Tumulto, filas e muita espera marcam o Dia da Liberdade de Imposto em Natal

"Promoção" de gasolina também fez aflorar a falta de conscientização dos consumidores

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

O dia de conscientizar o Brasil sobre a alta carga tributária, que em Natal foi comemorado com a comercialização de gasolina sem o repasse dos impostos ao consumidor, foi, na verdade, de falta de conscientização da população. Diversas pessoas que levantaram mais cedo da cama nesta sexta-feira (23) para aproveitar a “promoção”, presenciaram muito tumulto e bate boca entre consumidores, frentistas e donos de postos. A razão disso: preço do litro da gasolina sendo vendido por uma média de R$ 1,40.

A iniciativa de comercializar a gasolina sem a cobrança de impostos partiu de uma campanha da Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem de Natal (CDL Jovem), o Dia da Liberdade de Imposto. O objetivo da ação é conscientizar a população e o poder público sobre a alta carga tributária que incide em produtos e serviços no país. A campanha alcançou três postos de combustíveis em Natal e um em Mossoró, os quais se voluntariaram a participar da ação.

Cada posto participante ficou responsável por estabelecer uma quantia de litros de gasolina com 53,7% de desconto no valor da bomba – porcentagem referente à quantidade de impostos inseridos no valor do produto. Cada motorista só poderia abastecer 20 litros em seu veículo. Para as motos, a quantidade liberada foi de 5 litros.

No RS Postos, localizado na Avenida Ayrton Senna, zona Sul de Natal, a fila começou a se formar ainda de madrugada. Lá, o litro da gasolina é repassado para o consumidor pelo preço de R$ 3,069. Se o motorista for abastecer 20 litros nesse posto, ele pagará R$ 61,38. Com a redução dos impostos, a mesma quantidade de litros foi vendida por R$ 29,00. O dono de posto disponibilizou dois mil litros para a campanha.

O preço atrativo fez com que algumas pessoas perdessem o bom senso, sem haver consenso na formação de filas. Quem chegou ao posto de madrugada teve que esperar até as 9h para aproveitar a promoção e ainda ver alguns espertos furando a fila. O maior problema foi gerado com a presença dos motoqueiros.

“Eles não respeitaram a formação das filas e colocaram as motos próximas às bombas. É claro que as pessoas que chegaram cedo iriam implicar”, disse Emídio Melo, dono do RS Postos. “Apesar disso, as regras são claras. O abastecimento é por tanque, independente de qual seja o veículo. Se algum carro cede a vez para a moto, não temos como controlar. O correto é esperar a vez na fila, mas o brasileiro adora desrespeitar regras”, afirmou.

O funcionário público Raniel Farias, 25, foi um dos primeiros a chegar ao local para garantir o combustível à preço de custo. Às 4h10 da manhã, ele já estava na fila. “Vale a pena acordar mais cedo porque a gasolina hoje é vendida a um preço absurdamente caro. Carga tributária zero significa economia para o nosso bolso. Por isso estou aqui e ficarei até garantir”, afirmou a O Jornal de Hoje, enquanto a reportagem esteve no local.

O aposentado Francisco Gomes, 67, chegou às 5h40 no posto de gasolina e disse que não se preocupou em precisar esperar muitas horas. “O Governo come tanto dinheiro nosso com impostos, que acho que vale muito a pena ficar aqui, nem que seja por uma única vez”, afirmou.

Rochelle Toscano, pedagoga, tentou ‘driblar’ a fila de carros e não conseguiu sair do posto com o carro abastecido por pressão dos consumidores. Ela alegou que fila estava muito extensa e, se ficasse no final, correia o risco de não saber o que estaria acontecendo. “Por isso vim para a frente do posto e coloquei o carro aqui, até porque estou com uma criança no carro. Não posso esperar muito”, disse.

A fila para abastecimento no posto da Ayrton Senna estava alcançando o conjunto Serrambi II pelo acesso na Rua Estância Velha, lateral de um supermercado existente no local. O mesmo tumulto foi verificado nos outros dois postos participantes da campanha em Natal, localizados na zona Leste (Rua Apodi com a Campos Sales) e na zona Norte (estrada da BR-101).

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