto título do Carnaval carioca

O desfile da escola foi encerrado com a tradicional bandeira quadriculada que indica o fim da corrida. Foto:Divulgação
O desfile da escola foi encerrado com a tradicional bandeira quadriculada que indica o fim da corrida. Foto:Divulgação

Uma homenagem diferente a Ayrton Senna que encerrou os desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro deu também o título à Unidos da Tijuca, após apuração de notas emocionante ocorrida nesta quarta-feira. Com diversas alusões à velocidade e o enredo “Acelera, Tijuca!”, a agremiação faturou o tetracampeonato depois de ter prestado um inesquecível tributo ao piloto brasileiro morto há 20 anos, considerado mundialmente um ícone da Fórmula 1.

Senna, tricampeão da F1 que perdeu a vida em acidente durante o Grande Prêmio de San Marino, morreu em 1º de maio de 1994. O brasileiro bateu sua Williams contra um muro de proteção na curva de Tamburello e não resistiu. Assim, se aproveitando das duas décadas do ocorrido, a Unidos da Tijuca trouxe ao desfile personagens reais e de desenhos animados, além de Viviane e Bruno Senna, respectivamente irmã e sobrinho de Ayrton.

Agora, a apresentação das campeãs do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro ocorre no próximo sábado, no Sambódromo. Salgueiro, com o enredo “Gaia – A vida em nossas mãos”, ficou com o vice-campeonato, enquanto a Portela, com “Um Rio de mar a mar: do Valongo à Glória de São Sebastião”, acabou em terceiro, sem quebrar o jejum de títulos que perdura desde 1984. União da Ilha, em quarto, e Imperatriz Leopoldinense, em quinto, completaram os líderes. A Império da Tijuca foi rebaixada.

Emoção até o fim marcou título da Unidos da Tijuca em apuração

A leitura das notas do Carnaval carioca começou movimentada pois, diferentemente do que ocorre em São Paulo nos últimos anos, as agremiações podem contar com a presença de torcida. Assim, gritos e revoltas tomavam conta de cada avaliação dada. Do lado da Vila Isabel, que defendia o título, por exemplo, um protesto tomou conta devido à falha na organização durante desfile da escola, uma vez que os apetrechos atrasaram para chegar na Sapucaí e parte das alegorias foi à avenida com roupas íntimas improvisadas ou apetrechos usados no ano passado.

 

O primeiro item a ser avaliado foi o quesito enredo, que teve bastante rigor por parte dos jurados. Salgueiro, União da Ilha, Imperatriz Leopoldinense e Unidos da Tijuca conquistaram nota máxima, enquanto escolas mais tradicionais e tidas como favoritas, comoBeija-Flor, Vila Isabel e Mangueira, perderam décimos importantes. Já no critério fantasias, a então atual campeã Vila Isabel se despediu de muitos pontos devido ao caos ocorrido durante o desfile e praticamente deu adeus ao bi.

Rígidos, os juízes só deram os 30 pontos possíveis no quesito alegorias e adereços à Grande Rio e à Unidos da Tijuca, que então assumiu a liderança, aproveitando também as perdas de décimos por parte dos concorrentes. A surpresa foi por conta da Beija-Flor, que ainda não tinha recebido a nota máxima em nenhum dos critérios avaliados pelos jurados. A escola de Nilópolis só recebeu seus primeiros 10 em mestre-sala e porta-bandeiras, e acalmou o público da escola na Sapucaí – um 9,7 anteriormente gerou revolta.

Unidos da Tijuca continuava soberana na frente, mas samba-enredo, quinto item da lista, mudou totalmente a classificação. Salgueiro brilhou com três 10 e ultrapassou os concorrentes diretos. O fato gerou ironias dos torcedores da escola, que cantaram “Não adianta acelerar, Salgueiro vai te pegar”, em alusão à perda de décimos da Unidos da Tijuca, que tem o enredo “Acelera”. Em harmonia, os salgueirenses continuaram com a rivalidade aflorada com os carnavalescos da Tijuca por levarem as notas máximas novamente.

A diferença de dois décimos obtida até então foi diminuída com a leitura de evolução. Unidos da Tijuca levou 10 em tudo e ficou a um décimo de se igualar a Salgueiro na liderança. Mas a ponta foi novamente retomada pela escola que homenageou o piloto Ayrton Senna com a leitura das notas de conjunto. A Portela entrou de vez na briga pelo título, ficando a apenas dois décimos do líder e incendiando a apuração do Carnaval carioca.

A emoção atingiu patamar ainda maior com a leitura das notas de comissão de frente. Unidos da Tijuca e Salgueiro não deram chance para o azar e permaneceram com as notas máximas possíveis, enquanto a Portela perdeu dois décimos e ficou distante da conquista. Mas foi a avaliação de bateria que decidiu o Carnaval do Rio de Janeiro e consagrou de vez a campeã de 2014: a Unidos da Tijuca, que faturou seu quarto troféu – venceu também em 1936, 2010 e 2012.

Fonte:Terra

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