Turismo – Reflexões de um ‘Cidadão Natalense’ preocupado – Marcos Aurélio de Sá

Por ser a atividade turística uma das principais locomotivas da economia norte-rio-grandense, a coluna cede hoje seu espaço à publicação…

Por ser a atividade turística uma das principais locomotivas da economia norte-rio-grandense, a coluna cede hoje seu espaço à publicação do pronunciamento do empresário catalão Ramon Bagó, feito no início deste mês na Câmara Municipal de Natal, por ocasião da sessão solene em que os vereadores lhe concederam título de Cidadão Natalense Honorário.

Responsável pela implantação do SERHS Natal Grand Hotel no distrito hoteleiro da Via Costeira, em meados da década passada, Ramon Bagó tem demonstrado crença inabalável no potencial de crescimento do turismo potiguar, razão porque continua carreando investimentos internacionais para este setor da nossa economia. Porém, ele reconhece a urgência de novas ações por parte do Poder Público e da iniciativa privada para que o futuro da atividade não fique comprometido. No texto que se segue ele aponta que ações são essas.

 

Ramon Bagó

Presidente do Grupo SERHS, da Catalunha

 

Cheguei pela primeira vez a esta acolhedora terra no ano de 1998, quando Natal era mais tranquila e ninguém poderia prever a grande transformação que há experimentado a cidade, nestes últimos 15 anos. Tive a sorte de encontrar o então Secretário de Estado do Turismo, Ivanaldo Bezerra Galvão, que foi o meu anfitrião e, mais tarde, tornou-se meu grande amigo, que não apenas levou-me para conhecer todos os rincões do Rio Grande do Norte, como também me pôs em contato com todos aqueles que estavam relacionados com o turismo e com a vida social de Natal, especialmente, com os máximos representantes políticos do Estado.

A boa acolhida que recebi de todos eles foi, junto com a beleza desse lugar, o que me cativou e me fez sentir, de fato, filho dessa querida terra e me motivou a traçar planos para instalar atividades nesta região, onde se previa um grande futuro turístico.

Durante esses anos, realizei inumeráveis viagens, tive a satisfação de fazer bons amigos e desfrutei do desenvolvimento da cidade (talvez em alguns momentos excessivamente acelerado), e pude comprovar que o nosso projeto de hotel cinco estrelas “SERHS Natal Grand Hotel” se converteu numa digna referência da hotelaria de todo o Nordeste do Brasil.

Esta terra me tratou sempre de maneira muito especial, dando-me grandes satisfações, primeiro em 2006, quando a Assembleia Legislativa me concedeu o título honorífico de Cidadão Norte-Rio-Grandense e, depois, no ano de 2010, a cidade de Parnamirim, também me outorgou o título honorífico daquela cidade. Se bem que eu considere que todos esses reconhecimentos são excessivos aos meus méritos, devo dizer que me tornam envaidecido e têm fortalecido o meu compromisso com esta terra. Como se tudo isso fosse pouco, no dia 4 do corrente mês, a cidade de Natal também me proporcionou a grande honra de conceder-me o título honorífico de Cidadão Natalense, outorgado pela distinta Câmara Municipal. Estou consciente que isto me obriga e me anima a apresentar estas reflexões, que têm como fim retribuir, como grato cidadão desta terra, às enormes mostras de confiança e carinho, que sempre me demonstraram os seus habitantes.

Estas reflexões são motivadas principalmente pela minha preocupação em expor a situação atual do turismo em nosso Estado e, concretamente, na cidade de Natal. A inauguração do novo Aeroporto de São Gonçalo do Amarante abre excelentes expectativas de futuro, já que este equipamento poderá chegar a receber mais de 6 milhões de viajantes por ano. Estou certo que temos que aproveitar este alvissareiro fato como uma importante alavanca de potencialização do turismo para o Rio Grande do Norte, mas para isto acontecer se deverá criar uma estreita colaboração entre o setor privado e o setor público, criando-se alianças estratégicas entre as classes empresariais, órgãos públicos, instituições privadas, organizações não governamentais e todas as forças vivas da comunidade, para tratar de todos os aspectos que influem na indústria turística.

Há que se buscar soluções urgentes no tema da segurança pública, pois não é possível pensar na melhoria do turismo, sem que exista segurança, para os habitantes locais e os visitantes. Necessitamos de uma cidade mais segura, mais tranquila e ordenada, bem iluminada, bem sinalizada. Além disso, devemos reconhecer que não desfrutamos de acessos adequados ao aeroporto, com vias rápidas e seguras, que ajudem o seu crescimento.

As obras de Ponta Negra e de outras zonas turísticas da cidade precisam ser concluídas, pois a situação atual deixa passar uma sensação de abandono. Há que se buscar caminhos de colaboração entre todos os segmentos relacionados com o turismo, hotéis, restaurantes, bares, comércio, agências de viagem, etc., buscando-se criar pacotes de produtos turísticos atrativos para nossos visitantes e organizando-se ações de promoção bem pensadas e compartidas economicamente, entre o setor público e o setor privado. Temos um grande produto turístico, com atrativos de muito valor, que em alguns casos são únicos, que se soubermos cuidar, têm um grande futuro. Mas teremos de dedicar-lhes atenção e meios, pois não é admissível que, para se chegar à Praia da Pipa, tenhamos como único meio de acesso uma rodovia estadual cheia de buracos, de curvas e de perigos, e sem acostamentos.

Faz-se necessário, sempre com a colaboração entre os setores público e privado, organizar eventos desportivos, musicais, setoriais, etc., adequados às nossas possibilidades, que sejam atrativos adicionais da nossa oferta de sol e praia, pois só com sol e praia será muito difícil competir. Além do mais, o nosso estado, se quer ser uma referência turística no país, necessita de modernas infraestruturas para abrigar Turismo de Congressos, como têm nossos Estados vizinhos do Ceará e Pernambuco, pois este é um turismo de alto poder aquisitivo, que combina perfeitamente com o turismo de férias, que hoje dispomos no Rio Grande do Norte.

As antigas instalações do Aeroporto Augusto Severo, com inversões razoáveis, poderiam ser transformadas em um Palácio de Congressos, de primeiro nível para o nosso Estado, que junto com o novo aeroporto nos permitiria acolher a cada ano um número muito elevado de congressos nacionais e internacionais, que hoje são desviados a outras partes do país.

Atualmente podemos afirmar que o turismo em geral, em todo o mundo, não deixará de crescer, mas também é certo que os países trabalham com todos os seus meios para captar os visitantes e que aquelas zonas ou países que não ofereçam as condições adequadas e não apostarem decididamente por um turismo de qualidade terão um futuro incerto e difícil.

Tenho a segurança que Natal e o Rio Grande do Norte merecem ser considerados como um excelente produto turístico. Entretanto, para isto, é necessário que todos os que estivermos comprometidos com o turismo do Estado acreditemos que este potencial existe e que, com a implantação de políticas de crescimento sustentável no setor (que não têm existido nos últimos anos), possamos criar um atrativo de excelente apelo turístico em termos comparativos e competitivos com qualquer outro Estado.

Esperamos que dessa forma, contando os nossos visitantes com os nossos serviços, voltem com familiares e amigos, e ao regressarem aos seus lares, passem a atuar como promotores e divulgadores da nossa excelente oferta turística.

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