UFRN lança Repositório de Informações Acessíveis para pessoas cegas

Estudantes precisam fazer cadastro para ter acesso a conteúdo

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Conseguir entrar numa universidade pública federal é uma grande conquista para qualquer pessoa. Mas ser aprovado numa seleção como vestibular ou Enem é só a primeira barreira para aqueles que têm algum tipo de deficiência. Em regra geral, as universidades não têm nem pessoal, tampouco recursos técnicos para trabalhar com as especificidades desses estudantes. Na tentativa de mudar essa situação, a UFRN criou o Repositório de Informações Acessíveis (RIA).

De acordo com a bibliotecária responsável pelo projeto, Margarth Furtado, a plataforma virtual permite armazenar, preservar e disponibilizar conteúdo via web. São textos, capítulos e livros digitalizados em vários formatos, todos acessíveis para pessoas com deficiência visual.

O trabalho é feito conforme a lei 9.610 de direitos autorais permite. Para encontrar melhor o conteúdo, tudo foi dividido por disciplinas. Os mecanismos de busca são semelhantes a qualquer catálogo digital, como o da própria Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM). Para ter acesso, o estudante precisa realizar um cadastro, mas qualquer pessoa pode visualizar o repositório pelo endereço eletrônico www.ria.ufrn.br

Esse é mais um serviço do Laboratório de Acessibilidade da BCZM. Antes de ser criado, os estudantes com deficiência visual tinham um empecilho colossal para acompanhar as aulas com o resto da turma. É o caso de Vanessa Barbosa Silveira de 33 anos. Em 2008, ela teve que trocar de curso porque ficou cega.

Em 2008.2, Vanessa saiu do curso de Estatística e foi aprovada na reopção para o curso de Pedagogia. “Como eu não conhecia a deficiência, era tudo muito novo, preferi mudar. O curso de Estatística não tinha estratégia de ensino, nem eu conhecia essas estratégias”, declarou a pedagoga.

Apesar da mudança de curso, as deficiências da universidade para atender Vanessa continuaram, o que gerou conseqüências. “Minha formação teve várias lacunas. Pra você ter ideia, às vezes a prova era amanhã, e eu não tinha o material. Muitos semestres, o material só chegava para mim na terceira unidade [ao final de seis meses]”, expôs a situação.

Ele conseguiu se formar em pedagogia, mas pensou em desistir em inúmeras ocasiões. No entanto, a força para concretizar um objetivo e a fé a impulsionando. “Pensei várias vezes em desistir, a fé que eu tenho em Deus e a fé nos meus objetivos foi o que me levou a continuar”, comentou.

Na época em que Vanessa entrou na UFRN ainda não havia o Laboratório de Acessibilidade, muito menos o RIA. É o laboratório que dá auxílio para aos mais 20 estudantes da universidade com deficiência visual. Eles têm acesso a conteúdo em diversos suportes para dar melhor fluidez no processo de ensino-aprendizagem.

Atualmente, outra estudante de pedagogia tem a possibilidade de ter uma formação completa, como é o caso da bolsista do laboratório de acessibilidade Erlane dos Santos. “o RIA permite que pessoas com deficiência visual tenham muito mais texto para fazer pesquisa”, opinou.

Laboratório de acessibilidade

Vale lembrar que o RIA é um projeto da UFRN operacionalizado pelo Laboratório de Acessibilidade. O Laboratório também é responsável por realizar revisão de textos em braille, prestar orientação à pesquisa bibliográfica, normalização de trabalhos acadêmicos, empréstimo e treinamento de tecnologias assistivas e produção de materiais em forma dos acessíveis como letra ampliada, braille e áudio. O estudante que precisar de auxílio deve recorrer a Coordenação de seu curso para receber o devido encaminhamento.

 

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