Ufersa testa alternativa para alimentação de camarão de água salgada

O projeto de pesquisa começou há dois anos e está sendo concluindo agora em março, com a tabulação dos dados e produção de artigos científicos

Foto:Divulgação
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Produtores de camarão de água salgada poderão ter uma redução no preço da alimentação do crustáceo. Pesquisa nesse sentido vem sendo desenvolvida na Universidade Federal Rural do Semi-Árido. O estudo consiste na substituição da farinha de peixe pela silagem de peixe, um produto obtido a partir de resíduos de pescado que são comumente descartados. Além dos benefícios para o meio ambiente, a grande vantagem para os carcinicultores é o custo: a silagem fica 10 vezes mais barata que a farinha de peixe.

A pesquisa, desenvolvida pelos professores do curso de Engenharia de Pesca da Ufersa, Filipe Ribeiro e Alex Augusto Gonçalves, é parte integrante do programa Nacional de Carcinicultura – RECARCINA, financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, através da FINEP, com o objetivo de desenvolver tecnologias alternativas de produção do camarão marinho em cativeiro. O projeto de pesquisa começou há dois anos e está sendo concluindo agora em março, com a tabulação dos dados e produção de artigos científicos.

O professor Felipe Ribeiro explica que a farinha de peixe deixa os criadores de camarão dependentes da pesca, sendo a silagem uma boa alternativa uma vez que é produzida com um mínimo de infraestrutura e equipamentos (diferente da farinha que exige grande investimento), a partir de resíduos do pescado normalmente descartados. A pesquisa desenvolvida na Ufersa é para avaliar essa substituição. Serão analisados o crescimento, a sobrevivência e a qualidade da carne dos crustáceos.

Os pesquisadores utilizam como metodologia a avaliação em dois sistemas de produção: o sistema tradicional, que consiste na recirculação de água transparente e o sistema biofloco que tem como característica o desenvolvimento de bactérias que além de limpar a água servem como fonte de alimento para o próprio camarão. Nesse sistema, explica o professor Felipe Ribeiro, a densidade de animais por volume d’água é alta, chegando a 300 camarões por m³. No sistema tradicional o número é em torno de 20 animais por m³.

O professor ressalta que a substituição da farinha de peixe na alimentação dos crustáceos contribui para a sustentabilidade ambiental porque esse produto é obtido normalmente da pesca de espécies marinhas, além disso é um produto que tem ficado cada vez mais caro em função da redução de sua disponibilidade e por isso troca-la por um produto alternativo também contribui para a redução do preço da ração. “O sistema biofloco tem a sua importância não apenas pelo lado econômico, mas também pela questão da biossegurança quando comparamos com o sistema tradicional”, ressalta Felipe Ribeiro.

Além dos dois professores, a pesquisa conta com a participação de cinco estudantes de graduação da Ufersa dos cursos de Engenharia de Pesca e Zootecnia. Jeska Thayse da Silva Fernandes, do 9º período de Zootecnia, ressalta a importância de participar da pesquisa de iniciação científica. “Além de agregar valor ao meu conhecimento, ganho também experiência prática com o manejo na área da Carcinocultura”, afirmou. A universitária disse ainda que pretende se especializar área da aquicultura, com foco para a piscicultura marinha.

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