A tristeza de João

Foram tantos anos de amizade que não saberia dizer quantos. Sei que devo a João Faustino todos os gestos de…

Foram tantos anos de amizade que não saberia dizer quantos. Sei que devo a João Faustino todos os gestos de um amigo. Na sua certidão de óbito, por questões médicas ou legais, alguém vai escrever que foi vítima de pneumonia, seguida de um quadro de leucemia. Mas João, e afirmo sem medo de errar, João morreu de tristeza. Daquela dor terrível que dilacerou sua alma quando foi vítima de uma injustiça sem fim naquela manhã, ao ser levado de sua casa como se fosse um réu culpado.

E só avaliei a ferida da sua dor porque uma tarde veio aqui, a este armazém de livros velhos, como sempre fazia, trazendo os três primeiros capítulos do livro ‘Eu perdoo’ que lançaria cercado de centenas de amigos pessoais, em todas as áreas, ele que era um gentleman. Foi no salão paroquial da Igreja de Santa Terezinha, com a presença de magistrados, políticos, procuradores e intelectuais. Estava feliz. Beijou-me no rosto como se eu fosse um filho e festejou no ouvido nossa velha amizade.

Naquela tarde, nesta mesa e tomamos o vinho que trouxe, seu desejo era fazer a leitura dos três capítulos iniciais. Leu, ele mesmo, pausadamente, com sua voz calma, cortada por pequenos intervalos de uns silêncios cheios de dor. Uma dor profunda, calada e triste, mas sem rancor. De vez em quando, uma lágrima, um gole de vinho, e voltava à leitura como se desenhasse a sua história, da infância até ali. Sem acusar, como um vitorioso que nunca temeu erguer o rosto diante do seu povo.

Inabalável na consciência cristã e grande no seu humanismo, sempre fez o bem como um João do Coração que, nele, não era um slogan político, mas uma marca verdadeira. Filho, irmão, marido, pai e amigo, João era um belo ser humano. Nascido dos talhes da gentileza e da solidariedade, viveu sem cobrar felicidade e sem revelar amargura. E mesmo que tivesse todas as razões para festejar uma vitória, fazia de um jeito tão discreto que ninguém sabia quem tinha sido o derrotado durante a luta.

Ninguém sentiu a dor de abrir a porta da casa numa madrugada e receber a polícia à procura de um filho inocente que a própria Justiça provou ser vítima de um erro e meses depois decretou a extinção definitiva do processo. Ninguém foi arrastado do seu chão, sem qualquer prova material, sem o sagrado direito de defesa, até a sua morte. Nunca a injustiça foi tão desumana, feriu tanto e tão profundamente, a carne e a alma de um homem. Como se a lei estivesse a serviço de desesperados.

Quando fiz sessenta anos, em 2011, dei a mim mesmo uma viagem a Paris e tive o privilégio de ter à mesa, num jantar inesquecível, Sônia e João, Lalinha e Genibaldo que foram comigo. Depois, saímos passeando. Era primavera em Paris. Os franceses enchiam os restaurantes. E toda quinta, ao meio-dia, almoçávamos com amigos no restaurante do Lula – Genibaldo Barros, Kerubino Procópio, Aécio Emerenciano, Diógenes da Cunha Lima, Álvaro Alberto, Haroldo Bezerra e Sávio Hackradt.

João chegava, abraçava a todos, às vezes tomava um uísque, mas quase sempre sua coca zero. Ficava ali, entre conversas, sempre rindo com as histórias engraçadas. Mas, nos últimos almoços, já não era o mesmo João de antes. Parecia meio sem graça, preocupado em concluir o curso de direito e em estudar para os exames da Ordem. Era extremamente bem informado, sereno, de uma aguçada visão crítica, sempre ligando para comentar meus artigos e minhas intervenções na Rádio Cidade.

Foi aquela tristeza suave e sem fim nascida da injustiça que foi roubando a vida de João no silêncio do coração safenado e na solidão da alma cheia de dor. Vencera tudo sem medo. Enfrentara os momentos mais duros de uma vida na qual foi sempre vítima sem cometer nada contra ninguém, mas parecia cansado nos últimos dias. Foi aquela tristeza, fantasiada de felicidade nas horas do Natal e do Ano Novo que enganou a todos. Menos a ele, aquele João que pregava o evangelho da amizade.

 

DÚVIDA – I
Se na consulta que fará às suas bases partidárias pemedebistas o deputado Henrique Alves, presidente do partido, perguntar sobre Fernando Bezerra não ouvirá restrições para lançar seu nome ao governo.

MAS – II
A situação não será mesma se incluir a aliança melhor para vencer: se com o PSB e Wilma de Faria ou o PT com Fátima Bezerra. Segundo as boas fontes Wilma teria a preferência. Este é o grande nó.

ELOGIO – I
Ao Ministério Público quando foi à Justiça coibir a transferência de policiais militares ou civis que a serviço do cumprimento da lei são transferidos, por pressão política, quando coíbem pupilos oficiais.

ALIÁS – II
O coronelismo político mostra no Maranhão a desgraça que produz. Enquanto presos eram trucidados numa barbárie pública, a governadora senhora Roseana Sarney comprava lagostas no pregão oficial.

PROTEÇÃO
De uma cabeça coroada e bem humorada do clero diante que não teve forças para resistir aos prazeres da carne: ‘A santa madre Igreja sabe proteger um pai e um filho com seu bom espírito protecionista’.

RUMOR
Uns secretários deixam o governo aliviados, outros lamentando a perda do gabinete, mas todos com a sensação que o governo teve problemas graves de gestão e o fisiologismo não teve coragem de dizer.

SUGESTÃO – I
O leitor Gaspar de Lemos Alcântara, de Parnamirim, sugere que este cronista vá ao bispo reclamar da omissão da polícia quando uma delegada é assaltada de leva dois dias registrar o BO numa delegacia.

E – II
Lembra que era assim naqueles velhos tempos, quando o cidadão não tendo a quem dirigir a palavra, era obrigado a reclamar ao bispo. Aqui, Gaspar, nem ao bispo. Estamos entregues ao próprio destino.

ATENÇÃO
As Arenas começam a ser o ponto central de todas as argumentações que denunciam falta de recursos para a sociedade. A copa pode ser também uma olimpíada de protestos populares e em todo o Brasil.

ATUAÇÃO
Bem-vinda a atuação da Secretaria de Segurança e Defesa Civil da Prefeitura de Natal ao mobilizar vinte guardas e dez agentes que vão auxiliar a polícia nas praias da Redinha e Ponta Negra até dia 28.

PADRÃO
Wesley Safadão e Garota Safada serão as principais atrações no Circo de Pirangi durante este janeiro verânico. Não viriam de tão longe e tão caro se não agradassem tanto ao gosto apurado da juventude.

AVISO
De Marcos Sá, via e-mail: ‘Você sabia que além do Tatupeba, podemos encontrar entre os mamíferos nativos do Parque das Dunas, timbu, rato-punaré, raposa, rato-cachorro e morcegos? E que o trabalho de preservação desenvolvido pelo Parque garante a perpetuação dos remanescentes da biodiversidade da Mata Atlântica?’.

Compartilhar: